A CRÓNICA: PARTIDA RESOLVIDA NOS PRIMEIROS 30 MINUTOS

A Primeira Liga 2020/2021 está cada vez mais próxima do fim, ainda com muito coisa a decidir. O jogo entre FC Porto e SC Farense a contar para a 32.ª jornada tinha influência tanto no topo como na parte de baixo da tabela classificativa. Os dragões podiam manter e segurar quase definitivamente o segundo lugar ou entregar o título ao Sporting CP, que celebraria já esta noite no sofá. Já os algarvios necessitam desesperadamente de pontuar, para no mínimo chegar ao playoff com o terceiro da Segunda Liga e evitar a despromoção imediata.

Num dia em que o sol e a chuva iam fazendo as vezes na cidade do Porto, o final de tarde e início da noite continuaram na mesma toada, com momentos em que a água caía com alguma intensidade no Estádio do Dragão. O que não foi ligeiro foi o início da partida para o SC Farense. Os azuis e brancos não quiseram deixar nada para o fim da partida, e rapidamente fecharam com as contas do jogo.

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Aos 5′, com ajuda do VAR, Tiago Martins assinala pontapé de grande penalidade por mão de Licá na borda da área num lance disputado com Otávio. Taremi foi chamado a convertir, e não deu qualquer hipótese, nem ao especialista Beto, que ainda adivinhou o lado.

Pouco menos de 10 minutos depois, aos 14′, Taremi recebe sem grande marcação entrelinhas, enquadra-se de frente para a defesa adversária e faz o passe de rotura para a desmarcação de Toni Martínez. O espanhol chutou de primeira, de forma rasteira, traindo Beto que ainda toca na bola, mas que a deixa escapar por entre as pernas.

O minuto 20 foi algo ingrato para o SC Farense. Tiveram a melhor oportunidade até então com Pedro Henrique a isolar-se entre os centrais portistas, mas Pepe fez uma recuperação fantástica e tirou o pão da boca do avançado mesmo quando este preparava o remate. Na jogada seguinte, pela esquerda do ataque portista, Taremi volta a estar em destaque ao assistir novamente, esperando bem para fixar o adversário, fazendo o passe apenas à entrada da área. Desta vez foi para Luis Díaz, que no frente a frente com Beto não vacilou e abriu a vantagem para 3-0.

Ao minuto 30′, foi o autêntico descalabro para a equipa orientada por Jorge Costa, com Bilel a acabar expulso depois de uma entrada muito duro sobre Wilson Manafá. O árbitro tinha inicialmente mostrada a cartolina amarela, mas com uma rapidíssima visita ao ecrã do VAR, mudou, sem qualquer dúvida, para o vermelho.

Os dragões foram controlando o resto da primeira parte de uma forma tranquila, com a equipa a jogar de forma confiante e descontraída, ainda com alguma oportunidades para estender ainda mais a vantagem. Os visitantes ainda contaram com um golo anulado já nos descontos.

Os segundos 45 minutos tiveram, como seria de esperar, apenas uma direção. O SC Farense conseguiu apenas uma ou outra saída com mais algum sucesso, principalmente através de Madi Queta, mas os azuis e brancos controlaram a generalidade da metade.

Aos 59′, Mehdi Taremi coroou uma exibição de alto nível, com um segundo golo depois de ter somado já duas assistências. Otávio no meio-campo encontra o movimento sem bola de Taremi que fica sem grande marcação dentro da área. Finalizou de forma fria e certeira, fora do alcance de Beto. Estava feito o 4-0.

O jogo esfriou um bocado, ganhando alguma vida já perto do final da partida. Aos 84′, num contra-ataque rápido dos dragões, João Mário usa a sua velocidade para ganhar a Alex Pinto no flanco esquerdo, chegando à área onde desfere um remate cruzado com olhos para baliza. Um belo golo do jovem português a abrir ainda mais o marcador para 5-0.

O SC Farense ainda conseguiu um golo de honra, depois de um passe longo de Fábio Nunes e de um atraso insuficiente de Diogo Leite. Licá chegou primeiro à bola que Marchesín e, apenas com um toque ao de leve, consegue tirar o argentino da jogada e colocar a bola no fundo da baliza. 5-1 era o resultado final.

Com uma das melhores exibições da época o FC Porto solidificou o segundo lugar, e empurrou a decisão do título para a partida do Sporting CP frente ao Boavista FC. Já o SC Farense continua em maus lençóis, precisando agora de vitórias nos últimos dois jogos.

