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Escrevi neste mesmo espaço, na semana passada, que o clássico no Estádio da Luz era uma autêntica “prova dos nove” para o FC Porto. Tudo porque acreditei que, entre a catarse emocional por Eusébio e os recentes êxitos na casa encarnada, tudo estava feito para que os portistas pudessem pela primeira vez esta temporada justificar o símbolo de campeão que envergam na camisola.

A inconstância exibicional da equipa, a que se juntaram demasiados equívocos no plantel, fez com que, nas diversas projecções que fiz com amigos, tenha antecipado o resultado que acabou por acontecer. Não, não é hábito prever o futuro, mas, lá no fundo, as pistas eram demasiado evidentes para não se perceber à partida o culpado do marasmo.

Se bem se recorda, aquando da derrota em Coimbra referi que Paulo Fonseca não era o único culpado desta situação e, portanto, o insulto barato ao treinador me parecia demasiado simplista e redutor para tamanho problema. Veio o mercado de Inverno, chegou Quaresma e até aquele primeiro treino do ano no Dragão parecia querer desenhar um futuro diferente, um ano mais condizente com o símbolo de campeão que a equipa enverga na camisola. Contudo, como facilmente pode concluir a partir do título que escolhi para este texto, até esse suspense disfarçado de esperança parece estar arredado da equipa, que nem sequer faz por merecê-lo. Por isso mesmo, a derrota na Luz foi apenas o desfecho previsível.

A falta de qualidade de alguns jogadores do plantel, alguns com lugar nos onze eleitos, bem como as limitações técnicas e tácticas de Paulo Fonseca nos jogos de maior exigência, fazem com que, em meia volta de campeonato, os portistas tenham perdido dois jogos e deixado 12 pontos, acabando num impensável terceiro lugar. Ainda faltam 15 jogos, e os 45 pontos ainda em disputa fazem com que nada esteja perdido. Como disse, esta distância pontual é a melhor coisa que por estes dias Paulo Fonseca tem. A conduzir uma equipa sem fio de jogo desde o início da temporada e a liderar um dos plantéis mais limitados dos últimos anos, os três pontos que o separam do topo do campeonato não são o pior capítulo desta história.

Se bem se lembra, há praticamente dois meses ia o FC Porto com cinco pontos de avanço, mesmo com este plantel. Até há bem pouco tempo, jogadores como Licá, Herrera e até Carlos Eduardo pareciam ser soluções de futuro. Até há dias, a equipa ainda estava, segundo o treinador, em todas as frentes, pelo que não havia muito por onde se lhe apontar o dedo. Até há pouco, o regresso de Quaresma parecia ser o toque que faltava para uma segunda volta em pleno.

Pena é que todas estas premissas e todo esse suspense disfarçado de esperança sejam apenas coisa de filmes… e vendo este Porto de Fonseca, já nem Hitchcock tinha lugar garantido.

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