FC Porto e o seu meio-campo dos números “seis”

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Neste artigo de opinião, vou-vos falar das vantagens e desvantagens de o FC Porto jogar com Danilo e Mamadou Loum no mesmo onze inicial.

Note-se que esta temática pode já estar um pouco desatualizada, uma vez que, no último jogo da equipa azul e branca, Loum cedeu a titularidade a Matheus Uribe.

Em primeiro lugar, vamos falar especificamente de cada um destes jogadores.

Danilo Pereira, campeão europeu por Portugal em 2016, é o mais recente capitão dos dragões. Chegou ao clube precisamente em 2016, vindo do CS Marítimo. Recorde-se de que não foi uma transferência fácil, visto que teve de ser o Portimonense SC a facilitar as amargas relações entre o FC Porto e os insulares.

Daí para cá, somou 180 jogos de dragão ao peito, marcando 17 golos. É um bom registo para um médio defensivo, apesar destes números se ficarem a dever à pouca utilização deste jogador no ano da conquista do campeonato, em que Danilo sofreu uma grave lesão.

É sem sombra de dúvida um box-to-box de carácter defensivo, mas com uma grande meia-distância. Com Sérgio Conceição, o comendador evoluiu e muito o capítulo da construção e organização de jogo desde trás, ou seja, na qualidade do passe. É também um jogador muito veloz e forte no desarme e recuperação da bola, daí a poder ser utilizado como central.

Já Mamadou Loum chegou ao FC Porto em 2019, proveniente do Moreirense FC (por empréstimo do SC Braga).

No total, somou dez jogos pelos azuis e brancos (entre a equipa A e B), tendo apontado um golo. Também sofreu uma lesão que impediu que se afirmasse na pré-época desta temporada, mas conseguiu ultrapassá-la e até afirmar-se na equipa, como foi visível em alguns dos jogos mais recentes.

Tal como Danilo, é um box-to-box forte no jogo aéreo. Parece-me que o internacional senegalês é mais um número oito que o capitão portista. Até pode ser denominado como médio goleador, devido ao registo de tentos marcados que já vinha desde os tempos em que vestia a camisola da turma de Moreira de Cónegos.

Falando agora das vantagens e desvantagens de ter estes dois, se me permitem a expressão, “bichos” a jogar no mesmo onze inicial, comecemos pelo lado positivo.

Se uma equipa quiser ter uma maior segurança defensiva quando está a jogar contra equipas teoricamente mais fortes, deve optar por dois trincos, e o FC Porto não é exceção. Quando os dragões jogarem contra equipas do nível da Liga dos Campeões ou até contra SL Benfica e Sporting CP, não é de descurar a utilização de Danilo e Loum no mesmo meio-campo.

Loum ainda chegou a empatar o jogo frente ao Belenenses SAD, mas o VAR anulou o golo
Fonte: FC Porto

Outra vantagem é, sem dúvida, o poderio físico que oferecem ao jogo. Quando a equipa azul e branca jogar contra equipas que tenham como principal estratégia jogar de forma mais agressiva com um meio-campo aguerrido e forte no jogo aéreo, não é de descurar a utilização simultânea de Danilo e Loum.

Contudo, as desvantagens também se fazem sentir, e o FC Porto que o diga no jogo frente ao Belenenses SAD.

É mais que evidente que a criatividade e a capacidade ofensiva são o Calcanhar de Aquiles destes jogadores, sendo que essa é a desvantagem de jogar com dois jogadores que não possuem essas características.

Em jogos contra equipas mais modestas, é preciso uma maior criatividade no meio-campo para se conseguir fazer frente e destruir defesas muito bem organizadas. Apesar de até poderem ser úteis no denominado “chuveirinho”, aquilo que estes jogadores oferecem no último terço do terreno não é suficiente, comparado com jogadores como Uribe, Sérgio Oliveira, Otávio, entre outros…

Ainda mais, uma equipa como o FC Porto não se pode dar ao luxo de utilizar estes dois jogadores simultaneamente em jogos do campeonato contra equipas mais modestas, ou até noutros jogos em que esteja obrigado a vencer.

Sérgio Conceição parece ter percebido isso mesmo e lançou Matheus Uribe como titular no jogo frente ao Feyenoord Rotterdam.

Quando questionado sobre o facto de permanecer a aposta nestes dois médios defensivos, o técnico portista frisou que “Não é por terem os dois 1,90 metros (…)”, procurando mostrar que estes jogadores seriam muito importantes para o jogo da equipa. E, de facto, são. Mas não em todos os jogos.

E é desta forma que concluo este artigo de opinião. Muitos são os adeptos portistas que criticam a presença destes dois números “seis” no meio campo do FC Porto, mas, pelo que já vimos, são perfeitamente compatíveis. Contudo, há jogos e jogos, sendo que Danilo e Loum nem sempre são necessários.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

João Castro
João Castrohttp://www.bolanarede.pt
O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva.

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