A CRÓNICA: VITÓRIA DOS DRAGÕES NA ELIMINATÓRIA EM JOGO DE LOUCOS 

Depois de uma primeira mão de imensa qualidade por parte do FC Porto, no encontro contra a Juventus FC, os Dragões fizeram a viagem até Turim para tentar alcançar a passagem para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Os azuis e brancos partiram com uma vantagem de dois golos a um, sendo que o golo fora marcado pela vecchia signora na fase final da partida no Dragão deu esperança aos italianos de conseguir dar a reviravolta.

O FC Porto começou este encontro da mesma forma que na primeira mão. Sabendo que teria, muito provavelmente, que marcar pelo menos um golo na partida, os portistas não esperaram que fosse a “Juve” a ganhar embalo na partida, e pressionaram desde muito cedo os italianos.

E essa vontade do FC Porto de disputar e atacar esta partida resultou nuns primeiros minutos muito animados. Aos 2′, Uribe aproveitou um bola perdida à entrada da área, e rematou com força ligeiramente ao lado. Pouco mais de um minuto depois, um grande cruzamento de Cuadrado encontra Morata isolado na área. O espanhol conseguiu um bom contacto com a bola, mas Marchesín travou o golo da Juventus FC com um defesa estupenda.

Aos 6′, Zaidu parte numa investida individual pela esquerda, passa por Juan Cuadrado com alguma sorte, e cruza para Taremi dentro da área. O iraniano remata de primeira, mas o remate que ia com selo de golo é travado por Bonucci. Na recarga, o avançado cabeceia de forma algo bombeada, e acerta na barra da baliza de Szczesny.

Anúncio Publicitário

O jogo acalmou, com as duas equipas a estabilizarem nos seus sistemas. Ainda assim, o FC Porto, e apesar de ter menos bola, mostrava sempre ser perigoso quando partia para o ataque. E aos 17′, depois de uma boa saída de bola, sempre com a bola controlada, a partir da defesa, Marega faz o passe para Taremi dentro da área, e Demiral, com uma abordagem demasiado agressiva, derruba o iraniano. Não houve grandes dúvidas, e o árbitro apontou para a marca de grande penalidade. Sérgio Oliveira assumiu as despesas, e não desperdiçou a oportunidade de dar a vantagem aos Dragões. O tão importante golo fora estava agora alcançado, forçando a Juventus FC a marcar dois golos para conseguir chegar sequer ao prolongamento.

Os azuis e brancos continuaram muito bem na partida, com grande disciplina defensiva e rapidez e critério nos ataques. Marchesín voltou a brilhar aos 27′, quando, depois de uma rara má abordagem de Manafá, Morata remata já muito perto da baliza portista. O guardião mexicano fez uma mancha perfeita e rápida, e não deixou que o espanhol empatasse a partida. Estava finalizada a primeira metade, com uma vantagem dos Dragões, que mantinham a mesma imagem de qualidade e coragem que tinham deixado na primeira mão.

Os Dragões tinham saído melhor nas anteriores três metades da eliminatória, mas a Juventus conseguiu inverter a situação na última. Com algum espaço para trabalhar, Bonucci encontra uma desmarcação de Cristiano Ronaldo entre Manafá e Mbemba. O português não conseguiu receber e virar-se para a baliza, mas deixou em Chiesa que partia de trás. O jovem extremo conseguiu um grande remate em jeito para o canto superior direito, não deixando qualquer hipótese para Marche. Estava relançada a eliminatória aos 49′.

No seguimento do golo dos italianos, o FC Porto não recuou, mas sim retomou a pressão ainda mais elevada no terreno. Contudo, aos 54′ surge um golpe muito duro. Taremi, que já tinha recebido um cartão amarelo na primeira parte, remata de forma, no mínimo, negligente para longe já depois do apito de Bjorn Kuipers. O holandês não teve grandes dúvidas, mais uma vez, e mostrou o segundo amarelo ao avançado iraniano.

