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A CRÓNICA:PÓLVORA SECA

Anfield Road, uma vez mais com uma moldura humana imponente e entusiasmada, recebia o FC Porto na 5.ª e penúltima jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões.

O Liverpool, já apurado e com o primeiro lugar no bolso, jogava sem pressão e fazia descansar alguns dos habituais titulares. Van Dijk, Robertson, Alexander Arnold, Jota ou Firmino foram alguns dos jogadores a ficar de fora do onze inicial.

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Já os azuis e brancos, com o destino por decidir, apresentavam-se na máxima força e na esperança de conseguirem fazer o que nunca fora feito: ganhar em Inglaterra.

O FC Porto fez uma primeira parte francamente positiva, no entanto, como invariavelmente acontece nas provas UEFA, mostrou-se perdulário.

Os primeiros 25 minutos foram de domínio territorial evidente (a espaços, sufocante), sendo que foi ao minuto 12 que Otávio falhou a mais clamorosa oportunidade do jogo. Depois de uma recuperação a meio campo, Taremi isolou Luís Díaz, que à saída de Alisson tocou para o luso-brasileiro que, importunado por Konaté não conseguiu acertar na baliza deserta. Aos 25 minutos, o jogo muda ligeiramente de figura.

Pepe, que estava em dúvida para o jogo, teve que ser substituído por lesão (volta a ficar mal na fotografia a equipa técnica e o departamento médico) e deu lugar a Fábio Cardoso. Dá-se aí, uma fase de maior desconcentração da equipa portista e o Liverpool aproveitou para criar um par de jogadas perigosas junto à baliza defendida por Diogo Costa.

Uma dessas jogadas, à passagem do minuto 38, e depois de Otávio voltar a perder uma boa oportunidade (rematou por cima, na ressaca de um cruzamento vindo da esquerda), terminou mesmo num golo anulado por fora-de-jogo milimétrico de Sadio Mané.

Nos últimos minutos da primeira parte, o FC Porto voltou a assumir as rédeas do encontro e, mesmo em cima do intervalo, ainda conseguiu desperdiçar mais uma ocasião flagrante de golo. A passe de Otávio, Taremi, isolado, apenas com Alisson pela frente, e sem levantar a cabeça, opta por passar ao lado e a defensiva dos ingleses, mais sagaz, corta para canto.

Nas imagens, o iraniano parece dizer a Sérgio Conceição (visivelmente agastado) que ouviu o chamamento de um colega que pensou que estaria em melhores condições para visar a baliza. E assim sendo, as equipas seguiram para a cabine com o jogo empatado.

A segunda parte arranca como acabara a primeira. O FC Porto voltou a aparecer personalizado, mas continuava a pecar na finalização. Taremi, aos 47 minutos, e Uribe, dois minutos depois, perderam duas ocasiões soberanas.

E como quem não marca sofre (lá diz o “ditado”), o Liverpool adiantou-se no marcador sem que muito tenha feito para o atingir. Canto à direita do ataque inglês batido para a área, a defensiva portista alivia e na ressaca, bem fora da grande área, Thiago Alcântara assina um golo de grande brilhantismo. Estávamos com 52 minutos no cronómetro.

Não se pode dizer que os dragões tenham reagido mal ao golo dos reds. Nos minutos seguintes procuraram carregar sobre o adversário e voltaram a estar perto do golo.

À passagem do minuto 60, depois de um roubo de bola em zona subida, Otávio, com Evanilson ao seu lado para empurrar para o golo, voltou a pecar na decisão, desta vez no passe, e a oportunidade perdeu-se. E foi o canto do cisne. A partir daí a equipa perdeu-se e não mais se encontrou.

O Liverpool tomou conta da bola e foi empurrando tranquilamente os portistas para o seu reduto. Défice físico e quebra anímica poderão ajudar a explicar o sucedido. A última meia hora de jogo jogou-se, então, segundo as leis inglesas que foram acumulando alguns lances de perigo.

Num deles, aos 70 minutos Salah, numa brilhante jogada individual, fechou o resultado. Diogo Costa era batido pela segunda vez e o FC Porto ia, definitivamente, ao tapete.

Pelas incidências do jogo, fica um sabor amargo. Ainda que tenha ficado a ideia clara de que o domínio que o FC Porto foi tendo durante grande parte do jogo era consentido pelos comandados de Klopp, a equipa voltou a ser muito pouco eficaz e ficou a dever a si própria um melhor resultado.

Esta derrota, aliada à vitória do AC Milan em Madrid, adia tudo para a última jornada. O FC Porto mantém o segundo lugar do grupo, mas o empate na última jornada pode, até nem servir. Com a reentrada dos italianos na luta pelos oitavos-de-final, o FC Porto vê-se forçado vencer a última partida do grupo.

Uma última nota negativa sobre o jogo (talvez a mais negativa), Uribe viu amarelo e falhará o jogo das decisões no próximo dia sete, no Estádio do Dragão.

 

A FIGURA
Kjaer
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Luis Díaz e Uribe – A escolha da(s) figura(s) do jogo não foi, de todo, fácil.

Não estou certo de que os dois colombianos tenham sido os melhores jogadores em campo, ainda assim, cabe-me destaca-los porque voltaram a mostrar que são, quiçá, os dois jogadores mais importantes da equipa.

Luis Díaz continua a ser o único jogador verdadeiramente desequilibrador do ataque portista e é, por esta altura, um dos jogadores mais entusiasmantes da Europa. No jogo de Anfield voltou a demonstrá-lo.

