A CRÓNICA: BALIZAS ESCANCARADAS

Depois do empate do Sporting CP, em Famalicão, minutos antes do apito inicial no Dragão, o jogo entre FC Porto e o CD Tondela tornou-se de ainda maior responsabilidade e importância para os comandados de Sérgio Conceição. Em causa não estavam apenas três pontos, mas também uma aproximação de um rival direto e primeiro classificado.

O FC Porto entrou praticamente a vencer na partida. Taremi arrancou pela direita e deu em Otávio, que, depois de tirar os defesas da frente, deu no isolado Zaidu, que só teve de empurrar para o fundo das redes. A vantagem só não foi dilatada no minuto seguinte porque Marega fez o mais difícil: de baliza aberta, o maliano atirou ao lado, depois de Taremi lhe oferecer autenticamente o golo.

O jogo mantinha-se de sentido único. Aos 14′, foi a vez de Taremi desperdiçar em boa posição. O iraniano recebeu do calcanhar de Uribe após cruzamento de Manafá, mas atirou sem grande potência para a defesa de Niasse. Os ditados não mentem: quem não mata morre. Eis que o Tondela conseguiu, em dez minutos, a reviravolta no marcador. Primeiro, aos 19′, Sérgio Oliveira perdeu a bola no meio-campo, quando a equipa estava balanceada para a frente, o esférico chegou a Rafael Barbosa, que isolou Mario González. Em frente a Marchesín, o avançado não perdoou e estabeleceu a igualdade no marcador. Aos 32′, numa jogada típica do Sheffield United, de Inglaterra, Enzo Martínez, defesa central beirão, tabelou com Filipe Ferreira e subiu para cruzar ao segundo poste, onde estava Rafael Barbosa para encostar.

Os dragões não demoraram a responder por Marega. Depois de um canto batido à direita, Marega ganhou o ressalto e desviou de Niasse para restabelecer a igualdade no placar. Frio era só para quem estava na bancada, porque, dentro de campo, a primeira parte foi de grande emoção.

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Os jogadores regressaram para o segundo tempo e, com eles, veio também a emoção da primeira parte. O FC Porto entrou, à semelhança da primeira parte, a vencer, com o segundo golo de Marega. Otávio combinou, numa bonita jogada, com Sérgio Oliveira, olhou, contemporizou e serviu Marega na perfeição. O maliano fez o que lhe cabia e adiantou os portistas no marcador.

Entre os 56′ e os 61′, poderíamos ter visto uma goleada no Estádio do Dragão, mas esta não era a noite de Sérgio Oliveira. No minuto inicial desta sequência, Uribe entrou na área, contemporizou e assistiu ao segundo poste Taremi, que, de primeira, fuzilou as redes beirãs. Aos 57′, Sérgio Oliveira, após cruzamento de Zaidu, tirou os defesas da frente mas não conseguiu acertar na baliza. Ele que, qual ponta de lança, apareceu ainda no coração da área aos 59′ e 61′, mas não conseguiu concluir da melhor forma.

Quem aproveitou foi o Tondela que, numa jogada isolada, reduziu a vantagem e relançou a partida. Pedro Augusto cruzou à esquerda, após mau posicionamento de Manafá e, de forma assertiva, Mario González cabeceou entre os centrais portistas, não dando hipótese a Marchesín.

O Tondela ainda pressionou no final da partida e, no tempo de compensação, Khacef enviou uma autêntica bomba, que bateu com estrondo na trave da baliza defendida por Marchesín. O FC Porto saiu do Dragão com os três pontos pretendidos, num verdadeiro jogo de loucos, capaz de aquecer todos os que poderiam estar mais resfriados nesta noite fria na cidade do Porto.

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Otávio – Sem golos, mas com duas assistências, foi o principal dinamizador do ataque portista. Quando chegavam a Otávio, as jogadas do FC Porto ganhavam mais brilho e mais objetividade.

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Defesas das duas equipas – Quer de um lado, quer do outro, os erros acumularam-se. Entre más abordagens, antecipações, maus posicionamentos e passividade, este será um jogo que nenhum treinador gostará de ver no aspeto defensivo.

ANÁLISE TÁTICA – FC Porto

O FC Porto apresentou-se em 4-4-2, com Marega e Taremi a serem as referências ofensivas portistas. Destaque para Sérgio Oliveira e Uribe, que apareceram no meio dos avançados para receber bolas por cima da defesa, apesar de nunca ter resultado em golo a movimentação.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (5)
Manafá (5)
Mbemba (5)
Malang Sarr (5)
Zaidu (6)
Otávio (8)
Uribe (7)
Sérgio Oiveira (6)
Luis Díaz (6)
Marega (7)
Taremi (7)

SUBS UTILIZADOS

Evanilson (6)
Nakajima (6)
Fábio Vieira (6)
Corona (-)
Grujic (-)

ANÁLISE TÁTICA – CD Tondela

Como era esperado, o CD Tondela apresentou-se com uma defesa a cinco, com Tiago, inicialmente previsto como médio direito, a baixar para cobrir a linha, enquanto medioub fez de terceiro central. Com Jaume, João Pedro e Pedro Augusto no meio-campo, sobraram Rafael Barbosa e Mario González para lançar as rápidas ofensivas ao FC Porto. Destaque ainda para o lance do segundo golo beirão, em que Enzo Martínez sobrepõe-se a Filipe Ferreira e é o próprio defesa central que vai à linha tirar o cruzamento ao segundo poste.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Niasse (5)
Medioub (5)
Yohan Tavares (5)
Enzo Martínez (5)
Filipe Ferreira (5)
Tiago (5)
João Pedro (5)
Jaume (6)
Pedro Augusto (7)
Rafael Barbosa (7)
Mario González (7)

SUBS UTILIZADOS

Bebeto (6)
João Mendes (6)
Souley (-)
Khacef (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

Sérgio Conceição: “Entrámos muito bem. Fizemos golo no início e tivemos mais 4 ocasiões de golo. Depois, sofremos aos 20 minutos, na primeira vez que tivemos desconcentração. Perdemos a bola numa zona proibida, com sucessão de erros individuais. Fizeram o golo. Estávamos bem, estávamos por cima e sentia que podíamos fazer golos a qualquer momento. Depois, há um cruzamento e somos mal batidos. Do nad,a estamos a perder 2-1, o que para mim é completamente condenável. Conseguimos empatar, entrámos na 2.ª parte a criar 5, 6 ocasiões claras na cara do guarda-redes, que foi o melhor em campo. Fazemos o 3-2 e o 4-2, faço substituições para refrescar a equipa. Nova aproximação e fazem o 4-3. Depois foi um bocado aquilo que é os futebol e os deuses…”

CD Tondela

BnR: Na jogada do segundo golo, o Enzo Martínez tabela com o Filipe Ferreira para depois fazer a sobreposição e cruzar, numa jogada típica do Sheffield United. Gostava de perguntar se essa jogada já foi trabalhada, se é uma dinâmica ofensiva da equipa ou se foi apenas uma opção natural para desenvolver a jogada?

Pako Ayestaran: É algo natural, não é um trabalho específico. Mas, quando jogamos com três centrais, tentamos que um se balance muito no aspeto ofensivo. Porém, hoje não foi o caso. Ele fez aquilo no segundo lance e tivemos oportunidade de marcar o segundo golo.

Artigo revisto

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