Pouco depois, Chiesa ganha o duelo com Manafá para se isolar frente a Marchesín, consegue passar pelo mexicano devido à velocidade que trazia, e é apenas travado por Pepe que, de forma quase heróica, consegue pôr-se lado a lado com o italiano, não deixando que este conseguisse diferir um remate para a baliza aberta.

Sérgio Conceição ainda tentou reforçar o setor defensivo com Malang Sarr, mas de pouco serviu. Aos 63′, Juan Cuadrado faz mais um cruzamento irrepreensível, desta vez para a cabeça de Chiesa, o destaque da segunda metade, que conseguiu cabecear para o fundo da baliza. Marchesín ainda conseguiu um toque de leve na bola, mas era virtualmente impossível desviar o esférico para longe das redes.

Aos 74′, depois de um bom passe de rotura de Uribe, Marega tinha tudo para receber dentro da grande área e ficar no um para um com o guardião oposto, mas o primeiro toque desiludiu, e a oportunidade perdeu-se. Aos 82′, Federico Chiesa, como não poderia deixar de ser nesta segunda metade, criou novos problemas a Marche, que foi obrigado a mais uma grande defesa.

Luis Díaz ainda veio tentar trazer alguma dinâmica ao ataque portista, e aos 85′ conseguiu criar algum perigo. Uma jogada individual que deixou a bola em Marega, que ainda conseguiu virar-se bem na direção da baliza, mas o remate bate na rede lateral da baliza.

Também com uma grande exibição, Cuadrado esteve muito perto de decidir a eliminatória com um remate fantástico, que apenas não acabou com um golaço pois embateu com força na barra da baliza defendida por Marchesín. A Juventus FC ainda forçou nos últimos minutos, mas o jogo acabou mesmo por ir ao prolongamento.

O jogo ficou algo confuso, com os jogadores muito cansados e toda a gente, incluindo os bancos, num estado muito nervoso. Mas no meio de tanta emoção, é Tecatito Corona que, aos 98′, consegue um dos pormenores mais brilhantes da noite, com um toque que em palavras até é difícil de descrever para livrar-se do adversário e cruzar para a pequena área no seguimento de um canto. Marega consegue saltar mais alto, mas cabeceia com pouca força para as mãos de Szczesny.

Aos 115′, Sérgio Oliveira, num livre ganho por ele mesmo, faz o golo mais importante da sua carreira. Ainda a uma distância considerável, marca a falta por baixo da barreira, e pelo meio das pernas de Ronaldo, com imensa força e consegue surpreender tudo e todos, incluindo Szczesny. O fantástico remate só acabou no fundo das redes.

Mas este jogo já de loucos não quis abrandar nas emoções, e poucos minutos depois Rabiot volta a colocar a Juventus FC na frente do encontro, e apenas a um golo da reviravolta. Um cabeceamento muito forte e colocado no seguimento dum canto, que não deixou hipóteses a Marchesín.

O encontro continuou com impróprio para cardíacos, mas mais nenhuma bola conseguiu entrar na baliza de qualquer uma das equipas. O FC Porto elimina a Juventus FC numa das noites mais históricas da sua história recente num jogo que manteve toda a gente colada ao ecrã até ao último segundo.

A FIGURA

Top peças fundamentais no clássico
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Sérgio Oliveira – ao longo do jogo outros jogadores fizeram exibições de maior qualidade que aquela do internacional português – Chiesa e Cuadrado para a Juventus, e Marchesín e Pepe para os Dragões, com, provavelmente, as suas melhores exibições de Dragão ao peito. Mas foi precisamente o autêntico golaço de Sérgio Oliveira, que já havia concretizado a grande penalidade na primeira metade, que acabou por colocar os azuis e brancos nos quartos-de-finais da Liga da Campeões, num encontro de loucos que não foi próprio para cardíacos.

