O futebol é um desporto bonito! Esse mesmo, aquele que se joga dentro das quatro linhas, com 11 contra 11 jogadores, passes “de letra”, pontapés de bicicleta, arrancadas e dribles alucinantes, …o futebol “à antiga”. Foi por esse que, um dia, nos apaixonamos e não mais conseguimos resistir a um amor que foi crescendo gradualmente. Falar de arbitragens é colocar em segundo plano o que de mais belo tem o jogo, mas há momentos nos quais a paciência se esgota e, quando assim é, o melhor mesmo é libertar aquilo que nos vai na alma.

Sejamos claros: se o FC Porto não for campeão o melhor que pode fazer é analisar, internamente, o que falhou. Essa é a forma mais sensata de lidar com os fracassos e é talvez a única que pode conduzir a sucessos futuros. Não foi qualquer árbitro que, fazendo uso da linguagem popular, “roubou” ao FC Porto os pontos de vantagem que este tinha sobre os mais diretos adversários e, assim sendo, o dedo tem necessariamente que ser apontado à equipa e à incapacidade que teve para, nos momentos em que a pressão aumentou, manter a qualidade exibicional e, consequentemente, a senda de bons resultados.

Porém, e não entrando em lógicas absurdas ao jeito de “Liga da Verdade”, uma coisa é certa: há situações inexplicáveis e, para qualquer adepto de boa fé, incompreensíveis. A última destas situações ocorreu no passado fim de semana quando, já próximo do final do embate entre o Vitória FC e o SL Benfica, Salvio viu uma piscina na grande área dos sadinos e decidiu mergulhar “ao retardador”. O lance é semelhante ao que envolveu Dybala no jogo da primeira mão dos quartos de final da Liga dos Campeões entre a Juventus FC e o Real Madrid CF. Qual foi a única diferença? A decisão tomada pelo árbitro.

Independentemente das polémicas, o foco de todos os atletas deve manter-se em vencer os próximos jogos
Fonte: FC Porto

Errar é humano e “crucificar” um árbitro por um erro é, no mínimo, reprovável. O que choca é o facto de um erro cometido em tempo real ser corroborado pelo vídeo-árbitro, sistema que veio trazer mais justiça ao futebol mas relativamente ao qual, estando associados erros graves como este, começa a gerar-se uma maré de suspeição. Não é concebível que, analisando o lance em causa na televisão, não se perceba que há efetivamente um toque em Salvio, mas que o hiato temporal entre esse toque e a queda do jogador deixa bem claro que a intensidade deste não era suficiente para derrubar o argentino.

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Ponto final nas polémicas. O futebol é um desporto demasiado bonito para que se perca demasiado tempo a falar sobre as mesmas e a criar discursos incendiários que fazem com que não seja seguro para uma criança ir assistir a um desporto que é também uma arte. Daqui em diante, para todos, há cinco finais a disputar e a mensagem, interna e externamente, deve ser precisamente essa: todos os intervenientes, entenda-se, dirigentes, treinadores, futebolistas e árbitros devem ser responsáveis, trabalhar seriamente e dar o seu melhor. Se assim for, no final, que ganhe o melhor e, preferencialmente, que o melhor seja o FC Porto.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves