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Nabil Ghilas é, a par de Juan Quintero, o jogador que considero menos aproveitado por Paulo Fonseca, no actual plantel portista. Agressivo, possante e um excelente rematador, o avançado argelino parece não conseguir impor-se num Porto medíocre, que tarda em provar que merece ser campeão.

Vindo do Moreirense no mercado de Verão, por 3,8 milhões (por 50% do passe), teve o seu melhor momento no passado jogo contra o Estoril, colocando, com um golo, o Porto nas meias-finais da Taça de Portugal. Antes disso, o penálti sofrido frente ao Marítimo foi também ele fulcral no apuramento (pelo menos, em campo, apurou o clube, vamos ver se, na secretaria, o resultado é outro) da equipa para as meias-finais da Taça da Liga. Como caracterizá-lo na sua restante história no clube tri-campeão? Chamando-o o “gajo que entra em situações de desespero” ou o “gajo que entra para se perder algum tempo perto dos 90 minutos”, porque, de forma geral, é assim que tem sido a sua curta carreira no clube.

Não posso dizer que vejo no número 11 portista um titular indiscutível na equipa do Porto. É, como muitos outros nos últimos anos, o eterno segundo avançado do Porto, aquele que, por muito bom que seja, não joga. Contudo, é preciso registar que Ghilas não é Janko, não é Kleber, não é Walter, nem muitos menos é Liedson (sobretudo na forma em que o avançado brasileiro se apresentou, na ultima época). Ghilas é um jovem de 23 anos (eu sei que não parece), com uma qualidade que fez temer as defesas que jogavam contra a miserável equipa do Moreirense, o ano passado, e que precisa de jogar e evoluir de forma a explorar todo o potencial que tem.

 

Ghilas, por mérito próprio ou por demérito de Jackson, justifica mais minutos Fonte: abola.pt

 

 

Fazendo um paralelismo com Islam Slimani, também ele curiosamente suplente argelino de outro avançado colombiano, de seu nome Fredy Montero (com a devida distância para Cha Cha Cha Martinez), a verdade é que Leonardo Jardim (para mim, o melhor treinador a actuar no nosso país) lhe está a saber dar as oportunidades que este merece. Quando Montero falha, Slimani entra; quando Jackson falha, Licá entra para o lugar de Varela. Esta é a infeliz realidade do Porto e, honestamente, custa-me ver Ghilas no banco até aos últimos 10 minutos da partida, onde a táctica se altera de 4x2x1x3 para 4xtudo-ao-molho-e-Quaresma-cruza-para-o-meio.

Porque o comparo com Derlei? Porque Derlei, com características físicas semelhantes mas bastante mais baixo e, pessoalmente, com menos talento que o avançado argelino, encontrou o seu espaço no Porto como um falso extremo, que facilmente procurava zonas de finalização interiores. Ghilas nunca teve a sua oportunidade nesta posição, e, agora, com o regresso de Quaresma e com uma luta nas alas entre Varela e o talentoso Licá, o argelino parece perder aquela que seria uma boa opção para obter minutos em competições que não sejam a Taça da Liga ou a Taça de Portugal, onde mesmo nestas é Jackson que tem vindo a ter primazia no onze.

Questiono-me sobre se, num futuro próximo, com jogos de quatro competições a encher o calendário do plantel portista, Ghilas obterá finalmente a confiança de Paulo Fonseca, remetendo Jackson Martinez para o banco, de vez em quando (nem que seja ao dar a desculpa de que Cha Cha Cha está cansado ou dorido), já que é preciso salientar que o colombiano tem estado bastante longe do nível exibicional que apresentou o ano passado, no Porto.

Ghilas tem 44 minutos jogados na 1ª Liga, e, se pensarmos que, na Emirates Cup (torneio amigável em que o Porto participou na pré-época), o argelino somou 84 minutos, ficamos com uma boa ideia da imensa utilização do segundo avançado portista. Ghilas merece mais, muito mais…

 

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