O FORA DE JOGO

Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Mehdi Taremi – até não fez uma má primeira parte, não teve muitas oportunidades mas quase que marcava na mais flagrante. Contudo, borrou por completo a pintura com uma decisão quase infantil e certamente irresponsável, quando pontapeou a bola para longe depois do apito do árbitro. Já tinha recebido um amarelo na primeira parte por uma falta desnecessária, e Bjorn Kuipers não lhe perdoou o segundo e consequente vermelho. O FC Porto acabou por conseguir passar, mas Taremi acabou por dificultar e muito a partida para os Dragões.

 

ANÁLISE TÁTICA – JUVENTUS FC

Andrea Pirlo colocou a sua equipa em campo no habitual 4-4-2. Morata fez dupla com Cristiano Ronaldo na frente, em vez de Kulusevski. Alinhou também com um meio campo e defesa assimétricos no processo ofensivo – Aaron Ramsey partia da direita para o meio, deixando o flanco todo para Cuadrado, enquanto que Federico Chiesa ficava mais junto à linha na esquerda, com Alex Sandro mais recuado.

Arthur era mais vezes o médio mais recuado na construção de jogo, e foi importante para conseguir manter a bola sob controlo. O brasileiro tem uma capacidade de resistir à pressão adversária muito acima da média, e foi um upgrade grande em relação a Bentancur na primeira mão. Nesse jogo, os italianos sofreram bastante com a linha alta e pressionante dos Dragões.

A assimetria no sistema dos italianos foi ainda mais notória na segunda metade, com as infiltrações de Chiesa pelo flanco esquerdo, sobrecarregando o lado direito da defesa portista com a presença de Morata ou Ronaldo, enquanto que Ramsey juntava-se mais ao miolo para servir como terceiro médio.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Wojciech Szczesny (6)

Juan Cuadrado (8)

Merih Demiral (4)

Leonardo Bonucci (6)

Alex Sandro (5)

Aaron Ramsey (5)

Adrien Rabiot (5)

Arthur (7)

Federico Chiesa (8)

Álvaro Morata (5)

Cristiano Ronaldo (5)

SUPLENTES UTILIZADOS

Matthijs de Ligt (5)

Weston McKennie (5)

Dejan Kulusevski (5)

Federico Bernardeschi (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Na antevisão da partida, haviam várias dúvidas acerca do sistema tática que Sérgio Conceição iria levar a jogo em Turim. Ou mantinha o 4-4-2 habitual, ou adotava um sistema de três centrais, ou em 5-4-1 (ou 3-4-3) ou 5-3-2/3-5-2.

O técnico português decidiu que não queria escolher ou uma opção ou outra, e entrou no encontro com um sistema misto. A atacar, a sua equipa alinhava com o seu confiado 4-4-2, com Marega ao lado de Taremi, Corona na direita e Otávio na esquerda. Este sistema mantinha-se na primeira fase de pressão, mas quando a Juventus conseguia quebrar a primeira linha da defesa portista, Manafá juntava-se a Mbemba e Pepe, Corona descaía para ala-direito, e Marega fechava na posição de extremo-direito, formando então um 5-4-1.

Com esta nuance no sistema adotado, o FC Porto conseguia alterar o seu sistema de pressão de forma relativamente rápida. Quando queria pressionar alto a primeira fase de construção da vecchia signora, mantinha os dois avançados na frente, de forma a conseguir condicionar melhor os defesas e médios italianos. Mas quando preferia adotar uma postura mais conservadora, baixava para o 5-4-1, resguardando-se mais da velocidade e ataque à profundidade por parte dos atacante da Juventus FC.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (8)

Wilson Manafá (6)

Chancel Mbemba (6)

Pepe (8)

Zaidu Sanusi (6)

Sérgio Oliveira (8)

Uribe (6)

Jesús Corona (7)

Otávio (6)

Mehdi Taremi (3)

Marega (6)

SUPLENTES UTILIZADOS

Malang Sarr (5)

Luis Díaz (6)

Marko Grujic (5)

Toni Martínez (-)

Diogo Leite (-)