Última horaTorreense ‘Til I Die On The Beach
Publicidade

FC Porto 3-2 Marítimo: pouca razão, muita emoção, apuramento garantido!

Francisco Manuel Reis · 5 min

FC Porto 3-2 Marítimo: pouca razão, muita emoção, apuramento garantido!

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Pronúncia do Norte

O FC Porto alcançou hoje, quase miraculosamente, o apuramento para as meias-finais da Taça da Liga. No dia em que souberam da saída do capitão Lucho González para um qualquer clube milionário no Qatar, os dragões entraram em campo com a missão de vencer o Marítimo mas não dependiam apenas de si próprios para carimbar o passaporte. O Sporting, em igualdade pontual à partida para a última jornada da fase de grupos, jogava a poucos quilómetros de distância do Dragão, em Penafiel, e havia a hipótese de se qualificar no caso de conseguir assegurar uma maior diferença de golos ou um maior número de golos marcados do que os portistas. A verdade é que não estiveram muito longe disso.

O FC Porto apresentou aquele que é praticamente seu melhor onze – apenas com Fabiano na baliza em vez de Helton e Defour no lugar do recém-transferido El Comandante – e começou a mandar no jogo. O domínio não foi avassalador mas foi o suficiente para chegar à vantagem: Jackson adiantava a sua equipa no marcador por volta do minuto 20, enquanto Aldair fazia o mesmo em Penafiel.

No entanto, logo a seguir João Diogo gelou o Dragão, empatando para o Marítimo; e poucos minutos depois foi a vez de o capitão Artur pôr os maritimistas na liderança do marcador. O Marítimo defendeu sempre de forma bastante organizada e aproveitou o excessivo balanceamento ofensivo do FC Porto e a descoordenação da defesa portista para disferir dois contra-ataques mortais que culminaram em golo.

A partir daí, o FC Porto foi à procura da sua sorte, buscando o golo. A lesão de Fernando, ainda antes do intervalo, obrigou à entrada de Josué, determinante no final. A primeira parte terminou com a notícia do golo de Mané em Penafiel, que ditava o empate no Municipal 25 de Abril.

Jackson comemorando o primeiro golo com Defour  Fonte: zerozero.pt
Jackson comemorando o primeiro golo com Defour
Fonte: zerozero.pt

Na segunda parte, vimos muito coração e pouca cabeça; muita emoção e pouca razão. A pouco minutos do fim, estava ainda o FC Porto em desvantagem, já eu sabia que ia escrever isto. Independentemente do resultado. A equipa mostrou sempre muita atitude, muita garra, muito esforço, muito empenho, muita vontade de vencer. Por outro lado, raramente conseguiu a fluidez que se exigia num momento em que era fundamental marcar. O anti-jogo do Marítimo, a boa organização colectiva dos insulares e um árbitro muito imaturo iam contribuindo para a falta de ritmo do jogo.

Paulo Fonseca lançou “a carne toda no assador”: tirou Defour, o trinco depois da saída de Fernando, para lançar Ghilas e ganhar presença na área e, a cerca de vinte minutos do fim, substituiu o capitão Maicon por Quintero, jogando com apenas um central e fazendo recuar Josué para lançar os contra-ataques desde trás.

O golo do FC Porto acabou por surgir apenas aos 85 minutos – Carlos Eduardo marcou de cabeça na sequência de um canto. A partir daí, sucederam-se algumas oportunidades e, já nos descontos, Ghilas acabou por ser derrubado e ganhou um penalty (não tão claro quanto o do lance em que Carlos Eduardo foi abalroado e que originou uma caricata bola ao solo na área do Marítimo). Josué não tremeu. O guarda-redes ainda adivinhou o lado, mas a bola estava lá dentro. O jovem formado no clube foi festejar com os incansáveis Super Dragões, enquanto Paulo Fonseca gritava para dentro de campo pedindo mais um golo e Antero o avisava de que a passagem estava assegurada. O jogo terminou com a festa azul e branca.

Josué "abençoado" por Quaresma antes do penalty  Fonte: zerozero.pt
Josué “abençoado” por Quaresma antes do penalty
Fonte: zerozero.pt

Vale a pena fazer uma análise individual aos atletas do FC Porto no jogo desta noite:

– Fabiano – o gigante guardião brasileiro sofreu golos pela primeira vez esta temporada na primeira equipa mas não teve culpa em nenhum deles.
– Maicon/Mangala – tiveram algumas culpas nos golos – Mangala deixa João Diogo em jogo no primeiro golo e Maicon falha a intercepção no segundo – mas revelaram grande atitude ao longo de toda a partida.
– Danilo – é incrível o desacerto do brasileiro ao nível do passe. Hoje deve ter tido mais passes falhados do que acertados. Esteve muito longe do que já conseguiu produzir esta época.
– Alex Sandro – ambos os golos sofridos foram pelo corredor esquerdo e revelou uma apatia gritante no primeiro. Todavia, envolveu-se bem no ataque e mostrou uma grande atitude.
– Josué – excelente entrada em jogo: boa qualidade de passe, muita intensidade e enorme carácter ao assumir a marcação do castigo máximo, depois do falhanço em Madrid. Voltou a marcar pontos e espreita um regresso ao “onze base” na sequência da saída de Lucho.
– Carlos Eduardo – voltou a ser o maestro e apontou o golo que mudou tudo. Com uma extraordinária visão de jogo, procurou a bola em todas as zonas do terreno e mostrou mais uma vez que merece ser titular.
– Quaresma – ao contrário do que esperava, tem-se revelado muitíssimo útil. Muito perigoso e cada vez mais forte no um para um. Hoje foi mais objectivo do que nos últimos jogos. Tem crescido e dá a ideia de poder crescer ainda mais. A equipa agradece.
– Jackson – pouca bola, muita luta e mais um golo. Não fez um jogo brilhante, mas cumpriu.
– Ghilas – entrou bem, procurando o esférico e ameaçando a baliza, acabando por estar no lance mais decisivo da partida, ao arrancar a grande penalidade no último suspiro.
– Varela – acabou com a braçadeira. Não esteve tão bem como nos últimos jogos, mas lutou como é habitual.
– Fernando – saiu antes do intervalo com problemas físicos. Espera-se que não seja nada de grave porque, após a saída de Lucho, é o único com capacidade para ser a voz de comando do meio-campo azul e branco.
– Defour – alta intensidade, pouco rasgo… como sempre. Veremos qual o seu futuro no Dragão.
– Quintero – já não jogava mais de um quarto de hora há muitas semanas. Entrou para ajudar, na fase do desespero, e mostrou a qualidade técnica que todos lhe (re)conhecem.

Em suma, apesar das dificuldades sentidas pelos azuis e brancos, a verdade é que a equipa não jogou pior do que tem jogado. Sofreu golos, é certo, e pôs em risco a passagem às meias-finais da competição. No entanto, dominou claramente a partida e mostrou uma enorme abnegação. A exibição valeu essencialmente por isso. Uma derrota podia ter-se revelado um rude golpe na moral do grupo; a vitória trará, espera-se, um boost de confiança à equipa.

Francisco Manuel Reis

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.