A FIGURA
FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Mehdi Taremi – O avançado iraniano fez uma exibição praticamente sem falhas, com contribuições nos quatro primeiros golos (saiu pouco depois do quarto), e essencial para ligar o jogo portista. No espaço entrelinhas, recebia e combinava com os jogadores mais adiantados, permitindo que a equipa se mantivesse sempre perto do último terço.

O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Processo defensivo dos algarvios – O SC Farense nunca foi capaz de travar os dragões. Concedeu muito espaço entre a linha média e a defensiva, e não foi competente a defender a profundidade. Nem houve nenhuma individualidade a destacar-se, nem o processo defensivo como um todo foi positivo.

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

O FC Porto apresentou-se no seu habitual 4-4-2. No ataque, Toni Martínez era o homem mais fixo, juntando-se mais aos centrais adversários e com mais ataques à profundidade, enquanto que Mehdi Taremi posicionava-se quase sempre no espaço entre a linha média e defensiva do SC Farense. O iraniano foi a peça chave para o ataque portista funcionar, constantemente a ligar o setor médio com os jogadores mais avançados.

No meio-campo, Luis Díaz mantinha-se mais colado à linha na esquerda, Otávio com total liberdade a partir da direita, o que o levava um pouco por todo o campo, com Grujic e Uribe a fazer as vezes de quem recuava na construção e de quem avançava mais na frente na pressão ao adversário.

Com Otávio a raramente ocupar a sua posição de origem na direita, João Mário tinha o flanco todo para mostrar a sua velocidade. O jogo do FC Porto passava muitas vezes por uma construção mais curta do lado esquerdo, virando depois para o extremo feito lateral atacar no um para um com mais espaço. Do lado oposto, Manafá retraía-se um pouco mais no ataque, funcionando mais como uma linha de passe extra.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (6)

João Mário (6)

Mbemba (5)

Pepe (7)

Manafá (5)

Matheus Uribe (6)

Marko Grujic (7)

Otávio (7)

Luis Díaz (7)

Mehdi Taremi (9)

Toni Martínez (7)

SUBS UTILIZADOS

Diogo Leite (5)

Fábio Vieira (6)

Evanilson (6)

Romário Baró (6)

Francisco Conceição (6)

ANÁLISE TÁTICA – SC FARENSE

O SC Farense de Jorge Costa também não destoou da sua forma de sempre, apresentando-se num 4-2-3-1. Com a intenção, pelo menos no início da partida, de trocar a bola e não apostar num jogo completamente direto, Amine, que fazia dupla com Lucca no meio-campo, era o principal agitador da equipa algarvia.

Contudo, não tendo muito bola até à expulsão no minuto 30, foi difícil descortinar exatamente qual o plano da equipa nos minutos iniciais. Sem bola, não conseguiu tapar o espaço entre defesa e meio-campo e sofreu muito com isso, principalmente devido a ações de Taremi.

Já com dez jogadores, a equipa remeteu-se a defender da melhor forma que conseguia, tentando sair de forma rápida para o ataque, algo notório pela entrada de Madi Queta ao intervalo. Ainda assim, quase nunca foi capaz de importunar os dragões, e mostrou mais uma vez una defesa algo débil.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Beto (6)

Tomás Tavares (3)

César Martins (5)

Cássio Scheid (5)

Abner Felipe (5)

Jonatan Lucca (5)

Amine Oudrhiri (6)

Ryan Gauld (5)

Bilel Aouacheria (3)

Licá (4)

Pedro Henrique (4)

SUBS UTILIZADOS

Fabrício Isodoro (5)

Cláudio Falcão (5)

Madi Queta (6)

Alex Pinto (5)

Fábio Nunes (5)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

O FC Porto não compareceu na conferência de imprensa.

SC Farense

BnR: O SC Farense concedeu muito espaço entre a linha média e a defensiva, e o Taremi principalmente causou muitos estragos nesse espaço. É sempre mais fácil falar depois da partida, mas o que acha que deveria ter sido feito diferente na organização defensiva da equipa?

Jorge Costa: O posicionamento do trio do meio-campo não resultou. Mas deixe-me acrescentar, não que tenhamos merecido alguma coisa, mas o 3-0 do FC Porto surge depois de uma grande oportunidade nossa, que se tivéssemos marcado poderia ter dado alguma intranquilidade ao FC Porto. Desde que aqui estou, já falhamos nalguns jogos, em aspetos técnicos e depois em certos momentos a gerir o jogo, mas hoje falhamos foi na organização defensiva como um todo.

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