fc porto cabeçalho

Não se pode dizer que os portistas o adoram, mas a verdade é que já se habituaram a ele; José Sá é o dono da baliza do FC Porto há já alguns meses, substituindo Iker Casillas, sem que alguma vez tivesse sido devidamente explicada a razão que se encontra na base dessa opção. Sérgio Conceição, o aparente mentor da ideia, justificou a mudança como sendo uma “opção técnica”. Na altura, depois do jogo frente ao RB Leipzig, muitos afirmaram que a opção por José Sá se relacionava com o facto de o FC Porto, ao jogar com o bloco alto frente aos alemães, ter no português um guarda-redes com maior capacidade para controlar a profundidade. Porém, a verdade é que este não mais saiu da equipa.

Casillas impressiona entre os postes, mas tem limitações no jogo aéreo Fonte: Facebook de Iker Casillas
Casillas impressiona entre os postes, mas tem limitações no jogo aéreo
Fonte: Facebook de Iker Casillas

Vamos por partes: Iker Casillas não é e, provavelmente, nunca foi um dos melhores guarda-redes do mundo (entenda-se, top-3 mundial). O espanhol é extraordinário entre os postes, destacando-se sobretudo pelos seus reflexos, qualidade essa que parece manter-se praticamente intacta (veja-se a defesa realizada na época passada, em pleno Estádio do Dragão, próximo do final do jogo frente ao Sporting CP). Porém, não é um guarda-redes moderno, como por exemplo Neuer, alguém com muita qualidade no controlo da profundidade e jogo de pés. Apesar disso, o “calcanhar de Aquiles” de Casillas está mesmo no jogo aéreo no qual sente (e sempre sentiu) muitas dificuldades que, contudo, vai sabendo disfarçar por via dos poucos riscos que corre em lances do género.

Por outro lado, José Sá tem também na agilidade e qualidade entre os postes as suas principais caraterísticas (ainda que não esteja, neste domínio, ao nível de Casillas). É melhor do que o espanhol no controlo da profundidade e no jogo aéreo, mas em nenhum destes aspetos se pode dizer que seja um “fora de série”. Na verdade, José Sá é isso mesmo: um guarda-redes equilibrado nas suas caraterísticas, que não tem pontos fracos significativos mas também não é brilhante em qualquer das suas competências.

Atendendo ao momento atual parece claro que Casillas está ainda a um nível superior ao de José Sá, mas que a aposta no português se dá numa lógica de evolução do mesmo e preparação do futuro. Porém, e apesar de muitos dizerem que veem em Sá o futuro da seleção nacional, ficam algumas dúvidas a esse nível. Por um lado existe Anthony Lopes, apenas dois anos mais velho do que José Sá, guarda-redes não muito valorizado em Portugal mas com desempenhos consistentes e de grande nível na Liga Francesa ao serviço do Olympique Lyonnais; por outro lado existe Diogo Costa, um jovem de 18 anos que integra o plantel do FC Porto e a quem muitos vislumbram como um futuro Vítor Baía, um jogador que pode vir a marcar uma Era no futebol português. Para além disso José Sá parece não ter um potencial de melhoria significativo: é eficaz, raramente compromete, mas habitualmente não deslumbra (um pouco à imagem do que sucede com Rui Patrício).

Diogo Costa é visto por muitos como o sucessor de Rui Patrício na seleção nacional Fonte: FC Porto
Diogo Costa é visto por muitos como o sucessor de Rui Patrício na seleção nacional
Fonte: FC Porto

Somados todos estes ingredientes, a conclusão a que se chega é que a opção de Sérgio Conceição, pese embora o risco da mesma, tem até agora parecido acertada: José Sá não tem comprometido na baliza e, enquanto assim for, todos os minutos de jogo realizados pelo mesmo são tempo ganho na preparação do futuro da guarda da baliza azul e branca. Por outro lado, o futuro parece morar mesmo ali ao lado, e Diogo Costa tem um potencial de progressão infinitamente superior ao de José Sá. Na baliza da seleção nacional, Patrício, com apenas 29 anos, ainda está para durar pelo que a existir um sucessor para o mesmo este parece ser mais jovem e menos ruivo: Diogo Costa.

Foto de Capa: Facebook de José Sá

Artigo revisto revisto por: Jorge Neves

Comentários