A CRÓNICA: CINCO GOLOS QUE MANTÉM O “DISTANCIAMENTO”

No dia em que um Dragão despido disse adeus a uma das maiores lendas do FC Porto, Seninho, os comandados de Sérgio Conceição homenagearam da melhor forma o herói de Manchester.

O FC Porto entrou para o encontro com uma paciência que era mais que necessária para enfrentar uma equipa muito competente no processo defensivo.

Não era, pois, uma noite de ativar setas no ataque azul e branco, mas sim de desmontar um belo puzzle que também se vestia de azul.

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No entanto, foi o Belenenses SAD que aos 12 minutos deu um aviso muito sério à baliza de Marchesín. Marco Matias conseguiu um cruzamento perfeito que não teve a finalização esperada de Edi Semedo.

Perto da meia-hora, Sérgio Oliveira tentou explodir com as redes de Koffi, mas Ricardo Ferreira, com toda a sua experiência, pôs fim à investida do médio português.

Estávamos de facto perto da meia-hora, momento em que Marega fez uma vénia. Uma vénia a um ponta de lança que finalmente voltou a dar o gosto ao pé. Tiquinho Soares inaugurou o marcador e colocou fim a um jejum que durava desde fevereiro… O golo, claro está, foi de cabeça como manda a regra dos tentos do ponta de lança brasileiro. Estava feito o um a zero.

Matheus Uribe também se queria estrear a marcar, mas Rui Oliveira, com o auxílio do VAR, anulou aquele que seria, e chegou a ser, o dois a zero.

Chegou assim ao fim uma primeira parte que não foi de todo avassaladora pelos homens da casa, mas que conseguiu desmontar uma defesa que, embora bem constituída, não conseguiu travar o cabeceamento certeiro de Tiquinho Soares.

Rui Oliveira apitou para o início do segundo tempo, e viu-se um jogo espelho da primeira parte. Um Belenenses SAD a entregar a iniciativa de jogo ao FC Porto e a descurar um pouco o seu processo ofensivo. Aos 58 minutos, Marega mostrou aquilo em que realmente consegue ferir os adversários. Tecatito Corona fez o típico passe rasteiro em profundidade e Marega bateu Koffi para o dois a zero no encontro. As esperanças dos comandados de Petit podem ter caído por terra com este golo.

Depois de o Belenenses SAD rapidamente ter esgotado todas as substituições, o FC Porto conseguiu, com o misto de aceleração e drible do recém-entrado Luis Díaz, ganhar uma grande penalidade convertida com sucesso por Alex Telles. Estava feito o terceiro golo e era a altura de dar minutos a jovens do futuro azul e branco.

Isto deu uma vida diferente ao encontro e Fábio Silva tentou a sua sorte anulada por posição irregular depois de Nuno Pina ter atirado ao poste da baliza de Marchesín.

Chegou o momento do encontro. O momento em que a responsabilidade estava nos ombros de um miúdo. Alex Telles, contra a vontade de muitos, cedeu a marcação de um livre direto e o jovem médio português estreou-se a marcar. Momento de explosão de todos que celebraram a goleada no dragão por um jovem do Olival. O quarto golo aparecia assim no placar. Não sabíamos era por quanto tempo.

Luis Díaz ainda deu trabalho à tecnologia do placar dos golos e lá se teve de colocar uma goleada das antigas. Grande golo do extremo colombiano que marcou o quinto e fechou de forma fulminante um encontro para sorrir para uns e para esquecer para outros.

 

A FIGURA

 Coesão ofensiva do FC Porto – É quase impossível distinguir um jogador neste encontro. Dessa forma, o que verdadeiramente se destacou foi a coesão ofensiva do FC Porto. Uma equipa eficaz em que todos os jogadores mostraram qualidades que muitas vezes não se viam. Com o desenrolar do encontro, a qualidade de jogo com bola ainda era melhor, mas o adversário não ficou nada isento de culpas.

