Já diz o velho provérbio – “rei morto, rei posto”. Com a saída de El Zorro para o Club Atlético de Madrid neste último mercado de transferências, tendo saído pela porta pequena se pesarmos a importância que tinha no plantel, havia a necessidade de alguém que pudesse pegar no seu papel e interpretá-lo da melhor das maneiras. O que é certo é que Herrera foi um jogador controverso e os portistas só olharam para ele com olhos de ver quando esteve sob o comando de Sérgio Conceição.

O antigo capitão e box-to-box é bem lembrado pelos kilómetros que corria no relvado, não fosse ele um verdadeiro conector entre defesa e ataque. Todos sabemos que um médio área-a-área é importantíssimo numa equipa que goste de jogar em contra-ataque ou que, de forma natural, seja mais ofensiva. No entanto, esta é uma função que dá muito pouco nas vistas. Só que Matheus Uribe, um dos mais recentes reforços do FC Porto, tem sido um substituto à altura de Herrera e começa a ganhar visibilidade pela sua intervenção essencial no meio-campo, defesa e ataque da equipa portista. Isto porque Uribe, que é já internacional colombiano, sabe estar no sítio certo, à hora certa e em qualquer lado dentro das quatro linhas.

Se olharmos para os números de Uribe no clássico frente ao SL Benfica, percebemos que o colombiano foi o jogador com mais recuperações de bola – exatamente 14 durante todo o jogo. Além disso, conseguiu uma eficácia de passe de 91%. Se olharmos para as suas duas últimas temporadas no México, mais precisamente no Club América, vimos também que Uribe pode ser um médio com golo. A época onde conseguiu mais tentos na baliza do adversário foi em 2017/2018, registando o número de 14 golos marcados em 38 jogos. Fez também duas assistências.

Matheus Uribe e Luis Díaz são dois colombianos que vão dar cartas no FC Porto versão 2019/2020
Fonte: FC Porto

Podemos também rever a última temporada no clube mexicano. Em 40 jogos, mais dois do que na anterior, conseguiu apenas três golos, mas elevou o número de assistências para seis. Ainda assim, 24 jogos foram executados no papel de médio defensivo. Esta irregularidade de Uribe deve-se à sua polivalência. No Club América, o treinador Miguel Herrera tentou encontrar o território ideal para Uribe no sistema tático da equipa e isso deu-lhe mais experiência, mas tirou-lhe regularidade na estatística.

Já Herrera quase sempre manteve os mesmos números, mas sem dúvida que a sua última época foi uma das mais goleadoras. Herrera jogava com cada vez mais confiança no FC Porto, muito pelo apoio crescente dos adeptos nos últimos anos, que aos poucos começaram a perceber o seu valor. Certo é também que uma das suas grandes temporadas foi a de 2014/2015 em que o médio consegue sete golos e 11 assistências em 46 jogos. Nos 53 jogos da última temporada, Herrera fez nove golos e três assistências. Este tinha um papel importantíssimo no momento de transição defesa-ataque ou até mesmo a criar jogo.

O seu remate era também um ponto forte do mexicano, conseguindo, por fezes, golos de belo efeito. Porém, o seu “pulmão” era um dos fatores determinantes durante os noventa minutos. Herrera corria para a frente e para trás do início ao fim e ainda era capaz de fazer sprints aos 90 minutos de jogo caso fosse necessário. Não tinha a mesma habilidade para destruir o jogo do adversário que Uribe, mas tinha muita mais capacidade ofensiva do que o colombiano.

Veredito: Apesar de serem jogadores muito, muito idênticos, Uribe parece ser uma versão ligeiramente melhorada de Herrera no sentido de que peca menos a nível defensivo e é excelente a conseguir recuperar a bola e sair para o ataque com ela, deixando os colegas em boa posição. Contudo, ainda tem muito a mostrar para chegar ao patamar de Herrera, pois o futebol mexicano é bem diferente do Europeu e nisso o ex-capitão do FC Porto já é “especialista”. Por tudo o que deu ao FC Porto e pelo que mostrou na Europa, Herrera vence, mas Uribe pode muito bem ser o futuro.

Foto de capa: Edição Bola na Rede/Imagens Jogadores: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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