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Invictus

Bernardo Lobo Xavier · 4 min

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fc porto cabeçalhoFinda que está a primeira volta da Primeira Liga, importa fazer um primeiro balanço. É certo que resta ainda muito campeonato por disputar e que tudo está longe de estar decidido, no entanto, algumas conclusões e considerações podem ser feitas acerca do percurso do FC Porto de Sérgio Conceição nos primeiros 17 jogos de principal prova do nosso futebol.

Numa perspetiva mais “resultadista” podemos afirmar sem pejo que a primeira volta do FC Porto roçou a perfeição. Se tivermos em conta os 45 pontos conquistados (liderança isolada com 2 pontos de vantagem sobre o Sporting CP) em 51 possíveis e que 4 dos 6 pontos perdidos foram nos empates (com sabor a derrota diga-se) nos confrontos diretos com os rivais na luta pelo título, seria difícil pedir mais a uma equipa que não viu chegar qualquer reforço no mercado de Verão e que foi construída com o recurso a matéria prima que se encontrava espalhada um pouco por toda a Europa e que o FC Porto teve o condão de recuperar. Jogadores como Ricardo Pereira (Nice), Aboubakar (Besiktas), Diego Reyes (Espanhol) ou Marega (Vitória SC) estavam emprestados e são, hoje, figuras de proa do clube. Resta, portanto, o empate na Vila das Aves como resultado mais dececionante da temporada. O saldo fica-se, então, pelas 14 vitórias (das quais destacaria as deslocações aos sempre difíceis terrenos de SC Braga e Rio Ave) e os, já abordados, três empates.

Dragões têm tido razões de queixa das arbitragens Fonte: FC Porto
Dragões têm tido razões de queixa das arbitragens
Fonte: FC Porto

Recorrendo ao saldo de golos marcados (melhor ataque com 45 golos apontados) e sofridos (melhor defesa com nove golos concedidos), é possível perceber que o FC Porto tem sido a mais forte e mais acutilante equipa da Primeira Liga. As exibições têm sido autoritárias, como o comprova a superioridade evidenciada nos jogos frente a Sporting, em Alvalade, e Benfica, no Estádio do Dragão (pese embora os empates obtidos nessas partidas). Na minha opinião, este FC Porto tem vivido, essencialmente, de três grandes virtudes: a procura da profundidade (Aboubakar e, principalmente, Marega têm espalhado o pânico nas defesas contrárias), a bola parada ofensiva e, acima de tudo, a reação à perda de bola. A agressividade no pressing e uma rápida e inteligente ocupação dos espaços após a perda da posse de bola têm sido fundamentais para o sucesso do Porto e têm servido para maquilhar algumas dificuldades no ataque posicional e na construção de jogo a partir da defesa. As deficiências na construção de um meio campo composto por Danilo e Herrera (Óliver dá outro perfume neste capítulo do jogo) têm sido compensadas com altas percentagens no ganho de duelos físicos e de segundas bolas, o que permite ao FC Porto queimar linhas, recuperando a bola em zonas mais adiantadas do campo. Aqui, importa reconhecer o infinito mérito do treinador e elogiar a disponibilidade física e mental dos jogadores para colocarem em prática tão exigente plano de jogo.

Após a análise dos resultados e exibições do FC Porto, resta deixar algumas notas sobre as arbitragens e fazer alguns destaques individuais.

Os dragões têm sido, sem grande margem para dúvidas, o concorrente ao título mais fustigado pelas arbitragens. Se se pode dizer que poderá ter sido beneficiado na receção ao Belenenses (são reclamadas duas grandes penalidades contra o Porto), nos embates contra Benfica, Feirense e Desportivo das Aves as exibições das equipas de arbitragem (VAR incluído) foram prejudiciais para o clube e ganham até, no meu entender, contornos de escândalo. Outros jogos terão existido em que o clube foi prejudicado (como no passado Domingo frente ao Vitória SC) mas relevo estas três por terem sido as mais clamorosas.

Trio Africano tem sido abono de família do Dragão Fonte: FC Porto
Trio Africano tem sido abono de família do Dragão
Fonte: FC Porto

Quanto a destaques individuais e antes de salientar algum jogador perece-me fundamental relevar e realçar o trabalho e papel de Sérgio Conceição no excelente percurso que a equipa tem vindo a realizar em todas as provas. Depois, e sendo que já aqui destaquei Aboubakar e Marega, importa referir o nome de Brahimi (o melhor jogador a atuar em Portugal), Danilo (tem feito uma época em crescendo e tem sido o patrão e pulmão do meio campo do FC Porto), Alex Telles (marcador oficial de bolas paradas já leva 12 assistências para golo e tem sido essencial quer a atacar e a defender) e Marcano (tem sido o esteio do eixo central da defesa e tem lugar cativo no onze, sendo que o seu par vai variando entre Reyes e Felipe). Destaco estes, poderia destacar outros. O FC Porto tem valido por um coletivo coeso e muito forte que tem permitido que as individualidades sobressaiam.

Portanto, tem sido uma época em cheio no Reino do Dragão, contudo, e em jeito de conclusão, importa avisar colaboradores e adeptos do clube de que nada foi (ainda) conquistado e que é fundamental evitar embandeirar em arco agora. As grandes decisões aproximam-se e todos devem (e seguramente estarão) focados e dedicados em trazer para o museu do FC Porto os tão desejados títulos (nomeadamente o título de campeão nacional) que escapam há quatro anos.

 

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Bernardo Lobo Xavier

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