São já longínquas as vendas astronómicas de Hulk, James, Falcão, Danilo ou Alex Sandro. É bom lembrar que a despedida destes craques do Dragão levou consigo tempos de glória ao clube e que motivou um hiato de longos e penosos quatro anos sem conquistas.

Durante esse tempo, de resto – e não me querendo aprofundar num campo que não domino – a gestão efetuada pelo clube mereceu muitas e, a meu ver, fundamentadas críticas. Desde o descalabro financeiro que culminou com a intervenção do organismo tutelador do futebol europeu aos ‘camiões’ de jogadores de qualidade duvidosa que aterrava no Porto.

Pinto da Costa e os seus pares sempre se revelaram mestres na hora de olhar o mercado, dotar o plantel de jovens e promissores valores (a maior parte proveniente da América do Sul) a baixo custo, para os fazer evoluir, mostrá-los aos tubarões e vendê-los por valores categóricos.

Essa estratégia resultou em pleno durante anos, pelo que a mudança de rumo acabou por surpreender ao ponto de o próprio rumo do clube e consequentemente da equipa principal ficar seriamente comprometido.

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Hulk e James foram das “grandes” vendas do FC Porto
Fonte: FC Porto

2017 revela-se o ano decisivo no que à transformação da história diz respeito. Chega Conceição, os custos reformulam-se, as contratações praticamente não existem e o clube reentra no caminho do sucesso, muito tempo depois. O ‘murro na mesa’ acabou também por resultar em mudanças na super badalada estrutura. E é aí que chegamos a Éder Militão.

O jovem brasileiro de 20 anos faz lembrar os bons velhos tempos, nos quais se comprava bom e barato para se vender bem caro (na nossa realidade, claro). Nesta equação entra também o departamento de scouting, até então num aparente sono profundo.

A chegada de Militão, a ascensão que conseguiu em menos de um ano e o potencial que todos lhe reconhecem são não só um importante contributo financeiro para as contas do clube como também um excelente cartão de visita para que outras jovens promessas lhe possam seguir as pisadas, optando pelo FC Porto quando outros projetos igualmente aliciantes lhes aparecerem pela frente, procurando ter na invicta a visibilidade e a rampa de lançamento para o topo europeu que tanto almejam.

O dragão parece ter reencontrado a sua galinha dos ovos de ouros e, desta vez, o importante mesmo seria não dar-lhe o fim que todos conhecemos.

Foto de Capa: FC Porto