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A maioria das pessoas nunca pensa realmente porque é que apoia um certo clube. Muitas vezes dizem uma frase do género: “Sou do Benfica/Sporting desde pequenino. Mas o que entendem os miúdos “pequeninos” de futebol? Situações como estas surgem, quase sempre, por se identificarem com os pensamentos do seio da família. Como o pai, tio, avô é de um clube existe a predisposição de ser adepto desse clube.

A idade não é um factor no que toca a gostar de futebol. Porém, é um factor no que toca a entender futebol. Durante muitos anos fui apelidado de Benfiquista pelo meu pai. Cheguei, até, a ver um jogo do Benfica no antigo Estádio da Luz. Até ao Euro 2004 eu não sabia ver futebol. Não sabia o que era futebol.

O Euro 2004 foi um ponto de viragem no futebol português. Com Scolari ao comando da equipa nacional, e a jogar em casa, Portugal fez um campeonato europeu espetacular chegando mesmo à final. Portugal jogava bem, coeso e com uma equipa que transpirava confiança. A Grécia, tenha sido pela táctica defensiva que utilizou ou pela ajuda de Zeus e dos restantes deuses gregos, acabaria por ganhar. No entanto, a grande vitória portuguesa não foi nos relvados, mas sim nas ruas. Mesmo perdendo uma final para a Grécia, Portugal ganhou espirito. A partir do Euro, e durante a estadia de Scolari como seleccionador, Portugal tinha um dos melhores apoios no mundo. As varandas de todas as regiões de Portugal encheram-se de bandeiras. O vermelho e verde português estavam por todo o lado.

A relação entre a minha paixão azul e branca e o Euro 2004 foi simples. Foi nessa altura que comecei a perceber as razões que, por vezes, o meu avô gritava para o televisor o que o faziam dizer palavras menos próprias para o ar, cada vez que o Benfica não ganhava. Foi nessa altura que eu comecei a ter paixão pelo futebol, paixão pela seleção nacional. Eu admirava a forma como Portugal jogava. Os processos intermitentes entre complexidade e simplicidade que resultavam num futebol bonito, rendilhado e que dava resultados.

A minha admiração rapidamente passou para os jogadores. A maioria do F.C Porto de 2003/04 de José Mourinho. Comecei a prestar mais atenção aos jogos do Porto. A cada jogo que passava mais me identificava com o estilo de jogo que os azuis e brancos mostravam. Vi, naquele Porto, a forma de jogar pela qual me tinha apaixonado com a seleção nacional.

Desde 2004 que me considero portista. Agora, nove anos depois, é com unhas e garras que defendo o clube que conseguiu conquistar o meu coração através do futebol. O Porto, como qualquer outro clube desportivo profissional do mundo, evoluiu. A equipa do Porto mudou, já não são os mesmos jogadores que vestem a camisola mas a equipa não mexe. O Porto é continuidade. Manter os mesmos objectivos, os mesmos princípios, os mesmos adeptos, a mesma alma que eu apenas descobri em 2004.

O lema do Porto, que está na parte de trás de todas as camisolas, é claro: “ A vencer desde 1893”. Uma frase que assenta ao Porto como uma luva e que de 2004 até ao dia que eu deixe de respirar irá estar presente na minha mente cada vez que for referido o nome Futebol Clube do Porto.

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