No Frente a frente desta semana, e uma vez que se começam a conhecer as seleções apuradas para a CAN 2019 e que o FC Porto conta com vários jogadores na calha para estarem presentes na principal competição africana de seleções, decidi opor as qualidades e os desempenhos de dois dos mais exuberantes jogadores daquela região que passaram pelo FC Porto nos últimos anos. São ambos do norte de África, mais concretamente da zona do Magrebe. Falo, claro está, de Yacine Brahimi (argelino) e de Tarik Sektioui (marroquino).

Comecemos pelas sempre interessantes estatísticas:

Yacine Brahimi:
Jogos pelo FC Porto: 182
Golos marcados: 44
Média golos/jogo: 0,24
Títulos pelo FCP: 1 Campeonato e 1 Supertaça.

Tarik Sektioui:
Jogos pelo FC Porto: 57
Golos marcados: 12
Média golos/jogo: 0,21
Títulos pelo FCP: 3 Campeonatos, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça.

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Comecemos, então, pelo marroquino. Aquele golo ao Marselha. Decorriam os primeiros meses da época 2007/2008 quando o Marselha veio jogar ao Estádio do Dragão para uma partida referente a fase de grupos da Liga dos Campeões. O jogo terminou com uma vitória portista por 2-1. Poucos se lembrarão do excelente golo vitorioso marcado por Lisandro López já no último quarto de hora do jogo. Tudo porque à passagem do minuto 30 Tarik pegou na bola junto à linha do meio campo, deixou para trás três jogadores marselheses, fintou o guarda-redes contrário e apontou um golo de antologia. Foi o momento mais alto de Sektioui na sua passagem pelo FC Porto e, provavelmente, da sua carreira.

Depois de vários anos em bom plano na Holanda, Co Adriaanse solicitou a contratação deste jogador no verão de 2006. Pedido ao qual a SAD anuiu, mas o holandês nunca chegou a orientar Tarik ao serviço do FC Porto (fê-lo enquanto treinador do AZ Alkmar), depois das partes se terem desentendido ainda antes do começo da época. Foi, então, Jesualdo Ferreira o único treinador do jogador nas três épocas que passou na cidade invicta. Foram três anos de altos e baixos e na retina fica uma grande temporada de 2007/2008 quando formou um tridente de ataque frenético com o já mencionado Lisandro e Ricardo Quaresma. Tarik era muito veloz, dotado de boa técnica, bom cruzamento e finalização apurada. Por uma ou outra razão não chegou a patamares mais elevados mas deixou uma excelente impressão de dragão ao peito.

Sektioui deixou boas memórias nos adeptos portistas
Fonte: FC Porto

Passemos, agora, ao mago argelino. Yacine Brahimi chega ao FC Porto em 2014 pela mão de Julen Lopetegui. Um desconhecido para os menos atentos ao campeonato do país vizinho. Chegava ao FC Porto um jogador tecnicista e muito elogiado em Espanha e que acabara de realizar um Mundial 2014 muito interessante com a sua seleção. Nessa primeira temporada de azul e branco foi, curiosamente, colega de equipa de Ricardo Quaresma.

Jogando preferencialmente pela esquerda, o argelino é, quando comparado com Tarik, um menos explosivo mas mais perfumado. Apesar de muito talentosos, os jogadores diferem muito no que concerne ao estilo. Se Sektioui ia, não raras vezes, à linha cruzar, Brahimi dá primazia ao jogo interior, exigindo que a largura seja dada, de forma constante, pelo lateral. O que mais impressiona no camisola 8 dos dragões é a velocidade em condução e drible e a agilidade com que muda de direção. Apesar de períodos de nível superlativo, Brahimi tem pautado o seu desempenho no FC Porto por alguma inconsistência. Fez no último ano, sob o comando de Sérgio Conceição, a melhor temporada de Dragão ao peito e que culminou com o único título conquistado pelo argelino na sua carreira sénior (mais tarde viria a conquistar a Supertaça).