Tudo esteve para ser uma montanha bem difícil de escalar na segunda mão, mas aos dragões valeu-lhes uma ponta final em que apelaram ao espírito de sacrifício e ao carácter para responder a dez minutos loucos e angustiantes, nos quais perderam Brahimi por lesão e viram a AS Roma marcar por duas vezes.

Estratégia de Conceição passou por não arriscar um milímetro, mas a perder por dois golos, ao FC Porto mais não lhe restava do que minimizar os estragos. Adrián manteve as esperanças intactas, mas foi o jovem Zaniolo o elemento diferenciador na primeira mão.

Era importante ganhar, mas arriscar para chegar a esse resultado desguarnecendo as tarefas defensivas foi algo a que os dois treinadores não se sujeitaram. O equilíbrio, por isso, justificava uma igualdade no final dos primeiros noventa minutos, mas quem acabou por cima foram os romanos.

Sérgio Conceição abdicou, desta vez, da classe de Óliver e lançou no onze inicial Fernando Andrade, na tentativa de ter em campo um protótipo de Marega, mas o brasileiro não, foi, nem de perto, aquilo que se esperava.

O certo é que até foi dos pés de Fernando que saiu a única tentativa enquadrada com a baliza por parte dos azuis e brancos nos primeiros quarenta e cinco minutos. Do outro lado, ainda que sem um domínio evidente, a Roma procurava assumir algumas rédeas, mas os dragões espalhavam serenidade em campo e não tinham qualquer pressa.

Adrián manteve os dragões na discussão da eliminatória
Fonte: UEFA

A intensidade haveria, contudo, de aumentar, assim que soou o apito para o início da segunda parte. Dos romanos transparecia maior vontade de resolver as coisas no primeiro jogo, mas a experiência de Casillas (que grande noite a do espanhol), Pepe e Danilo foi determinante para manter acesa a chama do dragão.

Para além de já não contarem com Marega e Corona para este encontro, aos azuis e brancos viram as contrariedades aumentarem assim que Brahimi saiu de jogo com muitas queixas no tornozelo. Poucos esperariam, porém, que o seu substituto haveria de ser determinante. Mas já lá vamos.

Antes, Zaniolo decidiu dar um ar da sua graça e, em cinco minutos, deixou tudo muito bem encaminhado para os romanos, ao assinar os dois golos e a deixar a equipa em vantagem. Foi, no meu entender, a figura do jogo, ao bater por duas vezes, com 19 anos, um guarda-redes consagrado como Iker Casillas e num palco tão importante como é a Champions.

Os dragões, que pareciam colapsar com o segundo golo romano, renasceram das cinzas pelos pés de Adrián, logo a seguir. O espanhol reduziu a desvantagem e deixou o FC Porto a um golo do apuramento. Os quartos de final estão à distância de uma noite à campeão, a 6 de março, no Estádio do Dragão.

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por: Jorge Neves

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