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Freud dizia que quando os portistas falam mal de Paulo Fonseca se fica a saber mais sobre eles do que sobre Paulo. E aqui encontramos o elemento comum entre Paulo e Sigmund: ambos não percebem nada de futebol.

OK, fui injusto. Freud até dava uns toques na bola… Quanto a Paulo Fonseca, a incógnita mantém-se. Luís Castro sentou-se na cadeira e, em dois jogos, mostrou que é diferente. O jogo com o Arouca não me surpreendeu muito, mas contra o Nápoles a história foi outra. Vi uma equipa a praticar um futebol bastante agradável, pelo menos nas circunstâncias que conhecemos. O Nápoles é uma equipa forte, actualmente em terceiro lugar na Liga italiana e tem o segundo melhor ataque, com 52 golos marcados. Argumentos mais do que suficientes para constituírem um grande desafio a uma equipa que mudou de treinador há uma semana.

O Porto jogou bem, com decisões rápidas e inesperadas, passes ao primeiro toque que baralhavam as posições defensivas dos napolitanos, mas aquilo que me surpreendeu mais foi a saída de jogo. Aquela fase no futebol em que a equipa mal ganha a posse tem de se posicionar, ocupar espaços e progredir com a bola para, a seguir, criar oportunidades de finalização, sabem? Esta fase específica foi executada, a maior parte das vezes, com uma rapidez muito superior àquela a que Paulo Fonseca nos havia habituado. Fernando voltou a encontrar a solidão a que está tão bem acostumado, Defour regressou ao departamento de esforço e entregas (com Paulo Fonseca nem pizzas entregava), e a equipa pareceu encontrar aquele ânimo de que tanto precisava.

Mas admito que é precoce falar já de uma boa mudança. As falhas defensivas continuam a existir; Jackson insiste em provar a teoria do “8 ou 80”, pois ou se move muito e vai buscar jogo mais atrás ou fica pouco móvel na área; Quaresma exagera um pouquinho na sua magia (mas é titular indiscutível); e Varela parece parado no tempo (dificilmente conseguia completar um cruzamento de jeito). O Nápoles explorava muito bem as alas contrárias à progressão da bola, visto que a flutuação dos jogadores azuis e brancos chegava a ser um pouco exagerada, e Callejón só não fez mais estragos porque encontrou Alex-Sandro-é-craque-e-ponto-final. A verdade é que o Porto dominou, podia e devia ter ganho por mais, e mostrou que ainda há esperança para a equipa.

O Porto ganhou vantagem na eliminatória da Liga Europa antes do clássico de Domingo  Fonte: Zero Zero
O Porto ganhou vantagem na eliminatória da Liga Europa antes do clássico de Domingo
Fonte: Zero Zero

No entanto, foi um jogo para a Liga Europa… Veremos se este domingo a atitude se mantém. O meu vaticínio é simples e moderado, se bem que roça o emocional: o Porto ganha e ganha bem. Em Portugal não há um único jogador como Defour, Fernando, Jackson, Quaresma, Mangala, Alex Sandro e, no futuro, Herrera e Carlos Eduardo. Se serão eles a fazer a diferença e a garantir a vitória frente a um Sporting de qualidade e com um treinador super competente? Não. O que vai fazer diferença é ser o Porto. Um Porto que no espaço de meia época conseguiu o pior registo na Champions e um dos piores a nível nacional, mas que em menos de uma semana não parece minimamente preocupado com quem vai à frente ou atrás. Porque, como disse Luís Castro, a vitória assenta-nos bem. E eu acrescento que, se a vitória é o casaco mais bonito da loja, então façam o favor de tirar as mãos porque a etiqueta tem um “D” de Dragão. Sempre teve.

P.S.: Apesar de tudo, e brincadeiras entre Freud e Fonseca à parte, é mais do que justo que se agradeça a Paulo Fonseca por ter dado tudo ao nosso Futebol Clube do Porto. Não acredito que seja fácil treinar esta equipa. A ele e à equipa técnica que o seguiu, muito obrigado pela entrega! Um trabalho não deixa de ser um trabalho só porque não conseguimos concretizar certos objectivos. Espero vê-lo no futuro com mais sucesso do que aquele que conseguiu no Dragão e que encontre rapidamente o caminho para as vitórias, apenas não se meta no caminho do Porto. Se quer vestir o casaco, vá a outra loja!

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