A época do FC Porto tem sido marcada pela irregularidade, ou seja, a equipa já presenciou momentos que fazem qualquer adepto ficar com o “rei na barriga”, como já proporcionou períodos mais negativos e não tão entusiasmantes. Contudo, dentro dessa irregularidade, há um atleta que se está a evidenciar pela sua consistência exibicional, que é o internacional mexicano Jesús Corona. Há uns tempos atrás associar o atleta e a palavra “regularidade” na mesma frase parecia uma ironia, já que sempre foi das grandes lacunas apontadas ao jogador, que tanto fazia um grande jogo, como depois andava três ou quatro partidas apenas a inscrever o seu nome na ficha de jogo.

No entanto, tudo começou a mudar quando Sérgio Conceição, grande apreciador das suas qualidades técnicas, pegou no plantel principal dos dragões. Desta forma, “Tecatito”, como é apelidado no mundo da bola, passou a ter mais destaque nas opções iniciais dos azuis e brancos e com isso somou, a esses surgimentos, maiores períodos de estabilidade exibicional. Algo que, para muitos, não era possível, dado que, apesar de todas as suas qualidades técnicas evidentes faltava sempre qualquer coisa que o afastava do lote dos preferidos da massa associativa. Outro aspeto, que pode estar associado a esta mudança é também a maior maturidade que apresenta em campo, já senhor de uma maior experiência, assim como maior conhecedor de todo o contexto em que está inserido.

Por conseguinte, todas as dúvidas que assombravam a sua estadia no reino do dragão parecem já ser uma miragem longínqua do passado e, atualmente, Corona assume-se como uma das principias referências da formação azul e branca, bem como um dos maiores ativos do emblema da invicta. O futebolista é já um dos rostos que começa a incorporar a verdadeira “mística”, que carateriza o FC Porto e o distingue dos demais, pela sua forma de encarar cada jogo, o seu espírito de sacrifício e, principalmente, por colocar os interesses da equipa à frente dos seus. E a maior prova de que todos os elogios direcionados à sua pessoa não são descabidos é o facto que ao dia de hoje já ninguém sabe qual é a sua verdadeira posição. Um indicador que demonstra bem a polivalência do mexicano é que, na falta de uma verdadeira opção para a lateral direita, Sérgio Conceição tem socorrido aos serviços do “bombeiro” Corona, que tem tido como missão apagar verdadeiros fogos, devido à má gestão desportiva, que tem assombrado o clube.

Corona tem alternado entre a posição de lateral direito e extremo
Fonte: Bola na Rede

Quem negar a relevância que o número 17 dos dragões tem na equipa, é quem não quer ver a realidade e conceder o protagonismo a quem o merece! É verdade que em termos estatísticos não está a ser a melhor temporada do ex-FC Twente, já que o seu primeiro golo na Liga NOS foi na última visita a Moreira de Cónegos, e que golo! No entanto, conta com sete assistências no bolso a juntar a mais uma que realizou na Liga Europa. Objetivamente, os números não impressionam, mas em nada condiz com a perseverança, o querer, a magia e o compromisso que cada minuto do seu jogo tem evidenciado.

A verdade é que o mexicano se apresenta apenas como um elemento de recurso para uma posição carenciada, desde a saída de Ricardo Pereira para Inglaterra, e que a própria equipa está a sofrer por isso, visto que perde alguma criatividade e imprevisibilidade na frente de ataque. Mas, não há mais ninguém dentro do grupo de trabalho com maior competência para colmatar as debilidades defensivas que o FC Porto sofre do lado direito. Apesar de todo o seu empenho e esforço, Corona e os adeptos azuis e brancos estão a ser vitimas de um mau planeamento, porque não há dúvidas nenhumas que, atualmente, é o melhor jogador do plantel e que o seu lugar devia ser mais perto da baliza do adversário do que na sua, visto que é em terrenos mais adiantados que pode implementar um maior pânico pelas defesas contrárias e usufruir das suas qualidades futebolísticas na sua plenitude.

Assim, até que se resolva este problema há muito já identificado, o internacional mexicano vai-se sacrificando pela formação orientada por Sérgio Conceição e prova que para sentir o clube não basta nascer dentro do estádio, mas sim respeitar toda a história que o envolve. Quanto a quem assiste de fora apenas basta apreciar o profissionalismo do jogador e esperar que quem manda faça o que tem a fazer, para que Corona possa pisar terrenos mais adequados à sua qualidade de jogo!

Foto de capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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