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Uma ideia de jogo no futebol pode ser vista como uma analogia com uma abertura num jogo de xadrez; quer isto dizer que é preciso saber colocar as peças em campo, praticar várias dinâmicas e possibilidades e, sobretudo, saber criar uma estrutura sólida que permita calmamente chegar ao objetivo final: vencer antes de o tempo acabar. Outro aspeto importante é saber admitir que, por vezes, talvez estejamos errados e, nesse caso, é preciso aprender a pensar em outra forma de jogar, abrir e desenvolver o jogo.

Mourinho disse há uns dias que não inventou o futebol e a verdade é que, salvo dinâmicas dentro da equipa, posicionamentos diferentes das peças do xadrez no futebol, pouco ou nada falta descobrir. Treinadores novos podem trazer novas ideias, podem inventar lances de bola parada que resultam uma, duas, mas já não resultam a terceira vez, dado que serão estudados por outros treinadores. A rotatividade tão badalada é discutida desde sempre e, de facto, quando um treinador tem um grande leque de jogadores de qualidade superior, teoricamente pode jogar com “quem lhe apetecer para aquele jogo”. Na prática isso não é possível!

Focando-me no caso do FC Porto, o sistema é novo para os jogadores e não existe um fator importante: o conhecimento entre os mesmos. Para haver rotatividade é necessário haver conhecimento de todas as partes e assim como os jogadores estão a conhecer-se e a adaptar-se a um sistema e treinador novos, estão, para além disso, também a conhecer os elementos do seu plantel. Tem sido muito dito também que Mourinho ganhou tudo no Porto nunca repetindo o mesmo 11; todavia, mudava um dos jogadores ou, no máximo, dois por jogo, por contraste do que tem sido feito atualmente – meia equipa por partida! Lopetegui parece ter um desconhecimento da realidade portuguesa e da Liga Portuguesa (e certamente não foi por falta de tempo para se preparar) e aparenta menosprezar a grandeza deste clube.

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Lopetegui a pensar o que fazer para vencer o jogo
Fonte: fcpnacaoportista.wordpress.com

Será questionável que do mesmo modo que muitos dos jogadores do plantel pensam no Porto como “uma rampa de lançamento” se passe o mesmo com o treinador? Será que enquanto treinador da Liga Espanhola, num encontro importante como foi Porto-Sporting (para além das picardias entre Pinto da Costa e Bruno de Carvalho), Lopetegui teria deixado teoricamente os melhores jogadores da equipa de fora? Certo é que neste momento a rotatividade parece ser um dogma! Mais do que isso, e tentando de algum modo compreender esta opção, a rotatividade pode para Lopetegui não ser de facto uma rotatividade! Poderá Lopetegui “resumir-se” a preparar de forma tão exaustiva os jogos e estudar os adversários, que a rotatividade não passe de jogarem os melhores de acordo com o jogo em questão e pensando inclusive nos necessários para o jogo seguinte? Essa opção de Lopetegui, num clube em que a massa adepta é pouco benevolente com as falhas, poderá originar um “xeque-mate.”

Um outro aspeto que marca este Porto é outro dogma do seu treinador. O início da transição e construção ofensiva é sempre feita pelos centrais! Maicon é um enorme defesa e isso não é posto em causa; porém, os seus pés podem comparar-se a “tijolos” (talvez a sua melhor característica seja o saber “bater na bola”). Marcano, que tem alternado entre trinco e central, tem pés que, se não forem “tijolos”, são “pedregulhos”. Martins Indi, de todos os centrais que têm jogado, talvez seja o único com algumas capacidades para ser o central que Lopetegui pretende nessa fase do jogo.

Para jogar no estilo de posse bola pretendida pelo treinador, a equipa tem forçosamente de jogar com as linhas juntas (defesa perto do meio campo e meio campo perto do ataque); o que vemos neste Porto é tudo menos isso! A equipa não joga como um todo, não é coesa e deixa sempre muitos buracos entre as linhas. Quando o central recebe a bola não vemos os médios a recuarem para buscar jogo! Será qualidade ofensiva (e falta de defensiva) a mais? Ou será falta de treino? Pontuar contra este Porto (para não dizer ganhar) é de fatco uma tarefa relativamente fácil! As equipas têm criado muitas dificuldades ao Porto, uma vez que fazendo uma pressão muito alta – pressionando os centrais e o médio mais defensivo – têm sido capazes de aumentar o marcador.

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Palestra de Lopetegui (possivelmente) a tentar explicar como quer colocar as peças em campo
Fonte: record.xl.pt

No último jogo da Taça de Portugal, houve alguns momentos em que se podiam ver quatro jogadores do Sporting a pressionar a primeira fase de construção do Porto; quando os médios interiores recuavam no terreno, os quatro do Sporting voltavam para trás (obviamente, porque iriam jogar ao meiinho…) será que isso quer dizer alguma coisa? Cabe a Lopetegui perceber o que está a falhar e corrigir rapidamente! Na Liga dos Campeões a qualificação está bem encaminhada (num grupo em que não é obrigação o apuramento, era proibitivo o não apuramento)! Todavia, internamente, as coisas não estão fáceis!

O Futebol não difere muito de um jogo de xadrez; só não é igual porque existe uma diferença crucial. No fim de um jogo de xadrez as peças voltam a ser arrumadas e os peões ficam ao lado do rei. No futebol um xeque-mate pode indicar a necessidade de um novo rei.

João Luís Martins
João Luís Martins
Sócio do FC Porto desde o dia em que nasceu, é apaixonado por desporto e treinador de futebol.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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