Como em qualquer equipa de futebol, existe sempre um jogador que não é unânime para a massa associativa.

Para uns, é o Ronaldo da equipa, mas para outros, é apenas mais um que não acrescenta propriamente qualidade ao jogo.Na verdade, estes são atletas que têm uma orelha a arder e outra com a temperatura de quem não é criticado pelos adeptos.

O FC Porto também tem os seus jogadores que não são consensuais nas hostes azuis e brancas, sendo que, neste artigo, vou-vos falar de Shoya Nakajima.

O médio/extremo nipónico foi das contratações mais caras de sempre do FC Porto, e isso, por si só, coloca-lhe um peso nos ombros para ser a estrela da equipa. Foram, nada mais, nada menos, do que 12 milhões de euros por 50% do passe. Sem dúvida, a aquisição mais sonante dos portistas no mercado de verão.

Este já tinha estado no radar benfiquista, mas os dragões ganharam a corrida por um jogador que, recorde-se, já tinha brilhado em Portugal ao serviço do Portimonense SC.

Com 15 golos apontados com a camisola dos algarvios, seguiu para o Al-Duhail SC, onde também apontou 15 tentos numa época e meia. São números positivos para um médio/extremo. No entanto, jogar numa equipa grande acarreta outras responsabilidades e até números. Claro que Nakajima está muito longe dos números que até o levaram à seleção do japão, mas ainda estamos numa fase precoce da época e tudo é possível.

Inicialmente com a camisola oito que era de Yacine Brahimi, os adeptos perceberam logo que este iria ser o substituto do mágico argelino, mas acabou por ficar com a camisola que melhor se encaixa com as suas características: o número dez, o do craque e do mago da equipa, que outrora pertencera a Óliver Torres.

O número dez portista está sempre em movimento, baralhando as defesas adversárias.
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Neste FC Porto de Sérgio Conceição, é o terceiro médio da equipa, que procura fazer a transição para o ataque e desequilibrar a zona central mais ofensiva do terreno. Chegou a impôr à equipa azul e branca um novo estilo de jogo: o tiki-taka, que, apesar de tudo, só se vê em algumas jogadas dos dragões. Parece-me mais que evidente que, com este jogador em campo, o FC Porto abandonou o chutão para a frente, procurando, através da posse de bola, abrir as defesas adversárias e causar estragos. Mas, mesmo assim, continua a ser uma posse de bola um pouco lenta e previsível, o que claramente tem de ser melhorado.

Mas porque é que Nakajima divide a opinião dos adeptos portistas?

Para mim, isto deve-se à conjugação de dois fatores: o preço elevado da sua compra e até o pequeno conflito com Sérgio Conceição no final do jogo ante o Portimonense SC. Esse episódio colocou ao de cima uma das fragilidades do futebol de Nakajima: o comprometimento defensivo, que, refira-se, já foi corrigido.

Por outro lado, há quem aplauda cada jogada do japonês, uma vez que tem um toque de bola, capacidade de distribuição de jogo e de remate ímpar na equipa.

É, pois, impossível não gostar de Shoya Nakajima, já que, independentemente de tudo o que acontecer, irá sempre brindar os adeptos do FC Porto e do futebol em geral com um sorriso na cara.

Infelizmente, não pôde dar o seu contributo no jogo frente ao SC Braga (em que claramente os dragões sentiram a sua falta), mas espera-se que esteja disponível para brilhar na Taça da Liga.

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

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