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Já não sei de que maneira se pode olhar para este Porto e ver algo que não seja mau. Desde resultados e exibições a vendas e dispensas de jogadores, ultimamente tudo tem sido mau. Este último jogo, contra o Estoril, foi uma verdadeira chamada de atenção de bradar aos céus! A formação de Marco Silva está cada vez melhor a defender, consegue transições ofensivas mais rápidas e atrevidas, mas, felizmente para o Porto, cansa-se mais rápido. E esse último pormenor foi vital para a vitória do Porto nesta última quarta-feira.

Mas vamos por partes. Do jogo em si não tenho muito a dizer… Não esperava ver Diego Reyes a titular e isso deixou-me satisfeito. O problema é que a sua exibição revelou uma vez mais o problema que o Porto tem em deixar as jovens promessas demasiado tempo sem jogar contra os adultos. O central mexicano de 21 anos jogou quase sempre na equipa B. Esse dado chegava perfeitamente para não o colocar a titular num jogo dos quartos-de-final da Taça de Portugal, um dos objectivos assumidos por Paulo Fonseca. Mas não. O treinador principal decidiu colocá-lo de início e, com isto, deu a entender que o miúdo estava pronto para o desafio, pois se há alguém que pode dizer se os jogadores estão prontos é Paulo Fonseca. Errou. Diego Reyes cometeu vários erros graves e, num deles, ofereceu o primeiro golo ao Estoril num lance que devia ter sido cortado logo ali.

De resto vi a equipa sem agressividade, sem raça e sem aquela sede de vitórias que tanto nos caracteriza. Em termos tácticos continuamos com debilidades, e em termos técnicos estamos muito mal. Parecemos gostar de explorar as costas da defesa mas não temos jogadores suficientemente bons para ocupar esses espaços. Temos médios como Herrera, Defour e Carlos Eduardo (e inclua-se ainda o não-tão-mágico-mas-sempre-muito-amado Ricardo Quaresma) para fazer bons passes no pé e em profundidade, mas com extremos como Varela e Licá (e contra mim falo, pois no início da temporada defendi que Licá era grande contratação) é quase impossível. Nem Jackson Martinez tem estado à altura de algumas grandes jogadas! Com isto, há duas opções: ou trazemos de volta o professor Jesualdo Ferreira, que trabalhou e espremeu muito bem jogadores como Guarín, Pepe, Falcão, Fucile, Rolando ou Raul Meireles, ou começamos a apostar mais nos outros jogadores que não têm tido lugar na equipa. O que é estranho, pois Quintero, Kelvin e Ricardo parecem só ter lugar em substituições tardias, mas Diego Reyes, que ocupa a posição importante de defesa central, já tem lugar como titular. Isto, claro, colocando as soluções apenas no trabalho dos jogadores, porque, se fosse eu a mandar, neste momento a camisola de treinador tinha três letras: AVB.

Sebá chegou por empréstimo, em 2012, incluído no negócio do Walter.  Fonte: Record
Sebá chegou por empréstimo, em 2012, incluído no negócio do Walter.
Fonte: Record

Otamendi foi vendido por 12 milhões e ainda pode chegar aos 15. Uau. Grande negócio. E basta a falta de pontos de exclamação para perceber que disse isto sem qualquer ânimo… Vendemos um dos nossos melhores defesas (com algumas falhas que já nos custaram bastante, admito) por uma quantia, na minha opinião, um pouco baixa. Mas tudo bem, bola para a frente! Thibaut Vion, ponta-de-lança internacional francês, foi contratado ao Metz no início da época 2011/2012. Rescindiu na semana passada. Tozé, jogador da formação, nem vê-lo no campo com a equipa principal.

E, mais ou menos na mesma altura em que Vion rescindiu, soube-se que o Porto garantiu o empréstimo do jogador brasileiro Elvis. O empréstimo tem duração de um ano com o Porto a poder exercer o direito de opção de compra no final do mesmo. Resta apenas dizer que o passe do jogador pertence à Traffic. Essa informação não é nada de especial mas traz consigo um dado curioso: o último jogador que o Porto teve proveniente do Brasil e que agora encontra-se ligado à Traffic foi Sebá. O mesmo jogador que na temporada passada mostrou raça, velocidade, força e poder de decisão que o Porto tanto gosta de ver! A opção de compra não foi exercida, a Traffic tomou conta do jogador, e agora está no Estoril, prontíssimo a jogar a titular e a dar muito trabalho a jogadores como Fernando e Alex Sandro. Tal como aconteceu na passada quarta-feira. São bons jogadores que não chegam a ver a relva do Dragão porque alguém não lhes indica o caminho. Como disse um amigo meu, andámos a comprar frangos para congelar! E, no meio disto tudo, talvez a única boa novidade que o Porto nos deu foi o golo de Ghilas. Depois de quase nove meses sem marcar finalmente conseguiu quebrar o enguiço. E fico feliz por ele! Que faça muitos mais com a nossa camisola!

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