Está de regresso a Liga dos Campeões. Sensivelmente três semanas depois da derrota em Roma por 2-1, o FC Porto, desta feita como anfitrião, entrará em campo esta quarta-feira para tentar virar a eliminatória. Depois da derrota no clássico de sábado, importa perceber que impacto poderá ter esse desaire no decisivo jogo frente aos romanos.

Primeiro, uma últimas notas sobre o clássico. Ganhou a melhor equipa. Ganhou na tática, na técnica, na inteligência, no discernimento e na agressividade. Ganhou em toda a linha. Ganhou uma equipa que entrou em campo com a lição bem estudada, que sabia como e por onde poderia ferir o FC Porto e que dominou inteligentemente todos os momentos do jogo. Bem sei que os últimos 15/20 minutos de assédio do FC Porto à baliza dos encarnados fizeram disparar as estatísticas e podem camuflar a justiça do resultado, mas a verdade é que o SL Benfica jogou como quis, ganhou como quis. Vi uma equipa de processos simples, objetiva, capaz de alternar posse com a procura da profundidade e com grande variabilidade no seu jogo.

Por outro lado, vi uma equipa do FC Porto entrar nervosa, insegura, indisciplinada técnica e taticamente e confusa. Nem mesmo o golo inaugural de Adrián López foi capaz de tranquilizar os comandados de Sérgio Conceição, que teima em acreditar que é possível ganhar e dominar este tipo de jogos jogando apenas com dois médios, mas já lá vamos. Importa deixar, ainda, uma palavra para Bruno Lage. Não conhecia o seu trabalho nem tinha qualquer referência (boa ou má), acerca do antigo braço direito de Carlos Carvalhal, mas começa a firmar créditos no futebol português pela simplicidade no discurso e pela inteligência na estratégia. Infelizmente para mim, enquanto portista, tenho que reafirmar que ganhou a melhor equipa. Não estando o campeonato decidido, julgo que, tendo em conta o calendário dos dois candidatos, está muito perto disso.

Entremos, agora, na discussão da Liga dos Campeões e na tal questão dos dois médios. Acredito que Sérgio Conceição só terá a ganhar em juntar Danilo a Herrera e Óliver no meio campo e em subtrair um avançado. Já utilizei várias vezes este espaço de opinião para afirmar que a melhor versão que vimos do FC Porto foi a que se apresentou na fase de grupos da Liga dos Campeões. Mais por obrigação do que por opção, a verdade é que a jogar em 4x3x3 se conseguiu obter uma pontuação recorde.

Depois da derrota no clássico, a equipa do FC Porto já está focada nos próximos desafios
Fonte: FC Porto

É certo que o FC Porto entrará em campo com uma necessidade premente de marcar golos, mas é importante que consiga, também, manter a sua baliza inviolável de forma a segurar a importância do golo marcado fora de casa. Não foi pela subtração de um avançado por um médio que a equipa deixou de ser objetiva e goleadora na fase de grupos e julgo que a liberdade que poderá ser dada a Herrera e Óliver com a presença de Danilo poderá ser fundamental para que os primeiros possam servir e apoiar o ataque da melhor forma e para que Corona e Brahimi, os jogadores mais imprevisíveis da equipa, possam gozar de mais espaço e liberdade para criar desequilíbrios na defesa da Roma.

Em relação às consequências e efeitos do clássico neste jogo, quero acreditar que serão poucos. Apesar da desilusão inerente ao que se vai passando no campeonato, o FC Porto é o único representante nacional na mais importante prova de clubes do mundo e é por esses galões que Sérgio Conceição terá que puxar no sentido de motivar a equipa e a levar a acreditar que é possível levar de vencida esta eliminatória. Sabe-se que os jogos desta competição têm sempre um cariz especial e que os níveis motivacionais estão sempre em alta, mas não é menos verdade que o mesmo se aplica a jogos como o clássico de sábado e que não deixamos de ver uma equipa portista desorientada e a claudicar.

Como tal, é importante que exista um toque a reunir no clube e que todos estejam focados no jogo de quarta-feira, que tem uma importância vital não só desportiva e financeiramente, mas, também, nos índices anímicos da equipa. É importante que o FC Porto recomece ou reentre numa dinâmica de vitória e num elã positivo que lhe permita vencer os 10 jogos de campeonato que lhe restam de forma a ir colocando, semana após semana, pressão sobre o SL Benfica.

Em suma, o FC Porto acaba por perder bem o clássico e entrará no jogo frente à AS Roma ainda a sarar as feridas profundas que se abriram. No entanto, cabe a Sérgio Conceição e à sua equipa técnica garantir uma equipa na máxima força e com máxima concentração e intensidade para levar de vencida uma Roma que tem tido um desempenho não mais do que titubeante no campeonato italiano e que enfrenta, também, um jogo decisivo. É importante voltar a estimular o Mar Azul e reiniciar uma dinâmica de vitória que permita, quem sabe, recuperar a liderança do campeonato e conduzir a equipa e os adeptos aos festejos em Maio.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.