amarazul

hu·mi·lha·ção

(humilhar + -ção)

substantivo feminino

1. Acto ou efeito de humilhar ou humilhar-se.

2. Vergonha; rebaixamento.

 

Dói-me a alma. Estava reticente em relação ao regresso à Taça de Portugal – por tudo o que significava e por todos os contextos em que se envolvia. Tinha algumas dúvidas e poucas certezas mas, no final, nada se assemelha ao que previ.

Diz a pesquisa feita no dicionário Priberam, em poucos segundos, que humilhação é um substantivo feminino e se resume ao ato de humilhar ou, vá lá, ser humilhado. Pois bem, este é um aspeto sobre o qual eu detesto falar mas que considero ser fundamental abordar.

Fui humilhado. Fomos humilhados. Não dentro do campo, pois só quem não joga nunca perde, mas à volta. Fomos humilhados naqueles cinquenta milhares de lugares azuis que compõem o tão mítico Estádio do Dragão. Fomos humilhados em casa, a nossa casa, e isso dói. Deixa-me triste e por isso mesmo o partilho.

Se há algo que não admito é ver o meu Futebol Clube do Porto ser humilhado em casa. Não o admito e, mais do que isso, não compreendo. Ultrapassa-me a forma como 4.000 adeptos visitantes conseguem tornar-se audíveis de forma a serem escutados ‘olés’ no Dragão. Ultrapassa-me como é possível a dada altura a minha equipa ser assobiada em casa enquanto os adversários são superiores aos nossos cinquenta mil nas bancadas.

É claro que não compreendo nem defendo metade do que se passou dentro do campo durante os noventa minutos de jogo. Seria ingénuo se fosse capaz de ignorar os erros defensivos que deram aos visitantes dois golos ou o penalty (mais um) falhado, que acabou por se revelar a verdadeira machadada do encontro. Mas esses são erros característicos do desporto profissional – não do Porto, é verdade, mas há dias assim… — e quando ‘abafados’ por finais como este perdem todo o significado que para mim teriam.

Uma vez mais, fomos humilhados em casa e é bom ter isso presente na consciência. Hoje, amanhã e nas próximas semanas. Até ao final da época, de modo a que não aconteça novamente. Somos o Futebol Clube do Porto. Nós vamos a casa dos outros jogar, vencer, cantar. Não o contrário, e se nas bancadas não se corrige, dentro do campo não mudará. Somos um todo, não um grupo de atletas separado de um conjunto de apoiantes. Só juntos somos mais fortes.

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