Talvez pelo golo marcado cedo, o FC Porto adotou uma postura em campo totalmente oposta àquela que tem sido a sua imagem de marca. Assim, a opção foi sempre por controlar o jogo sem bola, entregando o domínio da partida ao adversário. Ao contrário do que vem sendo habitual, a transição defensiva foi menos agressiva e a equipa preferiu apostar no rigor ao nível da organização defensiva para ir controlando as investidas da equipa verde e branca. Apesar do risco associado à opção, esse controlo foi efetivo ao longo da primeira parte, não tendo o Sporting CP conseguido criar ocasiões claras de golo.

Já aos 40 minutos de jogo Brahimi, em trabalho defensivo, conseguiu recuperar a bola e Danilo, como que encarnando em Julian Weigl, realizou um passe de rutura perfeito que colocou Soares isolado frente a Rui Patrício. Numa simbiose perfeita entre o passe vertical e o movimento em diagonal por entre os defesas do avançado brasileiro, Soares mostrou uma extrema tranquilidade no momento de enfrentar Rui Patrício (um dos melhores guarda-redes do mundo em lances de 1×0+GR) e acabou por colocar o FC Porto a vencer por 2-0. Apesar de tudo, neste lance, é errática a colocação dos apoios por parte de Coates, sobretudo, assim como é gritante o tempo que Rúben Semedo e Schelotto demoraram (sobretudo o último) para fechar atrás do central uruguaio.

Danilo foi peça chave no segundo golo dos dragões Fonte: FC Porto
Danilo foi peça chave no segundo golo dos dragões
Fonte: FC Porto

Na segunda parte o Sporting CP entrou em campo já com Alan Ruiz no lugar do apagado Matheus Pereira e, com isso, elevou o nível do seu jogo. Do outro lado o FC Porto baixou (demasiado) as suas linhas quando o resultado era ainda muito perigoso, entregando por completo o domínio do jogo à equipa verde e branca. Ao longo da segunda parte o controlo do jogo por parte do FC Porto foi menos efetivo e o Sporting CP foi criando mais oportunidades de golo, golo esse que acabou por surgir, sem surpresa, aos 60 minutos, por intermédio de Alan Ruiz. Daí até ao final as opções de Nuno Espírito Santo foram sempre muito conservadoras, retirando ambos os extremos do jogo e reforçando o corredor central e, dessa forma, anulando quase por completo o momento ofensivo da sua equipa. Do outro lado Jesus penalizava a má exibição de Marvin Zeegelaar com a sua retirada do jogo e, mais tarde, viria a apostar no talento e na tremenda capacidade de drible de Podence.

Até ao final, ainda que com um Sporting CP mais dominador, o resultado não mais viria a alterar-se, muito por culpa de Iker Casillas. A defesa realizada aos 82 minutos a cabeceamento de Coates é excelente, mas foi já após os 90 minutos, novamente em resposta a cabeceamento do central uruguaio, que ‘San’ Iker realizou uma defesa que poderá figurar, certamente, num qualquer vídeo no qual se apresentem as melhores defesas da história do futebol.

Foto de Capa: FC Porto

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