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Quando entrou em campo, em Barcelos, o FC Porto sabia já que os seus maiores rivais haviam vencido as respectivas partidas – e se o jogo diante do Gil Vicente era já importante, esse dado redobrou-lhe a relevância. Paulo Fonseca repetiu o onze que vencera o Paços de Ferreira (Abdoulaye parece ter ganhado o lugar a Maicon) e a aposta trouxe um FC Porto seguro de si e com boas sensações.

Num relvado (se assim lhe podemos chamar) em condições deploráveis, o Dragão entrou a todo o vapor. Nos primeiros dez minutos, o lado esquerdo do ataque azul e branco esteve em evidência e as oportunidades foram-se sucedendo: primeiro Jackson com um cabeceamento, depois Quaresma a emendar (mal) um cruzamento de Alex Sandro, a seguir Josué com um remate de fora da área e um denominador comum: Varela na criação. O ‘Drogba da Caparica’ catapultou a equipa para uma entrada em campo digna de quem estava decidida a impor-se ao seu adversário e a marcar, desde cedo, o ritmo do jogo. Foi, pois, com naturalidade que o golo do FC Porto chegou: aos 17’, através de um excelente lance de Herrera (tirou um adversário do caminho e fez um cruzamento primoroso, desde a direita) concluído pelo ‘Herói de Lviv’, ao segundo poste, de cabeça, numa antecipação ao defesa direito gilista.

Se era expectável uma reacção da equipa da casa, tal não aconteceu. Com uma defesa subida e a pressionar mais à frente do que o que tem sido hábito, o FC Porto manteve a toada, dominando o encontro e continuando a criar oportunidades de golo: servido pelo mexicano, Josué tentou, de novo, a meia distância, e, dois minutos volvidos (aos 23’), haveria de ser Danilo (lançado por Quaresma) a enviar uma bola ao poste da baliza de Adriano Fachinni.

Se a estratégia do Gil Vicente passava por defender o melhor possível e sair em transições rápidas, a verdade é que a equipa de João de Deus – exceptuando 2/3 lances de bola parada – apenas por uma vez conseguiu levar perigo à baliza portista – aproveitando uma desatenção de Alex Sandro, Brito surgiu isolado diante de Hélton, mas o guardião portista fez a ‘mancha’ e Abdoulaye completou o alívio (31’). Escaldado por este lance, o FC Porto recuou um pouco e as oportunidades de golo que até então tinham surgido rarearam até ao intervalo – na verdade, apenas Jackson teve hipótese de facturar, num excelente trabalho dentro da área mas concluído pessimamente (41’).

O apito de Paulo Baptista para o intervalo chegou com a certeza de uns primeiros 25/30 minutos muito interessantes do FC Porto, com inúmeras oportunidades de golo criadas (o sector esquerdo do ataque portista entrou muito agressivo no jogo) e com as prestações individuais de Varela e Herrera a merecerem destaque. Mais do que isso, o FC Porto – ao contrário da grande maioria dos momentos desta época – teve sempre o jogo controlado e quase sempre dominado.

A segunda parte arrancou com um Gil mais agressivo na luta pela posse de bola, a demonstrar vontade de entrar no jogo e com Hugo Vieira a dispor de uma oportunidade, fruto de uma má abordagem de Abdoulaye, para empatar o encontro. Todavia, haveria de emergir novamente Silvestre Varela: o extremo portista, servido por Herrera, poderia ter feito o 0-2, algo que acabaria por lograr no minuto seguinte (53’), após uma grande jogada individual, iniciada ainda no meio-campo defensivo. Nesse momento, supunha-se que o FC Porto saberia congelar o jogo e a vantagem obtida… Puro engano! A defesa azul e branca relaxou e, após um cruzamento desde o lado esquerdo, Hugo Vieira aproveitou para devolver o Gil ao jogo. 1-2 aos 55’.

Estranhamente – tendo em conta o passado mais recente –, o FC Porto não ficou abalado e continuou sempre no controlo das operações. A isto não será alheio o facto de o Gil não ter demonstrado capacidade para criar um jogo ofensivo minimamente apoiado e estruturado que pudesse pôr em perigo a vantagem alcançada pelos Dragões. Ainda que longe do fulgor da primeira meia hora, o Dragão soube ser equilibrado, não se expondo e, com frequência, chegando à baliza gilista. Na realidade, esteve sempre mais perto de surgir o 1-3 do que o 2-2 – aos 69’ por Varela, novamente; aos 77’ por Herrera; e aos 81’ por Licá (que havia substituído Quaresma).

O jogo manteve-se numa toada morna, ‘entretido’, sempre com o meio-campo do FC Porto a dominar as operações – com o relvado cada vez mais deteriorado, foi importante a combatividade de Fernando, o pulmão de Herrera e a consistência de Josué. Até ao fim, nota apenas para a (tradicional) entrada de Ghilas aos 87’, substituindo Varela, e para a estreia de Mikel Agu com a camisola da equipa principal portista, rendendo Josué.

Em suma, uma vitória segura do tri-Campeão nacional diante de um adversário que não soube perceber que o perigo poderia surgir do jogo exterior da equipa portista e que não demonstrou argumentos para ombrear com o conjunto de Paulo Fonseca. O FC Porto sai de Barcelos com três pontos e com a convicção de que a atitude e o empenho postos em campo desde o apito inicial foram fundamentais para o sucesso – a equipa mostrou maior compromisso e espírito de vitória, materializados num jogo colectivo mais ligado e organizado do que tem sido hábito, e com um Varela a emanar inspiração por todos os poros.

Varela
Silvestre Varela. O ‘Drogba da Caparica’ foi o homem-chave na noite de Barcelos
Fonte: Zerozero.pt

A Figura
Silvestre Varela – Se os dois golos que valem três pontos fossem insuficientes para merecer este destaque, então ter-se-ia de invocar mais qualquer coisa. E Varela fê-lo: entrou no jogo a todo o gás, à esquerda e à direita, combinando, servindo, desequilibrando sempre em favor do FC Porto. Numa palavra, o catalisador do FC Porto desta noite.

O Fora-de-jogo
Ricardo Quaresma – A exibição portista foi, no geral, agradável e competente. Sendo difícil destacar negativamente um elemento, a verdade é que o ‘Harry Potter’, hoje, não foi mágico: agarrando-se demasiado à bola (é impressionante o facto de raramente jogar ao primeiro toque), perdeu quase todos os lances individuais e poucas vezes decidiu bem e em prol da equipa.

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