Pronúncia do Norte

O FC Porto recebeu e venceu o Penafiel por 4-0, saltando, assim, para a liderança do grupo B da Taça da Liga. O jogo foi marcado por uma interrupção no início da segunda parte provocada pelo mau tempo que se abateu sobre o Dragão. Quaresma, Jackson (2) e Varela foram os autores dos golos azuis e brancos.

Paulo Fonseca promoveu oito alterações em relação ao último jogo, na Luz, para o campeonato: Fabiano assumiu a baliza, Maicon voltou ao eixo da defesa, Ricardo jogou no lugar do castigado Danilo, Josué e Defour voltaram ao onze, Kelvin teve mais uma oportunidade a titular, Ghilas foi o ponta-de-lança e Quaresma regressou à competição no Dragão, cinco anos depois. Mangala, Alex Sandro e Fernando foram os únicos resistentes da última batalha.

O Penafiel foi a terceira equipa da Segunda Liga que o FC Porto enfrentou este ano. Ao contrário de Trofense e Atlético, equipas do fundo da tabela, que optaram por jogar “na retranca” e que acabaram eliminadas na Taça de Portugal, o Penafiel, que ainda sonha com a promoção ao primeiro escalão do futebol português, apresentou-se no Porto com uma postura bem diferente, jogando um futebol positivo, no campo todo, pressionando bem à frente e causando ocasiões de perigo. Além dessa nota, digna de registo, convém realçar a enorme falange de apoio que o Penafiel arrastou até ao Dragão.

Quaresma, num toque de génio de cabeça, abriu a contagem para os portistas / Fonte: MaisFutebol
Quaresma, num toque de génio de cabeça, abriu a contagem para os portistas / Fonte: MaisFutebol

Apesar da postura agressiva e da competência táctica do adversário, o FC Porto dominou a partida e foi um justo vencedor. Na primeira parte, destacaram-se Quaresma e Josué. O primeiro golo – o único marcado nos primeiros quarenta e cinco minutos – foi da autoria de ambos: Josué fez um passe longo para Quaresma, que, de cabeça e de costas para a baliza, fez um chapéu de belo efeito ao guarda-redes. Josué, com o papel de maestro, foi pautando o jogo do FC Porto e exibiu-se ao seu melhor nível, pese embora alguns passes menos bem medidos; Quaresma destacou-se pelos toques de génio que prometem fazer as delícias dos azuis e brancos na segunda metade da temporada. Desde trivelas a passes de letra, o Mustang contribuiu decisivamente para a vitória portista e, embora tenha sido displicente numa ou noutra situação, trabalhou muito e bem, mostrando ao treinador que pode ser uma opção bastante válida.

Na segunda parte, já depois da paragem motivada pela chuva intensa que alagou o relvado e pelo vento forte que arrastou alguns painéis publicitários para dentro das quatro linhas, o FC Porto entrou ainda mais agressivo e o Penafiel nunca mais conseguiu apresentar a fluidez que evidenciou quando o tapete do Dragão estava ainda próximo das condições ideais. Jackson e Varela – dois jogadores fortes fisicamente – substituíram Kelvin e Quaresma – dois fantasistas – e o jogo do FC Porto melhorou substancialmente. Neste caso, o mérito tem de ser dado a Paulo Fonseca, que lançou as peças certas na altura certa. Tanto um como outro foram fundamentais para vencer os duelos corpo a corpo no meio-campo do Penafiel.

Com Josué sobre a esquerda, Varela sobre a direita e Jackson a reforçar a presença na área, junto a Ghilas, o FC Porto arrancou para a goleada. Primeiro, Jackson correspondeu da melhor maneira a um surpreendente e espectacular cruzamento de letra do argelino; depois, já com Carlos Eduardo em campo, na sequência de um canto, Cha Cha Cha bisou com um cabeceamento fulminante. Ainda antes do final, também depois de um pontapé de canto, Varela haveria de dilatar o marcador, permitindo ao FC Porto ultrapassar o Sporting no número de golos marcados e atirando os dragões para a liderança do grupo. Varela parece estar em posição irregular quando recebe a bola de Mangala, após uma jogada de grande confusão na área penafidelense.

Jackson saltou do banco aos 58 minutos para bisar na partida  / Fonte: FCPorto.pt
Jackson saltou do banco aos 58 minutos para bisar na partida / Fonte: FCPorto.pt

De resto, mais algumas notas: Fabiano voltou a mostrar todos os seus dotes e voltou a não sofrer golos; Ricardo esteve novamente em bom plano na posição de lateral direito; Defour demonstrou que está em melhor forma do que Lucho, pese embora tenha tido o falhanço mais escandaloso do jogo, na cara do guarda-redes Coelho; Kelvin mostrou que é mais jogador do que Licá… novamente; e Ghilas fez, porventura, a melhor exibição ao serviço do FC Porto – finalmente teve bola, ao contrário do que aconteceu nos outros jogos, como o contra o Sporting, e aquele cruzamento de letra para o primeiro golo de Jackson foi a cereja no topo do bolo.

Foi uma exibição francamente positiva do FC Porto, frente a uma equipa cujo bom trabalho do treinador é bem evidente, e uma boa resposta à derrota infligida pelo Benfica no Domingo passado. O jogo da última jornada da Taça da Liga, no Dragão, frente ao Marítimo, será decisivo (assim como a recepção do Penafiel ao Sporting). Para já, tudo em aberto: dragões e leões discutirão a presença nas meias-finais da Taça da Liga à beira Douro, presumivelmente jogada contra as águias (que, em caso de vitória, se apuram desde já).

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