A CRÓNICA: SÓ ACABA QUANDO O ÁRBITRO APITA

Início da época 2020/21 entre FC Porto e SC Braga, no Estádio do Dragão, em ambiente de pandemia. Bancadas despidas, apenas coloridas com tarjas a lembrar os feitos da época transata. Dentro do campo, o FC Porto, sem reforços de início, defrontou um SC Braga que fez alinhar duas caras novas no onze inicial: Castro e Al Musrati. Destaque ainda para a ausência de Paulinho, avançado arsenalista que falhou a primeira jornada da Liga por lesão.

O FC Porto, além do onze, mostrou dinâmicas parecidas às da época transata, tendo sempre Marega como referência ofensiva. Foi do maliano que surgiram os primeiros sinais de perigo no jogo, com o número 11 portista a desperdiçar duas oportunidades de golo: na primeira, recebeu após uma recuperação de Uribe e atirou para as mãos de Matheus e na segunda passou mesmo pelo guarda-redes arsenalista, mas não conseguiu colocar a bola na baliza dos minhotos.

Em evidência na primeira parte esteve também o VAR ao anular um golo para cada uma das partes. Primeiro, ao FC Porto, com Corona a tirar Raúl Silva do caminho na linha com um toque de magia, a cruzar para Marega, que assistiu, de cabeça, Otávio para o golo. João Pinheiro anulou, com recurso ao VAR, por fora de jogo de Corona por 30 cm. Num segundo momento, interrompeu os festejos do SC Braga, mais concretamente de  Abel Ruíz, que marcou na cara de Marchesín, mas estava oito centímetros adiantado.

Pelo meio, os arsenalistas chegaram à vantagem por André Castro. Dando uso à largura do 3-4-3 bracarense, Castro abriu à direita em Esgaio, que cruzou ao segundo poste para Sequeira. O lateral esquerdo deixou para a entrada da grande área, onde estava Castro para fuzilar a baliza portista.

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O FC Porto foi atrás do resultado e conseguiu mesmo virar o resultado no placar. Já em tempo de compensação, Alex Telles, com tempo e espaço para cruzar na esquerda, pensou e meteu a bola na cabeça de Sérgio Oliveira, que empatou. Ainda antes da recolha aos balneários, Raúl Silva derrubou Marega na área e, na marca de castigo máximo, o Alex Telles, ao contrário do que havia acontecido no ano passado diante do mesmo adversário, não desperdiçou e deu vantagem aos homens de Sérgio Conceição.

Depois do intervalo, o Braga entrou melhor no segundo tempo e Ricardo Horta falhou uma oportunidade escandalosa de empatar a partida. Circulação ao primeiro toque no lado esquerdo do ataque, Ricardo Horta isolado no centro da área azul e branca, mas o avançado atirou por cima da baliza.

Sem grande história no resto de um jogo muito equilibrado entre duas equipas aguerridas, há a destacar a estreia de reforços nas duas equipas: Zaidu e Taremi no FC Porto e Iuri Medeiros e Schettine no SC Braga. Mehdi Taremi esteve mesmo em destaque ao ganhar uma grande penalidade que Alex Telles converteu no terceiro golo portista.

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Alex Telles – O lateral brasileiro decidiu o jogo ao fazer a assistência para o primeiro golo e ao bater com sucesso a grande penalidade que permitiu ao FC Porto chegar à vantagem no marcador e também a segunda, que aumentou para três os golos dos dragões.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Raúl Silva – O central esteve em evidência, pela negativa, por cometer a grande penalidade sobre Marega que deu vantagem ao FC Porto. O brasileiro teve muita dificuldade em conter a iniciativa ofensiva de Corona e foi, inclusive, ultrapassado pelo mexicano no golo de Otávio que veio a ser anulado. Já no banco, foi expulso por palavras dirigidas a João Pinheiro.

ANÁLISE TÁTICA – FC Porto

O FC Porto apresentou-se em 4-3-3, com uma frente de ataque bastante móvel. Privilegiando a construção rápida e a exploração da profundidade através de Marega, os dragões tiraram muita vantagem da chegada à área de Uribe e de Sérgio Oliveira. No momento defensivo, os azuis e brancos pressionaram o lado da bola, não sendo, por vezes, rápidos quanto bastasse para impedir a viragem de flanco dos homens do SC Braga.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (6)
Manafá (6)
Pepe (6)
Mbemba (6)
Alex Telles (8)
Corona (7)
Sérgio Oliveira (7)
Danilo Pereira (6)
Matheus Uribe (6)
Otávio (7)
Marega (7)

SUBS UTILIZADOS

 Zaidu (6)
Taremi (7)
Loum (6)
Fábio Vieira (-)

ANÁLISE TÁTICA – SC Braga

Os homens de Carlos Carvalhal apresentaram um 5-3-2 defensivo, que se desdobrou em 3-4-3 no momento de visar a baliza adversária. A vantagem dos arsenalistas assentou na largura do sistema utilizado, podendo contornar o enviesamento da pressão portista com bolas longas de um flanco ao outro e cruzamentos ao segundo poste. Fransérgio foi uma peça-chave, jogando entre linhas e dando apoio, quer no meio, quer na linha, para criar superioridade numérica.

 11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (6)
Esgaio (6)
Bruno Viana (6)
David Carmo (6)
Raúl Silva (4)
Sequeira (6)
Fransérgio (7)
Al Musrati (6)
Castro (7)
Ricardo Horta (6)
Abel Ruíz (6)

SUBS UTILIZADOS

André Horta (6)
Galeno (6)
Schettine (6)
Tormena (6)
Iuri Medeiros (6)

CONFERÊNCIA BNR

Sérgio Conceição: “Taremi e Zaidu ainda têm que evoluir, mas estão em pontos diferentes para chegar à titularidade”

Bola na Rede: Gostava de perguntar-lhe acerca do Fransérgio. Ele apareceu, quer dentro, quer mais descaído para a linha, sempre a dar linhas de passe e a ligar o meio-campo ao setor mais ofensivo, é um elemento fulcral para que as suas ideias de jogo sejam bem sucedidas?

Carlos Carvalhal: O Fransérgio é um jogador importante, tem grande capacidade de rutura, mesmo jogando numa posição interior como jogou hoje, tem muita chegada à área. Não tendo vários jogadores a 100 por cento, o Fransérgio era o jogador que tínhamos para fazer ruturas na defensiva do FC porto. No final, arriscamos tudo, ficamos com o André Horta e o Fransérgio no meio-campo, dois médios menos defensivos, tentamos lançar-nos na frente para chegar ao golo e depois o FC Porto, em contra-ataque, chegou ao terceiro golo.