Abdul Majeed Waris, é este o nome de um dos reforços de inverno que Sérgio Conceição recebeu durante o mercado de 2018. Até essa data, a equipa azul e branca estava em campo por todas as competições em que estava inserida, o que significava imensos jogos nas pernas dos jogadores. Por isso, o treinador portista apontou à direção liderada por Pinto da Costa a falta de profundidade que o seu grupo de trabalho sofria. Algo que ganhou concordância dentro da cúpula diretiva do FC Porto que assim entrou em “campo” para satisfazer as necessidades do seu técnico.

Deste modo, um dos pedidos de Sérgio Conceição era um velho conhecido seu do campeonato francês, Waris, que colidiu com o treinador, quando este treinava o FC Nantes, enquanto que o futebolista ganês defendia as cores do FC Lorient. O desejo de contar com o jogador tornou-se numa realidade, visto que, no final de janeiro, o FC Porto anunciou a sua contratação e desta forma conseguiu colocar mais matéria prima ao serviço da sua equipa técnica.

Assim, Waris estava pensado para fazer a diferença no imediato, uma vez que se evidenciava pela velocidade e pelo drible que incutia no seu jogo. Bem como a sua frieza no momento da finalização, já que nas épocas anteriores tinha apresentado números bem satisfatórios para alguém que não se assumia como principal referência da equipa ofensivamente. Porém, as coisas nem sempre acontecem como se pretende e a verdade é que os seis meses que o extremo se apresentou na cidade invicta não foram suficientes para confirmar aquilo que o técnico do FC Porto augurava aquando da sua aquisição. Fez apenas oito partida (duas a titular) pelos dragões sem conseguir marcar qualquer golo pelo emblema português.

Por conseguinte, o destino de Waris parecia estar traçado e o mesmo não seria em Portugal. Ainda teve a oportunidade de iniciar a pré-época com os portistas, numa última chance de reverter a sua situação, mas o panorama não se alterou para os seus lados. O momento que parece ter sentenciado a sua “despedida” do FC Porto foi uma derrota com o SC Portimonense, no estágio do Algarve, em que os azuis e brancos foram duramente criticados pelo seu técnico, que chegou a afirmar que no seu grupo de trabalho haviam jogadores que não tinham categoria para vestir a camisola da sua equipa. Rapidamente, a imprensa apontou Waris como um dos visados e a sua dispensa do estágio parecia confirmar isso com o acréscimo do seu empréstimo ao FC Nantes. Posteriormente foi negado pelo próprio atleta numa entrevista em que justificou a saída pelo simples facto de querer jogar com maior regularidade.

A temporada na Primeira Liga Francesa pelos “canários” franceses, alcunha com que o FC Nantes é tratado em França, até nem correu mal como comprovam as estatísticas, pois em 38 partidas apontou sete golos. Apesar disto, nunca foi intenção dos dirigentes gauleses acionar a opção de compra que tinham acordado com os seus pares do FC Porto, na altura que a cedência foi fechada e oficializada. No meio de tanta indecisão sobre o seu futuro, Waris só tinha uma certeza, isto é, estava de fora dos planos de Sérgio Conceição e para continuar a sua carreira tinha de procurar um novo clube.

Waris está a treinar à parte até encontrar um novo clube no mercado de janeiro
Fonte: FC Porto

Ao longo dos dois meses em que o mercado esteve aberto muitas foram as possibilidades associadas ao futebolista e nesse sentido a continuidade no campeonato francês parecia a hipótese mais fácil, onde o FC Nantes aparecia como a solução preferida pelo atleta. No entanto, como já foi referido anteriormente, logo após o término do empréstimo ficou vincado que uma futura transferência tinha de ser por valores mais baixos do que os seis milhões de euros que o FC Porto tinha estipulado para sua venda, na esperança de conseguir recuperar o investimento feito no ganês ou pelo menos grande parte da quantia paga ao Lorient FC pelo seu passe.

Aliás, nos primeiros dias de agosto, o empresário de Waris, Yusif Chibsah, veio a público afirmar que os valores pedidos pelos dragões “estavam a afastar possíveis interessados”, numa forma de tentar baixar as exigências financeiras dos azuis e brancos. Posteriormente, o tempo foi passando e cada vez mais o futuro do extremo de 27 anos caiu na indefinição até que, na última semana de mercado, apareceu a solução do Deportivo Alavés, emblema do campeonato espanhol.

Quando tudo parecia fechado e decidido o negócio foi cancelado pela direção do último 11º classificado da Primeira Liga Espanhola. Um cancelamento que mereceu duras críticas por parte do empresário do jogador, dado que o FC Porto, apesar de o ter inscrito na Primeira Liga, não conta mesmo com ele e o mais provável é que Waris fique até janeiro a treinar com a equipa B dos portistas sem qualquer tipo de competição.

Por fim, é caso para dizer que Waris tem a sua carreira em “stand by”. Um momento infeliz para um atleta que vê todo um acumular de situações a culminarem neste desfecho. Muito pelo facto não ter conseguido convencer Sérgio Conceição, pela altas exigências que o FC Porto invocava aos clubes interessados e pela incompetência ou falta de respeito por parte do Deportivo Alavés, pegando nas palavras do seu agente. Agora, o melhor que o jogador tem a fazer é mesmo esperar até janeiro e aí conseguir dar um novo rumo à sua carreira futebolística.

Foto de capa: FC Porto 

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