Se olharmos para a última lista de convocados da Seleção Portuguesa para defrontar a Itália e a Polónia há um pormenor, no mínimo, interessante e que tem vindo a ser notado já há algum tempo. De 23 atletas chamados por Fernando Santos, apenas um deles pertence ao FC Porto. É ele Danilo Pereira, um dos capitães e dos melhores jogadores dos azuis e brancos. Por que razão isto acontece? Será pela falta de jogadores portugueses no plantel do FC Porto? Ou por os portugueses do FC Porto não têm tanta qualidade como outros que foram chamados? Vamos analisar o estranho caso do “desaparecimento dos Dragões” da convocatória da Seleção Portuguesa.

Se viajarmos no tempo até 2004, ano de glória para a equipa da cidade Invicta e de “quase glória” para a seleção das quinas, os dados são outros. Foram seis os jogadores pertencentes aos azuis e brancos a serem convocados para o EURO 2004: Paulo Ferreira, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Costinha, Maniche e Deco. Claro está que eram tempos em que o futebol português estava no seu expoente máximo depois do FC Porto conquistar a Liga dos Campeões.

Quatro anos passados, na convocatória para o EURO 2008, Scolari decide levar cinco jogadores para a Áustria e para a Suíça, foram eles: Bruno Alves, Bosingwa, Raúl Meireles, Ricardo Quaresma e Hélder Postiga (na altura, emprestado ao Panathinaikos AC.) Nessa temporada, a equipa da cidade Invicta conquistou o campeonato o tricampeonato com Jesualdo Ferreira no comando técnico da equipa e o plantel contava com 15 atletas portugueses. Algo que é quase impensável nos dias de hoje e um fenómeno muito provavelmente causado pelos investimentos na formação/valorização do jogador português.

Duas gerações do FC Porto presentes na Seleção Portuguesa
Fonte: Federação Portuguesa de Futebol

No EURO 2012, onde também fomos “quase-felizes”, Paulo Bento convocou apenas três atletas dos Dragões. Rolando, João Moutinho e Silvestre Varela foram os escolhidos e os três únicos jogadores a representar o emblema portista na Seleção. Nota-se então que o número de jogadores do FC Porto tem vindo a ser tendencialmente reduzido. No entanto, também o SL Benfica e o Sporting CP passam pelo mesmo.

Por fim, chegamos à competição mais marcante na história da Seleção Portuguesa. Aquando da conquista do Campeonato Europeu de Futebol do ano de 2016, pisavam o solo francês apenas um jogador do FC Porto: Danilo Pereira. O mesmo que está presente na mais recente convocatória.

Será este um indicador de falta de investimento na evolução dos jogadores mais novos? Nessa temporada, a equipa do Porto tinha 14 jogadores portugueses no plantel. Sendo que grande parte deles não era titular ou ainda não se tinham afirmado na equipa. Hoje, em 2018, o FC Porto continua com um jogador presente na Seleção, enquanto que o SL Benfica contava com quatro jogadores. Será este um sinal de que devemos apostar ainda mais na formação? Ou então que devemos tentar manter as nossas jovens promessas a todo o custo?

O tempo passa e a tendência é para que os números diminuíam mais. E isto não é apenas mau para o FC Porto. É mau também para o futebol português e para o poder do mesmo a nível mundial.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

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