Tradicionalmente, a camisola oito azul e branca é uma das que mais responsabilidades atribui ao seu portador. Tais responsabilidades acrescidas devem-se ao vasto número de craques que utilizaram semelhante camisola, como é o caso de Rabah Madjer ou, mais recentemente, os casos de Lucho González e de João Moutinho.

Dito isto, ver o seu nome estampado logo acima do número oito é um privilégio para poucos (ou assim deveria ser); privilégio que estes dois homens, Brahimi e Nakajima, podem colocar nos seus respetivos currículos.

Após cinco temporadas de dragão ao peito e de oito às costas, o internacional argelino foi, indiscutivelmente, uma das maiores figuras do FC Porto e do campeonato nacional durante toda a sua estadia no país. Por entre dribles estonteantes e remates certeiros, desde assobios até às tradicionais vénias, facto é que o ex-Granada FC acabou por marcar uma era no Estádio do Dragão (apesar de todos concordarmos que foi uma das piores eras da história recente do FC Porto).

E pode ser neste aspeto em particular que o atleta nipónico, futuramente, leve vantagem sobre o “africano”: o facto de Brahimi, apesar da sua longa passagem pela Invicta, por um motivo ou por outro, não ter sido capaz de vencer um número significativo de títulos pelo clube.

Já Nakajima acaba por ser um amor antigo da maioria dos adeptos portistas, um jogador que sempre desejaram ver vestir de azul e branco. Um jogador que terá, possivelmente, uma maior paciência da massa adepta, assim como uma relação de grande afinidade com esta.

Tem, também, a oportunidade de superar Brahimi na questão dos títulos, mesmo que opte por uma passagem mais curta pelo Porto. Caso consiga tal façanha, caso consiga ser protagonista dessa tal façanha, Nakajima terá todos os pré-requisitos para tornar-se um dos maiores nomes do clube dos últimos anos, colocando-se até à frente do argelino.

Acho que tudo isso vai acontecer? Honestamente, não. A verdade é que não vejo assim com tanta certeza a hipótese do japonês verdadeiramente vingar no FC Porto. Teremos boas exibições de Nakajima? Com certeza. Teremos golos, teremos assistências? Certamente teremos. Agora, teremos tudo isto na quantidade necessária? Aqui é que fica o verdadeiro “X” da questão.

Shoya Nakajima foi o terceiro reforço de Sérgio Conceição, a troco de 12M€ por 50% do passe
Fonte: FC Porto

Num plantel até agora com algumas lacunas, estão depositadas muitas expetativas no extremo japonês. Se, inicialmente, haverá algum perdão e alguma paciência perante possíveis exibições menos boas, no fim do campeonato, se os Aliados não estiverem em festa, alguns dedos serão apontados às principais figuras do plantel, incluindo Shoya Nakajima.

À pergunta “Quem é melhor: Brahimi ou Nakajima?” existirão certamente respostas divergentes, muitas das vezes sustentadas em questões de gosto pessoal. Pessoalmente, preferiria a permanência de Brahimi à contratação de Nakajima e tenho algumas dúvidas relativamente à sua efetiva afirmação no FC Porto. Todavia, apenas o tempo determinará se Brahimi deixou a camisola oito em boas mãos.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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