Quando o fim da temporada futebolística se aproxima todos os adeptos do FC Porto, e do futebol em geral, procuram perceber quem foi o grande culpado pelo sucesso ou insucesso da época. Quando algo corre bem o treinador é quase o “melhor do mundo” e os jogadores são atletas fora-de-série. Quando os resultados não são os esperados, a vítima poderá ser o fraco plantel ou o treinador que não tem qualidade para gerir a equipa.

Nesta temporada 2018/2019 nem tudo correu como era expectável para o FC Porto – a liderança isolada fugiu para o rival SL Benfica e a Taça da Liga teve como destino Alvalade. Matematicamente, há ainda a hipótese dos dragões serem campeões nacionais e a final da Taça de Portugal ainda vai ser jogada. Na Liga dos Campeões, assim que um gigante europeu aparece no caminho da equipa portuense torna-se muito difícil seguir em frente. Em suma, caso o FC Porto não conquiste o campeonato, esta temporada será relativamente inferior a nível de prestação nas provas nacionais e internacionais. Mas a que se deve?

Na época passada os azuis e brancos conquistaram o principal objetivo, o campeonato português. Da temporada transata para esta as principais diferenças, a nível de plantel, foram as alterações no setor defensivo/centro campista. Dos atletas que saíram do clube, os principais obreiros do título foram Marcano, que partiu para a AS Roma, Diogo Dalot, que integra os quadros do Manchester United FC, Ricardo Pereira, que brilha agora no Leicester City FC e Sérgio Oliveira, que se encontra emprestado aos gregos do PAOK. Para colmatar as perdas destes atletas o FC Porto contratou ao longo da época jogadores como Militão, Pepe, Mbemba, Manafá, Loum, Fernando Andrade, fez regressar Adrián López e André Pereira e promoveu Diogo Leite e Bruno Costa.

Analisemos as principais diferenças estatísticas nas duas épocas (época atual encontra-se à porta da 33ª jornada):

Fonte: Bola na Rede

Tendo em conta que a atual época ainda não terminou e o FC Porto esteve presente em mais dois jogos do que na temporada passada, faltando ainda mais três, a estatística mostra que a nível defensivo o FC Porto está mais debilitado do que há um ano. A nível pontual, se ganhar os dois jogos que faltam para o fim do campeonato chegará à marca dos 85 pontos, menos três do que na época passada.

Tiquinho Soares é o melhor marcador da equipa com 15 golos, menos sete golos do que Marega tinha à 34ª jornada da época passada. Não são só de estatísticas que se fazem o campeonato e houve vários fatores que podem ter influenciado os maus resultados deste ano: a maré de lesões que assolou o plantel, o calendário preenchido que provocou alguma fadiga, a gestão por parte da equipa técnica, etc. A culpa não se trata apenas dos jogadores e/ou da equipa técnica, mas sim do conjunto de fatores que fazem acontecer os maus resultados. A nível de futebol praticado, por ter sido a primeira época de Sérgio Conceição ao FC Porto e, consequentemente, uma época de mudança, talvez o jogo tático/técnico na primeira temporada fosse melhor do que atualmente.

Veredito: Na época 2017/2018 o FC Porto realizou menos jogos do que na atual, mas a nível exibicional e a nível de resultados demonstrou ser uma melhor equipa. Os dragões souberam aproveitar as oportunidades que tiveram para se manterem na frente do campeonato. Na época 2018/2019 a equipa da cidade invicta foi mais longe em todas as competições a eliminar, mas para o campeonato, tendo em conta a exigência dos adeptos e o facto de ter perdido uma distância de sete pontos para o segundo classificado retirou a credibilidade a toda a equipa.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

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