 

O FORA DE JOGO

 11 escolhido por Petit – Longe de mim querer criticar as escolhas sempre legítimas de um treinador de futebol. Contudo, creio que a estratégia montada por Petit saiu completamente ao lado. A mudança revolucionária do onze inicial (algo que já aconteceu noutras alturas) não surtiu qualquer efeito. A única vantagem pode ser a poupança física de jogadores fulcrais como, por exemplo, Licá. O que seria este encontro com a presença do avançado português?

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

O FC Porto apresentou-se com uma alteração relativamente ao jogo em Paços de Ferreira. Sérgio Conceição substituiu Sérgio Oliveira por Danilo e o médio português procurou dar aquela capacidade de meia distância e distribuição de jogo que falta ao capitão portista.

O 4-4-2 com dois pesos pesados na frente foi a solução encontrada para ferir uma linha de três (que ia até cinco pela participação dos laterais) dos azuis. Marega teve a função de tentar destabilizar o posicionamento dos centrais do Belenenses SAD e Tiquinho Soares foi o verdadeiro ponta de lança do encontro.

O FC Porto teve sempre uma posse de bola paciente e aguerrida, o que favorece a que muitas vezes se note aquela falta de ideias e mobilidade no ataque. Nesse sentido, é necessário um avançado que não desperdice oportunidades servidas pelas deambulações de Corona e Otávio. Marega foi um dos jogadores que demonstrou algumas lacunas técnicas na hora da decisão durante o primeiro tempo.

Quando o jogo já estava resolvido, e depois de algumas substituições, viu-se a força da juventude no FC Porto. A irreverência e a troca de bola relaxada tomaram conta de uma equipa com índices de confiança muito acima da média. As transições também começaram e a goleada estava feita.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (5)

Alex Telles (7)

Pepe (6)

Mbemba (6)

Manafá (6)

Otávio (7)

Sérgio Oliveira (7)

Matheus Uribe (7)

Tecatito Corona (7)

Marega (7)

Soares (8)

 

SUBS UTILIZADOS

Fábio Vieira (8)

Danilo Pereira (6)

Luis Díaz (8)

Fábio Silva (7)

Vitinha (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD

O Belenenses SAD apresentou-se no Estádio do Dragão de forma muito surpreendente. Petit fez bastantes alterações na equipa, e jogadores como Licá e Nilton Varela não constaram sequer na ficha de jogo. Por outro lado, os azuis não tiveram guarda-redes suplente, o que se tornou um risco caso Koffi se lesionasse. André Moreira, habitual guardião da equipa de Petit, pode ter testado positivo à Covid-19 e desfalcou assim a equipa.

Com estreias absolutas de Ricardo Ferreira e Edi Semedo, o Belenenses SAD mostrou uma defesa aguerrida que apenas pretendia pôr fim às investidas do FC Porto. Tratava-se assim de uma muralha de três centrais com forte vigilância de dois laterais.

O início do encontro acabou por mostrar um Belenenses SAD mais pressionante, que tinha em Keita aquele que era o primeiro defesa da equipa ao baixar para ajudar os companheiros mais recuados do terreno. Dessa forma, sentiu uma grande falta de fulgor ofensivo, o que é resultado da ausência de jogadores fulcrais para este tipo de encontros: Licá.

A queda tornou-se estrondosa e ninguém conseguiu travar qualquer jogador que entrasse no encontro. Estratégia completamente falhada e isso refletiu-se completamente no resultado.

 11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Koffi (3)

 Ruben Lima (4)

Nuno Coelho (4)

Danny Henriques (4)

Ricardo Ferreira (5)

Diogo Calila (5)

André Santos (4)

Nuno Pina (4)

Marco Matias (5)

Edi Semedo (5)

Keita (5)

 

SUBS UTILIZADOS

Show (5)

Mateo Cassierra (4)

Cafú Phete (4)

Dieguinho (4)

Tiago Esgaio (4)

Artigo revisto por Joana Mendes

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O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva. Apesar de estar distante do clube do seu coração, procura ao máximo não perder nenhuma novidade da cidade invicta e do futebol em geral.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.