Foram várias as arrancadas estonteantes que deixaram a defesa do Liverpool em água, faltando-lhe, apenas, alguma frescura física que ajudasse a uma melhor tomada de decisão.

Já Uribe, dificilmente aparecerá nos resumos que as televisões vão passar do jogo. No entanto, os mais atentos reconhecerão que o médio colombiano é o jogador que mantém o equilíbrio da equipa nos diferentes momentos de jogo.

É impressionante a capacidade que tem nos duelos e a quase perfeita leitura que faz dos lances. Tanto no timing de desarme e antecipação, como na ocupação dos espaços, raramente comete erros.

O FORA DE JOGO
Taremi
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Eficácia (ou falta dela) portista – Começa a ser preocupante a incapacidade dos jogadores do FC Porto na tomada de decisão no último terço do campo quando o palco é de Liga dos Campeões.

Se recuarmos à jornada inaugural, em Madrid, ou aos dois jogos com o AC Milan, percebemos que a equipa tem sido demasiado perdulária. O jogo em Liverpool não foi exceção. E em competições desta dimensão, paga-se caro.

Julgo que o trabalho a fazer será, essencialmente, psicológico e é urgente que seja feito. O bicho papão da Liga dos Campeões tem penalizado os jogadores na hora de rematar à baliza e estão a retirar a chave de ouro a uma meritória campanha na mais importante competição de clubes do mundo.

ANÁLISE TÁTICA – LIVERPOOL FC

O Liverpool FC, apesar de ser ter apresentado no seu habitual 1x4x3x3, apresentou algumas dinâmicas diferentes do habitual.

Com alguns dos seus principais jogadores de fora, nomeadamente na defesa e meio-campo, Klopp optou por alargar os extremos Mané e Salah e os médios, que não raras vezes aparecem sobre a linha para forçar os movimentos interiores dos avançados, desta vez, foram “apenas” isso, médios.

No ataque, Minamino alinhou no lugar de Firmino (ou Jota) e procurou replicar os movimentos destes. Sem bola surgiu em cunha na frente do ataque, com ela, baixava para tentar potenciar as diagonais interiores dos extremos africanos. Não foi tão efetivo como o são habitualmente os titulares, também porque, como já referido, Salah e Mane, salvo algumas exceções, jogaram mais em largura.

Foi um Liverpool que levou do jogo o que queria. Fez descansar algumas das suas estrelas, nunca deixou que o ritmo de jogo subisse e manteve o registo 100% vitorioso na edição 2021/2022 da Liga dos Campeões.

Na perspetiva portista, seria bom que assim se mantivesse.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Alisson (6)

Neco Williams (5)

Ibrahima Konaté (5)

Joel Matip (6)

Kostas Tsimikas (6)

Thiago (7)

Tyler Morton (6)

Oxlade-Chamberlain (6)

Mohamed Salah (7)

Sadio Mané (6)

Takumi Minamino (6)

SUBS UTILIZADOS

Jordan Henderson (6)

Andy Robertson (6)

Fabinho (5)

Divock Origi (5)

James Milner (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Sérgio Conceição voltou a utilizar a fórmula europeia que tão bom resultado deu nos dois jogos com o AC Milan. Entrou no habitual 1x4x4x2, com os jogadores em quem mais confia nestas andanças.

Otávio voltou a funcionar como elemento híbrido na meia direita, combinando a faixa com o meio e Luis Díaz abriu o campo à esquerda. Uribe foi a âncora e Sérgio Oliveira foi tentando, ao seu lado, sair mais para o jogo.

Taremi e Evanilson mantêm-se como a aposta de eleição na frente de ataque, com o iraniano a baixar para procurar o jogo mais associativo e o brasileiro a buscar, incessantemente, movimento de ataque à profundidade.

Na defesa, a velocidade de Zaidu foi outra vez aposta (tal como com João Mário na direita). Apesar de ter voltado a demonstrar dificuldades tremendas a nível técnico, a verdade é que o nigeriano rivalizou com Salah no sprint.

Nos primeiros 60 minutos, o FC Porto foi sendo, quase sempre, capaz de pressionar eficazmente os defesas e médios do Liverpool e, não fosse a já a já abordada incapacidade na finalização, poderia ter retirado dividendos dessa pressão.

Sem grande capacidade para deslumbrar em ataque continuado, a equipa vai dependendo dessa capacidade de pressão e dos movimentos verticais dos avançados para ferir os adversários.

Quando começam a faltar pernas, a equipa ressente-se e voltou a passar-se isso mesmo nesta partida. Sérgio Conceição foi tentando introduzir frescura e nuances (tentou, a certa altura, um 1x4x2x3x1), mas sem efeitos práticos.

Vitinha, Francisco Conceição, Grujic e Toni Martínez foram chamados a jogo num período de declíneo da equipa, mas não foram capazes de reverter o marasmo que foram os últimos 30 minutos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (5)

João Mário (6)

Chancel Mbemba (5)

Pepe (5)

Zaidu (5)

Uribe (6)

Sérgio Oliveira (5)

Otávio (6)

Luís Díaz (7)

Evanilson (6)

Mhedi Taremi (5)

SUBS UTILIZADOS

Fábio Cardoso (5)

Vitinha (4)

Francisco Conceição (4)

Grujic (4)

Toni Martínez (4)

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