Mehdi Taremi: O protótipo da inteligência

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É dia 11 de janeiro e estou à espera de que Mehdi Taremi ganhe mais um penálti. Esta parece ser a melhor frase para começar o artigo sobre um jogador que tem como uma das maiores habilidades conquistar pontapés da marca dos onze metros.

O avançado iraniano finalmente começou a sua afirmação de dragão ao peito depois de ter vindo como uma das contratações internas do FC Porto no mercado de transferências de verão. Falava-se que podia ir para o Sporting CP ou eventualmente para o SL Benfica, mas foi para a invicta que o segundo melhor marcador da época passada decidiu ir.

A fase inicial não foi fácil para Taremi. Via-se constantemente Moussa Marega sozinho na frente ou com apoio de jogadores adaptados à posição de segundo avançado (Tecatito Corona e Luis Díaz, nomeadamente). Sérgio Conceição começava a perceber que um regresso ao 4-4-2 com enorme sucesso nos anos interiores era fulcral para o estilo de jogo que pretendia voltar a imprimir no FC Porto. Para a posição tínhamos Taremi, Toni Martinez e Evanilson. Estes dois últimos já tinham tido várias oportunidades, contrariamente a Taremi, mas o ponta de lança ex-Rio Ave FC conquistou da melhor forma o lugar pelos bons minutos que somava sempre que saltava do banco.

A verdade é que se fez dupla. Ninguém agora ousa tirar Taremi do onze. Marega também beneficia claramente de ter um apoio na frente ao invés de jogar sozinho e ter de segurar a bola, que é uma das suas debilidades.

O golo que marcou frente ao Portimonense SC numa das primeiras grandes oportunidades dadas por Sérgio Conceição e quando o FC Porto estava em desvantagem foi, sem dúvida, o trampolim para a afirmação definitiva de Taremi. Não recebeu logo a titularidade absoluta, mas pouco tempo depois já aparecia sempre o nome do Iraniano na típica imagem do onze inicial nas redes sociais portistas.

Via-se muitas vezes um golo por jogo, mas a tendência tem vindo a melhorar. Nos últimos três jogos, em dois deles, Taremi bisou. No jogo frente ao Vitória SC foi fulcral para o FC Porto arrecadar os três pontos em Guimarães e em Famalicão para dar a volta a um resultado que a certa altura se podia ter complicado.

Temos falado de todos estes dados da afirmação na equipa do FC Porto, mas voltemos ao título do artigo. Afinal, porquê inteligência?

A um ponta de lança pede-se golos, capacidade física e de saber jogar em equipa. Mas inteligência também. Mehdi Taremi é, e arrisco-me a dizer, um dos jogadores mais inteligentes que já passaram pelo FC Porto. Essa inteligência reflete-se sobretudo na capacidade do Iraniano em ganhar faltas e grandes penalidades.

É absolutamente fora do normal a forma como Taremi consegue ter uma capacidade de mudança de velocidade repentina e movimentos específicos que enganam o adversário. Dentro da área tem a inteligência de procurar o contacto para ganhar a grande penalidade. A prova desta capacidade de Taremi são os números: mais de doze grandes penalidades conquistadas desde que chegou a Portugal no ano passado. O único dado negativo que posso retirar daqui é um hábito que pode ser criado pelo jogador, tornando-se no futuro um simples mergulhador para cavar penaltis.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Para além desta sua capacidade, Taremi tem mais qualidades. É o segundo melhor marcador do FC Porto apenas atrás de Sérgio Oliveira. Dos oito golos que marcou, nenhum foi de grande penalidade. Joga bem de cabeça, apesar de não ser jogador para estar constantemente a responder a cruzamentos tensos como, por exemplo, Tiquinho Soares. Não é um velocista, mas tem uma capacidade técnica e de colocação de bola notável. Se me perguntarem se é costume ver remates fortes e tensos de Mehdi Taremi? Nem por isso, mas a verdade é que a bola não deixa de entrar na mesma…

O futuro do avançado iraniano no dragão não é uma certeza de sucesso, mas se continuar assim, pode bem ser uma referência que bem tem faltado ao FC Porto. São 28 anos de uma inteligência pura.

João Castro
João Castrohttp://www.bolanarede.pt
O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva.

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