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“Não conseguimos sair a jogar por causa da pressão do FC Porto”. Estas palavras de Hélder Lopes, defesa esquerdo do Paços de Ferreira, na flash interview da SportTV, resumem na perfeição o que foi a partida do Dragão. Julen Lopetegui voltou à fórmula original, ignorando os bons desempenhos de alguns elementos nas últimas partidas da Taça da Liga (frente a Braga e Académica), e, por isso, a única verdadeira novidade foi a titularidade de Marcano em função da ausência, por castigo, de Bruno Martins Indi.

Ao contrário do jogo diante da Briosa, o FC Porto não entrou particularmente proactivo ou dinâmico, ainda que tenha tido quase sempre a posse de bola, e, por isso, os primeiros 20’ foram pouco entusiasmantes – dominando e controlando o jogo, os dragões não foram capazes de descobrir os melhores espaços para penetrar na defensiva pacense (sempre com um bloco baixíssimo). Ainda que Óliver tenha tido possibilidade para aparecer duas/três vezes em posição de finalizar – e com outra clarividência, o golo podia ter, desde logo, surgido.

De todo em todo, não produzindo uma exibição brilhante, o mérito do FC Porto foi a forma como aniquilou as (tímidas) tentativas de saída para o ataque por parte do Paços. Sempre muito subida no terreno, a equipa de Lopetegui asfixiou e roubou facilmente a bola aos castores. Neste ponto, Casemiro esteve anormalmente em destaque, ainda que todo o posicionamento defensivo dos dragões levasse a isso – a linha defensiva esteve sempre muito próxima da zona intermediária, não abrindo espaços e “obrigando” a uma pressão constante e (quase) sempre harmoniosa.

De resto, porém, aconteceu mais do mesmo: tendência quase automática para procurar os flancos laterais mas com velocidade insuficiente para criar desequilíbrios, destacando-se a ausência de um médio que se ‘escondesse’ entre os centrais e os médios pacenses, recebendo a bola entre linhas e oferecendo outras alternativas ao jogo portista. Diga-se, no entanto, que ao minuto 30 – quando surgiu o primeiro golo portista –, o nulo era já injusto perante a inoperância pacense e o domínio total do jogo por parte do FC Porto. Foi Jackson (quem mais?!) que abriu as hostilidades, depois de um cruzamento de Alex Sandro, sendo que o keeper pacense Defendi não foi hábil ao ponto de segurar a bola, tendo o colombiano apenas de empurrar para o golo. Estava feito o mais difícil!

O FC Porto ficou, assim, mais confortável no jogo e, até ao intervalo, haveria de ampliar a vantagem. Primeiro na transformação de uma grande penalidade, a castigar falta de Hélder Lopes sobre Jackson (após passe longo de Marcano, outra das armas muito utilizadas nesta partida) – o português agarrou o colombiano até à área(?), sobrando a dúvida sobre o momento do término da infracção. Quaresma não desperdiçou e, embalado pela injecção de moral, haveria de voltar a marcar quatro minutos depois – num daqueles lances dignos de clip de final de ano, o ‘Cigano’ voltou ao passado, resgatou as insígnias de ‘Harry Potter’ e, com a famosa e já esquecida trivela, assinou o momento mágico da partida, liturgia de “quem sabe não esquece”. 3-0 ao intervalo.

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Quaresma bisou e foi uma das figuras da partida
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

A 2ª parte haveria de abrir da mesma forma como terminou a 1ª – com um golo do FC Porto. A tal pressão alta característica do Dragão não ficou no balneário, e com uma recuperação de bola à saída da área do Paços – a que se juntou demasiada passividade da equipa pacense –, Jackson teve oportunidade para servir Herrera para o mexicano deixar também a sua assinatura no livro de honra do jogo. A partir desse momento, o Paços decidiu começar a pensar em visitar Fabiano. Seri deu o primeiro sinal ao rematar à barra portista, naquele que foi também o primeiro remate da sua equipa. Estávamos no minuto 48. Esse lance teve o condão, porém, de trazer ao jogo uma nova vida – o Paços começou a soltar-se, a revelar-se mais atrevido, conseguindo sair em várias transições (sobretudo pelos corredores), uma vez que o martírio que havia sido a primeira fase de pressão portista começou a esmorecer, possibilitando, assim, que surgissem em jogo os elementos mais avançados dos castores no terreno e que nunca se viram nos primeiros 45’. Por outro lado, o FC Porto também relaxou e baixou os índices de ligação ao jogo (ainda que Óliver, por exemplo, tenha tido uma soberana oportunidade aos 55’).

A dança das substituições começou logo de seguida: saíram Casemiro, Quaresma e Herrera e entraram para os seus lugares Rúben Neves, Quintero e Evandro, aos 64’, 68’ e 81’, respectivamente. De notar tão-só o momento em que o #10 portista surgiu em campo, levando a que Óliver fosse ocupar terrenos semelhantes ao que haviam sido pisados por Quaresma, deixando Quintero, dessa forma, na zona central e nevrálgica do campo. Onde ele pode, verdadeiramente, fazer a diferença. Tal como fez ao minuto 76’, quando, com um grande passe, deixou Jackson isolado, com ‘Cha Cha Cha’ a tentar o chapéu, que acabou por sair longe da baliza.

Até ao fim o FC Porto haveria de chegar ao quinto golo, na transformação irrepreensível de um livre, por parte de Tello, a castigar um lance em que Jackson surgia, de novo, isolado perante a baliza, impedido apenas pelo defesa Romeu Rocha, que ao fazer falta, viu ainda o segundo cartão amarelo.

Tudo somado, a exibição do FC Porto, longe de ser brilhante, foi suficientemente competente e responsável para justificar uma vitória ampla, perante um Paços de Ferreira demasiado amorfo, recolhido e que não soube – principalmente durante os primeiros 45’ – justificar a fama de equipa que pratica um futebol ofensivo e descomplexado.

 

A Figura
Quaresma
– Não fez uma exibição de encher o olho, até porque teve sempre muitos adversários pela frente. Porém, merece esta distinção pelo momento absolutamente genial que assinou ao minuto 44 – é certo que tenta imensas vezes (e por isso também é criticado…), mas a forma como a trivela voltou a ser tão perfeita quanto eficaz é um daqueles lances que faz sorrir qualquer verdadeiro amante de futebol.

O Fora-de-Jogo
Paços de Ferreira
– Os primeiros 45 minutos foram totalmente desajustados da imagem positiva que esta mesma equipa tem granjeado ao longo deste campeonato. Nesse período não encontrou qualquer tipo de antídoto para a forma muito forte como foi pressionada e nunca conseguiu explorar a profundidade perante um adversário que até expôs a sua linha defensiva.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

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