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fc porto cabeçalho 2O jogo de hoje teve várias circunstâncias especiais: os dois treinadores defrontavam as suas ex-equipas, Casillas fazia 50 jogos na Liga pelo Futebol Clube do Porto e os dragões prestavam tributo ao seu ex-treinador, Carlos Alberto Silva, homem que foi bicampeão pelo clube e que, infelizmente, faleceu esta semana.

Em primeiro lugar, uma análise aos onzes iniciais. NES promove a entrada de Layún para o lugar de Maxi, algo que me agrada muitíssimo por achar que o mexicano é não só superior a Maxi como também um dos melhores jogadores do plantel e o melhor lateral da liga. Destaque ainda para a ausência de Otávio, supostamente já recuperado, do onze e do banco de suplentes. No RAFC, Luís Castro aposta em Pedrinho para o lugar habitualmente ocupado por Rafa Soares, emprestado pelo FCP. Recordo que o jogador emprestado pelo FCP tem sido um dos melhores jogadores do RAFC nos últimos jogos. Apesar da ausência do jovem jogador, o RAFC tem talento de sobra para colocar problemas a qualquer equipa da liga, contando com jogadores de talento como Gil Dias, Roderick, Rúben Ribeiro, Tarantini e Filipe Augusto.

Nos primeiros cinco minutos vimos essencialmente duas coisas: um Rio Ave subido e a tratar bem a bola e um FCP desconfortável com a pressão alta da equipa de Luís Castro. A equipa de NES falhou mesmo vários passes. Rúben Ribeiro era claramente o melhor jogador em campo nestes minutos iniciais, organizando todo o jogo ofensivo do RAFC e tratando a bola de forma primorosa. Nos dez minutos subsequentes houve a manutenção do anteriormente mencionado e a ausência de grandes oportunidades para ambos os lados.

Aos 16 minutos, Corona flete para o centro, faz o mais difícil livrando-se de 2 adversários, mas depois falha primorosamente no momento da finalização de pé esquerdo. No entanto, aos 17 minutos Felipe fez o que Corona não conseguiu. Telles bateu sublimemente um livre lateral na direita e Felipe, em grande movimentação, apareceu diante de Cássio e cabeceou para o fundo das redes.  Aos 21 minutos, Corona lançou Jota pelo meio, este fica cara a cara com o guarda-redes, mas o remate acertou na trave. O FCP aproveitava matreiramente a instabilidade causada pelo golo na equipa de Luís Castro.

Entretanto, tinha saído Pedrinho, por problemas físicos, e entrado Bruno Teles para o seu lugar.  O golo afetou a confiança do RAFC e o FCP circulava a bola com maior facilidade, embora ainda falhando vários passes. Os homens de Luís Castro estavam a marcar ferozmente Óliver e o FCP sentia a falta do seu maestro.

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Aos 34, Gil Dias  faz um cruzamento remate, surpreende Casillas, que aborda mal o lance, e Guedes no ressalto marca o golo do empate. Por volta dos 40 minutos, Corona isola-se e fica com tudo para fazer o golo, mas Jorge Sousa assinala, erradamente, fora-de-jogo. Mais um capítulo no longo histórico de ocasiões em que o árbitro portuense prejudica o FCP.

Ao final dos primeiros 45 minutos estavam muito claras duas coisas: Jota não se está a dar bem com o papel de falso extremo e o sucesso do RAFC estava fortemente assente em Rúben Ribeiro estar a conseguir fazer o que Óliver não, organizar a manobra ofensiva da sua equipa. Os homens de Luís Castro, recuperaram bem da perda anímica que o golo gerou e imponham-se no jogo como uma equipa bem-organizada, que defendia bem e saia para o contra-ataque com critério e perigo.

Guedes marcou o oitavo golo sofrido pelo Futebol Clube do Porto esta época (Fonte: Site Oficial do Rio Ave FC)
Guedes marcou o oitavo golo sofrido pelo Futebol Clube do Porto esta época
(Fonte: Site Oficial do Rio Ave FC)

Reiniciando o jogo, permaneciam os problemas no FCP e numa jogada em que Layún derruba Gil Dias na área, Jorge Sousa assinala penalty. Roderick não falha na conversão e dá a vantagem ao RAFC.  Aos 54 minutos, novamente um central e na sequência de um lance de bola parada de Telles, Marcano restabelece a igualdade de cabeça. Tudo estava em aberto e logo a seguir NES retirava Layún e metia Rui Pedro. Já antes tinha colocado André André no lugar de Corona. Com estas alterações, o FCP ficava em 4-4-2, com André e Jota nas faixas. Herrera ficava assim adaptado a lateral.

Alex Telles faria mesmo a tripla de assistências aos 61 quando, novamente em livre no lado direito, coloca a bola na cabeça de Danilo que cabeceia para o fundo das redes. O lance é precedido por um grande trabalho de André Silva, que conquista a falta junto à linha final. Reviravolta no Dragão, que ficou ao rubro na sequência do golo.

Aos 64 minutos, Luís Castro retirava Rúben Ribeiro e colocava Krovinovic. Freitas Lobo advogava a estabilidade do croata e eu ficava aliviado de ver o RAFC privado da imaginação e qualidade de passe do português. É importante destacar a capacidade da equipa de NES no combate ao nervosismo da desvantagem. NES foi também audaz nas substituições e como diz o lema dos Comandos a sorte favoreceu-o.

Após as substituições, a equipa do FCP era de facto uma besta diferente. Uma besta que fazia o RAFC temer o contra-ataque e isso refletiu-se na manobra ofensiva dos comandados por Luís Castro. O ex-treinador do FCP não se deixava amedrontar e aos 78 metia Ronan no lugar de Héldon.

Há que referir que apesar de tudo o RAFC manteve-se sempre perigoso e ameaçador. Aos 80 minutos, NES respondia e refrescava o meio-campo João Carlos Teixeira, que entrou para o lugar de Óliver. Aos 84, André André reforçava a boa exibição com um excelente passe para Rui Pedro, que falhou na receção e desperdiçou a oportunidade de sentenciar o jogo.

Estava para ser de nervos até ao fim este jogo. Aos 86 o RAFC podia ter mesmo reposto a igualdade, fosse Marcelo tão acertado a corresponder em bolas paradas como Marcano e Felipe.

Rui Pedro redimiu-se e correspondeu de cabeça a um belo cruzamento de João Carlos Teixeira. Foi dele a honra de ser o xanax que este jogo precisava. Lembro que momentos antes do golo, o RAFC registava mais posse de bola que o FCP (51%-49%). Aliás, mesmo depois do golo o RAFC não baixou os braços. Teimosos, estes nortenhos!

Final do jogo e eu tinha algumas ideias muito claras: Jota não está nada em forma, este FCP não desistiu e foi muito audaz, o RAFC é uma das equipas mais perigosas deste campeonato, NES ganhou a batalha na tática e este FCP está aí para lutar até ao fim. Não é sempre uma equipa “à Porto”, mas é cada vez mais.

Foto de Capa: Fora de Jogo

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