A reabertura do mercado de inverno, em janeiro, trouxe novas caras para o reino do Dragão. O “plantel curto” do FC Porto, que muitos adeptos criticavam, alargava assim o seu leque de opções com a chegada de Osório, Waris, Gonçalo Paciência e Paulinho. Até agora, nenhum dos reforços de inverno tem sido uma mais-valia para o plantel principal e nenhum deles tem tido lugar no onze inicial. Hoje abordamos um desses reforços. Falamos de Paulinho, um jogador vistoso que continua a criar muitas expetativas, mas que ultimamente parece andar desaparecido.

Quando se confirmou a chegada de Paulinho ao FC Porto, proveniente do Portimonense SC, confesso que fiquei bastante satisfeito e entusiasmado com as potenciais futuras exibições do jogador de dragão ao peito. Muita da minha expetativa devia-se ao facto de eu, por várias ocasiões, ter acompanhado ao vivo as exibições de Paulinho enquanto jogava em Portimão. Tenho, portanto, alguma legitimidade para falar do jogador em questão e confesso ser um admirador das suas capacidades. Paulinho é craque! É daqueles jogadores que se destacam dos demais dentro de campo pela qualidade de passe e técnica que imprime ao jogo.

As boas exibições de Paulinho enquanto jogador do Portimonense SC, principalmente no segundo escalão, viriam a recompensar o médio ao vencer o prémio de melhor jogador da época 2016/17 da Segunda Liga. Com a subida ao primeiro escalão e a continuar a jogar a grande nível, Paulinho chegava naturalmente a um dos “grandes” de Portugal, o FC Porto. Desde então, o percurso de Paulinho parece ter estagnado, pelo menos por enquanto. Desde que chegou aos dragões, Paulinho realizou apenas duas partidas e conta com um tempo de jogo de pouco mais de 90 minutos.

Paulinho conta apenas com dois jogos ao serviço da equipa principal do FC Porto
Fonte: FC Porto

Paulinho estreou-se com as cores dos azuis e brancos frente ao Moreirense FC e a sua estreia não foi das mais felizes, já que o FC Porto empatou nesse encontro. Apesar de ter feito um jogo razoável, o médio de 23 anos foi o primeiro a ser substituído e o seu jogo de estreia será sempre associado a esse resultado menos positivo. Paulinho voltaria a entrar em campo frente ao SC Braga, desta vez na condição de suplente utilizado. O brasileiro realizou pouco mais de 20 minutos e, nesse curto espaço de tempo, foi constantemente alertado por Sérgio Conceição. Desde esse jogo com os minhotos Paulinho só voltaria a jogar um mês depois, e ao serviço da equipa B do FC Porto, ao alinhar os 90 minutos no empate frente ao CD Cova da Piedade.

Mas então, o que estará a correr mal nesta experiência de Paulinho de dragão ao peito? A explicação mais plausível prende-se à possibilidade de o jogador não encaixar no atual sistema de jogo de Sérgio de Conceição e de ainda não se ter conseguido adaptar às ideias do mister. O técnico portista parece privilegiar um meio-campo com mais músculo e força, com Danilo e Herrera a serem as primeiras opções. Nem a ausência de Danilo fez com que Paulinho subisse alguns lugares na hierarquia, tendo sido Sérgio Oliveira a aproveitar melhor a lesão do médio defensivo. A situação de Paulinho assemelha-se, em alguns aspetos, à de Óliver Torres. Dois jogadores evoluídos tecnicamente mas sem oportunidades no onze titular por apresentarem um estilo de jogo diferente daquele que Sérgio Conceição privilegia.

Apesar da pouca utilização acredito que Paulinho ainda poderá ser uma peça muito importante para o FC Porto, seja nesta época ou nas que se sigam. Sérgio Conceição garantiu que conta com o médio brasileiro e por várias ocasiões já provou que dá oportunidades a todos os jogadores do seu plantel. Paulinho terá que estar preparado para quando chegar o seu momento, nem que seja a ganhar minutos e confiança na equipa B. Se com Vítor Oliveira, que é um técnico exigente, Paulinho foi capaz de brilhar, então não restam dúvidas de que Sérgio Conceição é o treinador indicado para potenciar todas as capacidades prometidas e adormecidas do médio.

Foto de Capa: FC Porto

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O Nélson é estudante de Ciências da Comunicação. Jogou futebol de formação e chegou até a ter uma breve passagem pelos quadros do grande Futebol Clube do Porto. Foi através das longas palestras do seu pai sobre como posicionar-se dentro de campo que se interessou pela parte técnica e tática do desporto rei. Numa fase da sua vida, sonhou ser treinador de futebol e, apesar de ainda ter esse bichinho presente, a verdade é que não arriscou e preferiu focar-se no seu curso. Partilhando o gosto pelo futebol com o da escrita, tem agora a oportunidade de conciliar ambas as paixões e tentar alcançar o seu sonho de trabalhar profissionalmente como Jornalista Desportivo.                                                                                                                                                 O Nélson escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.