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São avassaladoras as diferenças entre o atual FC Porto e o da época transata no que ao futebol praticado diz respeito. Até prova em contrário, esta parece ser a mais bem preparada equipa do FC Porto desde a saída de Vítor Pereira, com um modelo de jogo já bem definido, com ideias de equipa “grande” e competência coletiva em todos os momentos do jogo.

Os adeptos do FC Porto têm referido insistentemente que Sérgio Conceição trouxe garra e uma atitude diferente à equipa. Porém, o que Conceição trouxe foi uma maior organização, assente num modelo de jogo que potencia as individualidades. Os jogadores do FC Porto não correm mais do que na época passada, mas correm melhor.

Defensivamente muito se elogiava o FC Porto de Nuno Espírito Santo. Contudo, o êxito defensivo da equipa assentava essencialmente na qualidade dos cinco futebolistas mais recuados ao nível dos duelos individuais, ou seja, o mérito era sobretudo dos jogadores (pelas suas caraterísticas) e não do trabalho do treinador. Atualmente, a somar aos jogadores (que, na linha defensiva, são praticamente os mesmos), existe organização, entenda-se, processos bem definidos que começam logo na pressão alta realizada pelos médios e avançados.

A competência coletiva do FC Porto cresceu exponencialmente Fonte: FC Porto
A competência coletiva do FC Porto cresceu exponencialmente
Fonte: FC Porto

Ofensivamente as diferenças são assombrosas. Uma equipa que outrora “esticava o jogo na frente”, insistentemente, através de bolas longas a partir dos defesas centrais ou laterais, é hoje uma equipa na qual Danilo recua para junto dos centrais e Óliver, Brahimi e Corona baixam para receber o primeiro passe que sai da construção. O FC Porto é hoje uma equipa “de posse”, mas não de posse sem objetividade tal como se verificava na “era Lopetegui”; existe capacidade de acelerar o jogo através de passes verticais que conduzem à criação de desequilíbrios nas defesas adversárias.

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É por tudo isto que o FC Porto parece hoje, muito mais do que nos anos anteriores, uma equipa capaz de lutar pela conquista da Liga NOS. Ainda não sofreu golos e não se afigura fácil, para qualquer adversário, desmontar um misto entre organização defensiva e competência individual nos duelos defensivos. Por outro lado, tem marcado muitos golos mas, acima de tudo, tem conseguido criar oportunidades claras para chegar ao golo, em grande número, em todos os jogos disputados até ao momento.

O FC Porto tem demonstrado grande poder ofensivo Fonte : FC Porto
O FC Porto tem demonstrado grande poder ofensivo
Fonte : FC Porto

Porém, nem tudo é perfeito! O FC Porto tem um plantel “curto” e com alternativas de qualidade individual claramente inferior à dos futebolistas que integram o onze-tipo. Para além disso, existe um problema na linha ofensiva: tanto Soares como Aboubakar são futebolistas que, pese embora sejam possantes fisicamente e, dessa forma, desgastem as defesas adversárias, têm pouco critério com bola e apresentam claras limitações ao nível da tomada de decisão. O caso de Marega é ainda mais grave, visto tratar-se de um jogador com tremendas dificuldades (inclusivamente técnicas) no momento de organização ofensiva. Neste cenário, não se compreende o empréstimo de Rui Pedro ao Boavista FC.

No cômputo geral, e ainda que o SL Benfica apresente mais soluções individuais (embora, pela primeira vez nos últimos anos, com lacunas em algumas posições) e um super-Jonas na frente de ataque, este FC Porto parece capaz de desafiar o tetracampeão nacional na luta pela conquista da Liga NOS. O desfasamento qualitativo entre as duas equipas, sobretudo no plano coletivo, parece ter-se dissipado e, quando assim é, as probabilidades de sucesso repartem-se. Será este o “ano do dragão”?

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira