fc porto cabeçalho Quando no início da época foi anunciada a contratação de Sérgio Conceição para orientar os “Dragões” a minha reação não foi propriamente de grande entusiasmo. Particularmente, sou admirador de treinadores mais racionais e menos emocionais. É evidente que a competência é sempre o critério de avaliação mais importante, mas os treinadores muito emocionais, aqueles que gerem o grupo de uma forma muito intensa, são sempre uma aposta mais arriscada e, na minha opinião, o FC Porto precisava e precisa de estabilidade. Por isso achei que Sérgio Conceição não seria a escolha mais acertada.

Feita esta introdução e passados alguns meses desde o início da época, a minha avaliação do trabalho realizado pelo técnico dos azuis e brancos é extremamente positiva. Ao nível da comunicação tem sido exemplar, quer para dentro do grupo quer para fora (imprensa e adeptos). Ao nível tático mostrou uma maturidade e racionalidade que me surpreendeu, a forma como trabalha a equipa em função do adversário tem sido notável. Cometeu um erro, que foi o jogo em casa com os turcos do Besiktas JK, mas o mais importante é que percebeu o erro e desde esse momento a equipa ficou muito mais equilibrada, com as alternâncias táticas que vão sendo feitas entre o 4-3-3 e o 4-4-2, com ambos os sistemas a apresentarem várias variantes.

Neste momento, qualquer adversário que defronta o FC Porto tem dificuldade em antecipar de que forma Sérgio Conceição vai colocar “as peças” em campo, e mesmo durante os encontros as alternâncias que vão sendo feitas mostram o excelente trabalho que o treinador portista tem vindo a realizar.

Sérgio Conceição tem o plantel e os adeptos do seu lado Fonte: FC Porto
Sérgio Conceição tem o plantel e os adeptos do seu lado
Fonte: FC Porto

As duas últimas partidas (frente a SL Benfica e AS Monaco FC) são bons exemplos disso. Contra os encarnados o FC Porto entrou num 4-4-2 clássico, com Herrera no corredor direito e Marega a explorar o espaço entre Grimaldo e Jardel. Um 4-4-2 que rapidamente se podia transformar num 4-3-3 com a passagem de Herrera para o corredor central ficando Marega na ala direita. Contra o AS Monaco FC o FC Porto entrou num 4-2-3-1, com André André a fazer a função de “10”. Esta capacidade de variar sistemas táticos e movimentações mantendo o alto rendimento e potenciando ao máximo a qualidade dos jogadores é obra de uma equipa técnica liderada por Sérgio Conceição que, para mim, tem sido uma agradável surpresa.

O plantel não é extenso mas isso, na minha opinião, não é um problema quando existe uma equipa B. Até digo mais: esse tem que ser o caminho! Um plantel mais curto é mais fácil de ser motivado, visto que todos são opção regularmente, e é mais fácil lançar jovens valores cujos custos são bem mais baixos. Só esta época já cinco jogadores da equipa B tiveram oportunidades na equipa principal: Jorge Fernandes, Dalot, Luizão, Galeno e André Pereira. Em suma, se no início da época não era um admirador e um entusiasta da opção por Sérgio Conceição, passados seis meses estou convertido.

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Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira