Cai o pano de 2019. Mais um ano que termina e novo ano que se ergue. Inicia-se mais um ano e os amantes do desporto rei, como é hábito, renovam votos de lealdade, exultam pelo aproximar das grandes decisões e recuperam a esperança num ano de sucessos para os seus clubes.

Mas antes de abraçar o novo ano de expectativas renovadas, importa olhar para trás e avaliar tudo o que se passou. Aprender e corrigir os erros, reconhecer e aproveitar as forças e tudo o que se fez de bom. E no fim, fazer o sempre importante balanço.

No caso do FC Porto não pode dizer-se que tenha sido um ano particularmente positivo. O clube disputou, é certo, todas as decisões, mas vai terminar 2019 se qualquer troféu para colocar na vitrine do museu. Tal sucedeu muito mais por erros próprios do que por méritos alheios.

No campeonato chegaram a ser sete os pontos de vantagem antes do FC Porto sucumbir à pressão do SL Benfica e nas taças os comandados de Sérgio Conceição foram incapazes de bater um frágil Sporting CP no tempo regulamentar e deixaram os jogos seguir para as grandes penalidades onde o oponente tem sido, nos últimos anos, exímio.

Anúncio Publicitário

Já na temporada 2019/2020 o que de mais negativo há a ressalvar é a performance da equipa nas competições europeias. A eliminação na pré-eliminatória da Liga dos Campeões marca decisivamente a época portista e tem consequências nefastas muito para além da questão desportiva e as dificuldades sentidas na Liga Europa fazem soar alarmes quanto à qualidade exibicional apresentada.

Mas nem tudo foi mau. O FC Porto voltou a mostrar tarimba e foi capaz de se apresentar em todas as decisões. É sempre um facto a salientar. Mais, na temporada que, atualmente, decorre, o FC Porto foi capaz de se apurar novamente para a Final Four da Taça da Liga e tem via aberta para o Jamor. A juntar a isto é pertinente referir a meritória campanha dos Dragões na última edição da Liga dos Campeões. Depois de uma fase de grupos com pontuação recorde (ainda em 2018), o FC Porto eliminou a AS Roma e só caiu aos pés do Liverpool FC, que acabaria por se sagrar campeão europeu.

Alex Telles foi um dos jogadores mais regulares do FC Porto em 2019
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

E é precisamente essa eliminatória com a AS Roma que elejo como momento do ano. Pela força demonstrada perante uma equipa com maior capacidade de investimento, por ter tido o condão de colocar o FC Porto entre os oito melhores da competição e por confirmar o clube como única equipa portuguesa que tem sido verdadeiramente capaz de firmar créditos além-fronteiras.

É um momento que se divide em dois. Primeiro, o jogo em Roma. O FC Porto entrou em campo desfalcado de alguns dos seus principais jogadores e ainda perdeu Brahimi (que estava a ser o melhor jogador portista) por lesão cedo na partida. Acresce que estava a ser claramente a melhor equipa em campo quando a AS Roma faz dois golos de rajada. Sem grande poder de fogo em campo ou no banco, a eliminatória parecia quase perdida quando, já dentro do último quarto de hora, Adrián López, qual Imperador de Roma, encurtou distâncias no marcador e levou a decisão da eliminatória para a Cidade Invicta.

E foi no Estádio do Dragão, junto do seu público e já com um alinhamento inicial na máxima força que o FC Porto se mostrou à Europa. Entrou decidido e pressionante desde o começo da partida, inaugurou o marcador cedo, resistiu a uma grande penalidade infantil de Éder Militão que permitiu à turma romana empatar a partida e igualou a eliminatória através de Marega. No entanto, apesar do assalto final à baliza italiana, não foi capaz de resolver a partida no tempo regulamentar. O jogo avançou para o prolongamento e aí, a equipa quebrou fisicamente.

A AS Roma, com mais rodagem acabou por dominar o tempo extra e esteve perto (tão perto) de marcar por duas ocasiões. Todavia, os italianos voaram tão perto do sol que acabaram por descer às profundezas do inferno. Num revés digno das mais apaixonantes epopeias da mitologia romana, uma grande penalidade caída do céu permitiu a Alex Telles firmar o terceiro golo portista e carimbar o acesso à fase seguinte. Um final emocionante que garantiu justiça a uma eliminatória na qual o FC Porto foi superior e voltou a mostrar que é a única equipa portuguesa com tarimba europeia.

Apresentado “O Momento”, resta-me desejar a todos os leitores do Bola Na Rede um próspero ano de 2020 e que, num cenário sempre mais azul e branco, ganhe sempre o futebol. Que venha 2020!

Foto de Capa: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Artigo anteriorLeicester City FC 0-4 Liverpool FC: Não há quem os pare…
Próximo artigoSporting CP: O Momento de 2019
Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.