Sérgio Conceição, ao contrário do que era esperado no início da época , tem sentido “dores de cabeça” para formar o onze inicial do FC Porto, nomeadamente ao nível do meio-campo.

Titular em seis dos últimos sete jogos, Óliver Torres tem enchido as medidas aos portistas com exibições de grande qualidade, tendo pegado de estaca no onze de Sérgio Conceição.
Já Sérgio Oliveira teve um começo de época irregular com alguns pormenores de qualidade mas com exibições pobres no geral, que o levaram a cair do onze e ser relegado para o banco de suplentes.

Com Óliver, o jogo do FC Porto é muito mais rico, devido à sua visão de jogo, à sua criatividade e à sua soberba qualidade e assertividade no passe. Ao assumir o papel de médio de transição, apenas com Danilo a seu lado no setor médio do terreno, o espanhol tem dado nas vistas pela sua capacidade física e de luta, tendo inclusive estabelecido um recorde de onze desarmes na Liga Nos, no jogo contra o Feirense a contar para a 8ª jornada, algo que seria impensável no “antigo” Óliver. De destacar, ainda no aspeto defensivo, é a inteligência do ex-Atlético de Madrid nas suas interceções, que raramente se traduzem em faltas sobre o oponente e permitem ao espanhol sair a jogar.

Óliver Torres passou de suplente a indispensável na equipa de Sérgio Conceição
Fonte: FC Porto

Para além disso, é de referir a sua capacidade de drible sobre os adversários e controlo de bola, utilizando o seu baixo centro de rotação para rodar sobre os mesmos e sair, até por vezes, de pressões de três ou quatro jogadores. A maior prova de trabalho e de empenho do espanhol é a melhoria no seu jogo posicional, que se nota que foi muito bem trabalhado por Sérgio Conceição, pois Óliver tende a aparecer sempre no local certo para dinamizar o jogo da turma portista.

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A única lacuna deste pequeno génio espanhol é o remate, aspeto em que Óliver é verdadeiramente pobre.

Com Sérgio Oliveira,o FC Porto tem um meio campo mais robusto, mais combativo, com mais argumentos no jogo aéreo e com mais remate.

O médio português é dotado de um grande pontapé e qualidade nas bolas paradas, mas peca pela falta de criatividade no seu jogo. Sérgio remete-se sobretudo a passes curtos e simples, arriscando raramente passes a rasgar a defesa contrária. No entanto, tem um jogo posicional interessante, na medida em que tanto cola à defesa quando é necessário como aparece no meio dos avançados em movimentos verticais quando é preciso tirar vantagem no setor ofensivo para se poder finalizar.

O médio português, que juntamente com Herrera suprimiu com excelência a falta de Danilo no meio-campo azul e branco, apesar de mais robusto, usa muitas vezes o corpo para fazer muitas faltas, o que impossibilita a saída com bola.

Veredicto: Sérgio Conceição só tem de estar satisfeito. Tem dois médios que, apesar de possuírem caraterísticas diferentes, formas diferentes de atuar e ler o jogo, acrescentam grande qualidade ao meio-campo portista e são soluções viáveis para dinamizar o jogo da equipa da cidade invicta.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves