Está encerrado o mercado de transferências. Mais uma vez foi um mercado caótico e inflacionado. Um pouco por toda a Europa, pudemos assistir a mais um punhado de transferências bombásticas, um sem número de novelas de verão intermináveis e vários negócios surpreendentes. No entanto, o presente artigo destina-se à análise da prestação do FC Porto neste mercado e do plantel, agora fechado, para o ataque à época 2019/2020, ou ao que resta dela, uma vez que mesmo estando numa fase embrionária, o caminho do clube na Liga dos Campeões já conheceu o seu ocaso.

O FC Porto esteve particularmente ativo nos últimos meses com o objetivo de reforçar o plantel às ordens de Sérgio Conceição. Não podia deixar de o ser já que perdeu vários dos seus jogadores mais utilizados na última temporada. Os centrais Militão e Felipe rumaram a Madrid, um para o Real Madrid CF e outro para o Club Atlético de Madrid, Herrera e Brahimi terminaram contrato e optaram por não renovar e Óliver Torres foi despachado para o Sevilha FC, naquele que acredito ter sido o negócio mais ruinoso no que a saídas diz respeito. Para além destes, também Hernâni, Adrián e Maxi deixaram o clube. Resta, ainda, mencionar o nome de Iker Casillas que, apesar da falta de anúncio, deverá ter terminado a carreira.

Com a pré-eliminatória da Liga dos Campeões para jogar no princípio de Agosto, exigia-se que o FC Porto fosse célere, assertivo e acertado no mercado. Por via de questões de ordem contabilística (o FC Porto só pode atacar verdadeiramente o mercado a partir do dia 1 de Julho, que marca o início de um novo ano contabilístico) essa celeridade que se requeria ficou comprometida. Apenas Renzo Saravia (lateral direito argentino) chegou antes do arranque dos trabalhos de pré-temporada. Depois disso, começaram a chegar alguns reforços de peso. Zé Luís chegou para aumentar a capacidade goleadora da frente de ataque, Nakajima e Luís Diaz vieram suprimir as várias saídas que ocorreram nas alas ofensivas e Marcano regressou ao clube depois de uma temporada na AS Roma para colmatar as perdas na zona central da defesa. Faltava ocupar os lugares de Casillas e Herrera. Marchesín e Uribe foram os escolhidos e chegaram do Club América do México a poucos dias do arranque oficial da época. A juntar a estes nomes, importa mencionar as subidas à equipa principal de Tomás Esteves, Romário Baró e Fábio Silva.

O colombiano Luís Diaz tem sido um dos reforços em maior destaque neste arranque de época
Fonte: Bola na Rede

No final de contas, assistimos ao mercado de transferências mais dispendioso do FC Porto de que há memória e, como tal, Sérgio Conceição não poderá queixar-se nunca de falta de apoio de uma SAD que gastou o que podia (esperemos que não tenha despendido o que não podia) para satisfazer as pretensões do seu treinador. Para além disto, depois da debacle do FC Porto na Liga dos Campeões, e quando era esperado que fosse preciso vender, a SAD voltou a ser fiel ao seu timoneiro e manteve todos os jogadores pretendidos pelo técnico no plantel. Uma vez mais, esperemos que as decisões se tenham tomado em consciência e que o futuro e a estabilidade e sustentabilidade do clube não estejam a ser hipotecados.

Assim, se a falta de celeridade pode ser atirada para cima da mesa para responsabilizar a SAD pela eliminação na Liga dos Campeões, o mesmo não poderá suceder em caso de fracasso no campeonato ou na Liga Europa. Sérgio Conceição tem à sua disposição as armas que pediu para atacar a época. À SAD apenas se poderá apontar uma gestão danosa, irresponsável e irracional. No fundo, em linha com o que se tem passado nos últimos anos. Façamos, então, uma rápida revisão do plantel do FC Porto.

Na baliza Marchesín, que tem estado a um nível superlativo, é o número um e será secundado por Diogo Costa, jovem da formação de grande potencial. Mbaye, guarda-redes da equipa B será o terceiro na hierarquia.

Nas laterais defensivas residem Saravia, Manafá, Tomás Esteves e Alex Telles. Se o brasileiro é dono e senhor à esquerda, nenhum dos laterais direitos tem impressionado o suficiente para ganhar o lugar, tendo sido Corona a alinhar na posição nos últimos jogos. Muito mal irá o departamento de scouting do FC Porto se Renzo Saravia não for capaz, a curto/médio prazo, de assumir um lugar no onze.

Já no que concerne à zona central da defesa, Pepe e Marcano são, para já, a dupla titular, com Mbemba (a quem reconheço qualidade de sobra para merecer mais oportunidades) e Diogo Leite como alternativas.

Passemos para o meio campo. Danilo, Sérgio Oliveira, Uribe, Bruno Costa e Romário Baró (que tem sido utilizado à direita) compõem as opções para a zona central, sendo que o internacional português e o reforço colombiano vão formando a dupla de confiança do treinador. Corona, Otávio, Luis Díaz e Nakajima concorrem por um lugar nas alas.

No ataque existem opções de sobra. Marega por cá se mantém, chegou Zé Luís, nem Soares nem Aboubakar deixaram do clube e a estes quatro vai-se juntando, até ao momento, Fábio Silva.

Portanto, embora estejam por conhecer as reais consequências da performance do FC Porto neste mercado e a Liga dos Campeões seja já uma miragem, Sérgio Conceição conta com um plantel com soluções de sobra e de valor para atacar uma época que se prevê longa. Acredito que, apesar das saídas, o FC Porto tem um plantel forte e que, entrosado e bem trabalhado, terá, ou deverá ter, capacidade por lutar por todas as provas que vai disputar. A ver vamos.

Foto de capa: FC Porto

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