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José Peseiro não teve uma vida propriamente fácil na sua carreira de 24 anos como treinador. Aos 55 quis agarrar uma oportunidade de ouro para provar o seu valor e relançar a sua carreira, ao assumir o comando técnico do FC Porto, assinando um contrato válido até junho de 2017 com mais um ano de opção. A dúvida que paira para os lados do Dragão é sobre se a SAD azul e branca vai continuar a contar com José Peseiro na próxima época ou se vai rescindir contrato com o treinador natural de Coruche, na tentativa de criar um projeto remodelado para o ataque ao título da próxima temporada.

Fui bastante crítico quando vi que as notícias oficializaram a contratação de José Peseiro para o comando técnico dos Dragões e, não querendo ser injusto, confesso que não estou arrependido. Admito que o FC Porto melhorou com a chegada de Peseiro tendo em conta o estilo de jogo que Lopetegui apresentava, e, acima de tudo, o treinador ribatejano mostrou-se mais humilde e mostrou o que é identidade de equipa nas conferências de imprensa e nos jogos. Também é um facto que Peseiro não teve tempo para mostrar o seu valor e não é com três meses de treino que consegue pôr a equipa a jogar à sua imagem. Depois destas constatações, que me parecem óbvias, porque é que continuo a achar que José Peseiro não deve continuar nos Dragões na próxima época?

A carreira de Peseiro, como já referi em cima, foi marcada por vários insucessos. Depois de ter levado o Nacional da Madeira à primeira liga e de ter dado nas vistas com o estilo de jogo invulgar que apresentava, o sucesso de Peseiro estagnou na ilha da Madeira. Em 2004, foi varrido do Real Madrid juntamente com Carlos Queiroz e um ano mais tarde, já em Lisboa, tornou-se uma das vítimas de chacota dos rivais do Sporting CP. Quando chegou a Alvalade, os adeptos leoninos depositavam grandes expectativas no seu recém-chegado treinador, uma vez que Peseiro tinha sido colega de “turma” de Mourinho e tinha tido sucesso quando teve oportunidade de treinar uma equipa como o CD Nacional. Apesar de ter brilhado na Taça UEFA, Peseiro conseguiu perder o ambicionado troféu europeu em casa contra o CSKA Moscovo, um ano depois de o FC Porto ter ganho a Liga dos Campeões com José Mourinho. Como se não bastasse, entregou o campeonato ao SL Benfica na mesma semana ao perder no Estádio da Luz e, para piorar, perdeu logo a seguir em casa contra o clube que o lançou para a ribalta do futebol português, o CD Nacional, entregando o segundo lugar e o apuramento direto para a liga dos campeões ao FC Porto.

Ainda assim, Peseiro conseguiu aguentar-se no Sporting CP, fruto da época europeia que os leões fizeram. Mas em Outubro de 2005, face ao lugar em que o Sporting CP se situava no campeonato (7.º) e face à eliminação precoce da Taça UEFA, apresentou a sua demissão do clube leonino sem ganhar nenhum troféu ao serviço dos Leões. Seguiram-se passagens sem títulos no Panathinaikus AC e no FC Rapid Bucuresti e ainda uma aventura não muito bem sucedida na Arábia Saudita, uma vez que, apesar de ter levado a selecção do Médio Oriente aos lugares de playoff para o Mundial 2010, não conseguiu levar de vencida a eliminatória frente ao Bairém.

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José Peseiro mostrou-se otimista quando chegou ao Dragão Fonte: FC Porto
José Peseiro mostrou-se otimista quando chegou ao Dragão
Fonte: FC Porto

Foi já no seu regresso a Portugal, ao comando do SC Braga, que Peseiro ganhou o seu primeiro título de relevo contra o FC Porto: a Taça da Liga. Mesmo com esse troféu ganho, Peseiro não conseguiu aguentar-se nos minhotos por muito tempo face à insatisfação dos adeptos devido ao 4.º lugar, uma vez que o FC Paços Ferreira terminara a época em 3.º. Seguiu-se uma aventura curta no Al-Ahly até que surgiu a oportunidade da carreira de José Peseiro: o FC Porto. Na equipa azul e branca, Peseiro ainda tem a oportunidade de ganhar o maior título da sua longa carreira: a Taça de Portugal.

Com este currículo pouco invejado, não acredito que Peseiro, apesar de conseguir apresentar bom futebol, seja a pessoa certa para levar os Dragões a voltar a acreditar em bons desempenhos europeus e na conquista sucessiva de títulos a nível nacional. Existem treinadores portugueses de topo com maior currículo, e estão disponíveis para agarrar uma oportunidade ao serviço da equipa da Invicta. Falo de André Villas-Boas, que, na minha opinião, se ofereceu ao FC Porto no final do jogo que ditou a eliminação do FC Zenit da Liga dos Campeões frente ao SL Benfica. Marco Silva e Leonardo Jardim também me parecem nomes mais credíveis do que Peseiro e bem capazes de levar a equipa do FC Porto para o patamar de máxima exigência a que os portistas estão habituados.

Resta saber se a SAD estará disposta a arriscar mais uma época num treinador perseguido pelo insucesso ou se quer apostar num outro nome mais credível, de forma a relançar o sucesso do clube nortenho.

Foto de Capa: FC Porto