A CRÓNICA: DEFESA DE PEDRA E CAL DEIXOU-SE CAIR PERANTE MEHDI TAREMI E SÉRGIO OLIVEIRA

Previa-se um jogo difícil e equilibrado no Estádio Cidade de Barcelos. Com o Gil Vicente FC a necessitar de vencer depois do empate frente ao Belenenses SAD, e o FC Porto a antever um jogo árduo para a Liga dos Campeões frente ao Liverpool, mas embalado pela goleada ao Moreirense FC, as emoções estavam ao rubro no Minho.

E estavam mesmo. Os comandados de Ricardo Soares entraram com tudo no encontro, com Murilo e alguma classe, que quase alcançaram o golo inaugural da partida logo nos primeiros segundos da partida. O que estava previsto parecia ser mesmo o que iria acontecer, com as duas equipas na luta.

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O futebol espetáculo também apareceu com o golo brilhante de Mehdi Taremi. O iraniano, praticamente, do meio-campo conseguiu rematar para a baliza de Frelih, concretizando uma obra de arte para inaugurar o marcador no Estádio Cidade de Barcelos.

O golo portista pareceu mesmo ser a injeção de moral necessária para potenciar as transições ofensivas. Aos 18 minutos, Frelih e Zé Carlos, mesmo em cima da linha de golo, “tiraram o pão da boca” dos dragões que pareciam na iminência de concretizar o segundo golo.

Poucos segundos depois, os gilistas reclamaram uma grande penalidade. O árbitro Artur Soares Dias confirmou a decisão com auxílio do vídeo-árbitro, após, alegadamente, ver a bola embater no braço esquerdo de Chancel Mbemba.

Samuel Lino foi chamado a converter e, mesmo depois de Diogo Costa se ter atirado para o lado certo, a defesa ficou incompleta e o avançado da turma de Barcelos concretizou o golo do empate na recarga.

Para além de assinalar a grande penalidade gilista, a única grande decisão tomada por Soares Dias durante a primeira parte foi a expulsão do técnico do Gil Vicente FC, alegadamente por palavras proferidas ao árbitro. Sem mais história por contar, o encontro chegou ao intervalo com o empate a uma bola no marcador.

A segunda parte prometia ainda mais espetáculo e mais equilíbrio entre ambas as formações. O FC Porto entrou a pressionar bastante ofensivamente, encostando o Gil Vicente FC atrás e a jogar no erro da comitiva portista.

As grandes ocasiões de golo criadas no início dos segundos 45 minutos advieram de cabeceamentos de Marcano e Matheus Uribe.

A esperança do golo da vantagem renasceu para os dragões após um tiro de Vitinha ainda fora de área, mas, na recarga, Mehdi Taremi inseriu a bola no fundo das redes e o lance acabou invalidade devido à posição irregular do iraniano.

As oportunidades de golo teimavam em não aparecer, com um jogo partido no meio-campo. Sérgio Conceição optou por fazer substituições algo estratégicas em prol de potenciar a ofensiva portista, mas a mota não arrancava.

Mas arrancou e de bola parada. Uma noite de golos bonitos vindos dos dragões. Depois da obra-prima de Mehdi Taremi na primeira parte, Sérgio Oliveira, na consequência de um livre à entrada da área, bateu a bola para “o sítio onde a coruja dorme”, a “gaveta” ou o canto superior direito da baliza de Frelih. Aos 90 minutos, estava consumado o segundo golo do FC Porto e o golo da vitória portista.

A FIGURA

FC Porto Gil Vicente FC
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Substituições do FC Porto – Dentro do possível de ser escolhido, também Lucas Cunha e Zé Carlos (defesas do Gil Vicente FC) poderiam ter sido os eleitos, mas as substituições elaboradas por Sérgio Conceição fizeram a equipa do FC Porto levar o jogo de vencida. Com o objetivo de potenciar o ataque e apesar de ter demorado a “fazer efeito”, as alterações efetuadas pelo técnico dos dragões fizeram mossa e cumpriram o objetivo traçado. Prova disso foi a entrada de João Mário, ajudando na ala, e a visão de jogo diferente que Sérgio Oliveira traz ao meio-campo.

O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Tecatito Corona – Sérgio Conceição fez Corona render João Mário como titular neste encontro frente ao Gil Vicente FC, mas o mexicano fez-se passar bastante despercebido. Conhecido pela sua técnica e capacidade ajudar nas construções ofensivas, Tecatito Corona esteve num “dia não” frente aos gilistas.

 

ANÁLISE TÁTICA – GIL VICENTE FC

Ricardo Soares moldou o seu onze inicial num 4-3-3 nos momentos ofensivos, mas moldável num 4-4-2 aquando das transições defensivas.

Os onze jogadores escolhidos na formação gilistas mantiveram-se praticamente os mesmos. Frelih voltou à guarda entre os postes, com Lucas e Rúben Fernandes na zona central da defesa. Talocha e Zé Carlos foram os homens das laterais.

No meio-campo, permaneceram Vítor Cavralho o miolo, com Pedrinho e Fujimoto pelas alas. O último setor do terreno foi ocupado por Samuel Lino e Murilo, no apoio a Fran Navarro.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Frelih (6)

Zé Carlos (6)

Lucas (7)

Fernandes (6)

Talocha (6)

Fujimoto (7)

Carvalho (6)

Pedrinho (7)

Murilo (6)

Fran Navarro (6)

Samuel Lino (7)

SUBS UTILIZADOS

Anthoine Leautey (6)

Matheus Bueno (6)

Elder Santana (6)

Hackman (6)

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Sérgio Conceição voltou a utilizar o 4-4-2 habitual e quase correspondeu ao ditado “em que equipa que ganha, não se mexe”, fazendo Tecatito Corona render a ausência de João Mário no onze titular.

Diogo Costa permaneceu na baliza e, na ausência de Pepe, Mbemba e Marcano assumiram a zona central da linha defensiva. Wendell voltou a ser escolhido para ingressar na equipa titular.

No meio do terreno, voltaram a alinhar os jovens Vitinha e Fábio Vieira junto de Matheus Uribe e Otávio. Luis Díaz permaneceu no apoio à profundidade e construção, com Mehdi Taremi a ser o ponta-de-lança dos dragões.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES 

Diogo Costa (6)

Tecatito Corona (5)

Chancel Mbemba (5)

Iván Marcano (6)

Wendell (6)

Matheus Uribe (7)

Vitinha (7)

Otávio (6)

Fábio Vieira (7)

Luis Díaz (7)

Mehdi Taremi (7)

SUBS UTILIZADOS

Sérgio Oliveira (6)

Toni Martínez (6)

João Mário (6)

Pêpê (6)

Francisco Conceição (6)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Gil Vicente FC

Não foi possível colocar questões ao técnico do Gil Vicente FC, Ricardo Soares.

FC Porto

BnR: Dado que optou por inserir Corona no onze titular ao invés de João Mário, o que o levou a tomar esta decisão? Foi por gestão ou apenas opção estratégica?

Sérgio Conceição: As opções que tomo são sempre prensadas em função daquilo que é a estratégia para o jogo, aquilo que é a nossa dinâmica e olhando para o adversário. Percebemos que o Samuel Lino trabalha mais como segundo avançado e, partindo da esquerda, sendo um jogador que ataca muito explorando as costas da linha defensiva, rápido e muito incisivo e vertical, achei que o Corona daria uma resposta adequada a esse ponto forte que o Gil [Vicente] tem. São opções que o treinador toma em função dos jogadores que tem à disposição e, hoje, achei que o Corona seria melhor para a posição de lateral direito.

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