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A 11.ª vitória consecutiva começou a ser construída como tantas outras, que é como quem diz, a partir do banco. Sérgio tirou Óliver do jogo ainda na primeira parte por troca com Herrera e, apesar de menos embelezado, o futebol dos portistas foi bem mais eficaz e, acima de tudo, mais seguro. Os algarvios já não gozaram de tanto espaço para criar calafrios e, do outro lado, o rolo compressor voltou a aparecer. Ainda assim, quatro jogos depois, no campeonato, as redes de Casillas voltaram a abanar. Marega, com um bis, Brahimi e Soares com um golo cada, deram corpo à superioridade azul e branca. Tormena ainda adiantou os algarvios no marcador, mas nada feito. Ah!, o que o VAR tira, o VAR dá!

O Portimonense foi ao Dragão jogar… (bom) futebol. Não é uma ironia, já que poucos o tencionam fazer quando entram no palco dos azuis e brancos e quase nenhuns o conseguem, por mais que queiram. Os algarvios têm, de facto, um dos melhores planteis da Primeira Liga e demonstraram-no esta noite. Do meio campo para a frente, o virtuosismo de Nakajima, a classe de Paulinho ou a dimensão futebolística de um ‘regressado’ Jackson, colocaram em sentido uma equipa que tinha claras preocupações ofensivas, essencialmente depois de se ver a perder em casa. O problema, lá está, é que um balanceamento atacante demasiado vertiginoso poderia ter os seus custos. Só assim se percebe a alteração promovida por Sérgio Conceição, ainda no primeiro tempo, quando decidiu abdicar da magia de Óliver em detrimento do equilíbrio e músculo de Herrera.

Quanto ao filme do jogo, nota para uma entrada triunfante do conjunto liderado por Folha. Nakajima começou por contemporizar bem a partir da esquerda e, assim que viu uma tremenda falha defensiva azul e branca, só teve de colocar a ‘redonda’ ao segundo poste, onde aparece Tormena a encostar para o balde de água…fria. Estávamos no décimo minuto, pelo que a crença a que este dragão habituou os seus adeptos não deixou que a impaciência tomasse conta dos fiéis. Vai daí, logo um impulso saltou da bancada para o relvado e nem um (grande) golo anulado pelo VAR a Brahimi esfriou a reação.

Não foi à primeira mas logo a seguir Marega disse presente. Num canto da direita, o maliano apareceu ao primeiro poste e cabeceou com eficácia para o empate. Foi uma resposta à campeão, que se prolongou pelos minutos seguintes, mas Ricardo Ferreira não estava para (mais) festas e, com um voo sensacional, negou a reviravolta a Felipe aos 27’. Os portistas continuavam a tentar, usando e abusando das bolas, curtas ou longas, nas costas da defesa. Nesse particular, Soares, Marega e Brahimi estiveram bastante perdulários.

O Portimonense, por seu lado, fazia questão de dizer presente sem que conseguia fazer passar a bola do seu meio campo e com um inevitável cheirinho de Japão à mistura e uma verdadeira locomotiva chamada Manafá. Jackson, regressado a ‘casa’, esteve perto de brindar os (ainda) seus adeptos, mas o fulgor já não é o de outros tempos, fazendo com que Casillas afastasse.

Brahimi voltou ao nível a que habituou os adeptos
Fonte: Diogo Cardoso

O segundo tempo trouxe, enfim, a vantagem que os portistas vinham ameaçando. Minuto 56 e Brahimi cruzou largo para Marega servir Soares para um dos golos mais fáceis da carreira do brasileiro e, no minuto seguinte, senhoras e senhor, um verdadeiro hino ao futebol. Um exímio contra ataque, finalizado com mestria pelo mago argelino do FC Porto levou ao delírio os 33 mil portistas que quiseram assistir à 11.ª vitória consecutiva dos azuis e brancos. Tudo começou numa recuperação de Otávio que rapidamente a endossou para Danilo. O Comendador conduziu-a com eficácia antes de servir Brahimi. O resto é tudo o que se pode esperar de um belíssimo jogador de futebol. Perguntou a Ricardo Ferreira para onde queria a bola e depois foi só coloca-la, sem hipótese. Em dois minutos o FC Porto dava uma grande machadada num adversário de nível, que ameaçava criar muitas dificuldades se o empate se mantivesse.

Ainda assim, Casillas teve de se aplicar para garantir que daqui em diante a noite seria mais tranquila. A remate de Tormena, o espanhol respondeu com defesa difícil, negando dessa forma o relançamento dos algarvios no jogo.

Quem não se fez rogado foi Marega, que no sítio certo aproveitou uma bola perdida após um canto para fazer o quarto. Era o segundo da conta pessoal do maliano e a confirmação do que já se vinha suspeitando: o rolo compressor dos dragões está, de facto, a aparecer. Nota aqui, mais uma vez, para a visão de Sérgio Conceição a partir do banco.

O Portimonense nunca mais foi o perigo à solta que tinha sido nos primeiros 45 minutos após a entrada de Herrera. Se para se ganharem batalhas desta natureza for preciso sacrificar o talento e apostar na força e no equilíbrio, então Conceição terá sempre todo o crédito por parte do mar azul. Bem, voltando ao jogo, ressalvar que a história se escreveu quase sempre com o dragão em fase de gestão e o Portimonense a perder-se em tentativas infrutíferas de reaparecer no jogo.

Há, contudo, novo momento alto da noite e, por isso, temos de passar já para o minuto 74. Jackson foi substituído e o Dragão, de pé, dispensou-lhe uma das maiores ovações da noite. Brahimi, inclusive, fez questão de correr de um lado ao outro do campo para o abraçar, adensando ainda mais o já ruidoso aplauso. O próprio Paulinho foi acarinhado assim que dos altifalantes soou o seu nome para a alteração.

Com o olhar voltado, de novo, para o relvado, foi a vez de Hernâni, entretanto lançado, desperdiçar o avolumar do resultado, mas por esta altura já ninguém se importava. A noite era, uma vez mais, de alegria e a força do dragão promete continuar a fazer estragos. Talvez não merecesse castigo tão pesado a formação do Portimonense mas, ultimamente, quem ousa importunar os azuis e brancos, essencialmente na sua fortaleza, acaba destroçado. E assim foi!

FC Porto: Casillas, Corona, Felipe, Militão, Alex Telles, Danilo, Óliver (Herrera 41’), Otávio (Adrián 80’), Brahimi, Marega e Soares (Hernâni 75’).

Portimonense SC: Ricardo Ferreira, Lucas (Lucas Fernandes 78’), Jadson, Dener, Paulinho, Jackson Martínez (João Carlos 74’), Nakajima, Manafá, Pedro Sá, Rúben Fernandes (Tabata 67’) e Tormena.

 

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