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A época de 2010/11 foi uma das páginas mais bonitas do passado recente do FC Porto. Uma “geração de ouro” fez as delícias da massa adepta portista conquistando quase tudo o que havia para ganhar sob a batuta do mister André Villas-Boas. Dentro dessas conquistas destaco aquela que foi para mim a mais memorável, a Liga Europa. A campanha dos dragões até à final foi brilhante e culminou numa final portuguesa frente ao SC Braga naquele que foi o jogo que mais me marcou.

Recordo-me com relativa clareza de estar na sala de casa sentado no sofá acompanhado pelos meus pais e pelo meu irmão mais velho com a devida antecedência para assistir à final portuguesa. O ambiente para aquele jogo era diferente, não só no estádio como também em minha casa. Afinal, não é todos os dias que se defrontam numa final europeia a equipa da minha terra frente à equipa do meu coração. As picardias com o meu irmão mais velho começaram ainda antes do apito inicial, isto porque na altura ele estudava na Universidade do Minho em Braga e converteu-se a adepto arsenalista deixando por terra a sua pele dragão. Um mau adepto portanto.

Esta final portuguesa era sem dúvida um acontecimento inédito. O SC Braga estava pela primeira vez da história numa final europeia, o FC Porto tinha a oportunidade de vencer pela segunda vez da história a competição e, claro, nunca duas equipas portuguesas se tinham defrontado numa final europeia.

Frente a frente estavam dois dos plantéis mais talentosos dos últimos tempos das respetivas equipas, lideradas por Domingos Paciência e André Villas-Boas, que na altura estavam no pico das suas capacidades enquanto treinadores.

O jogo começa e desde início é bem visível uma atmosfera arrepiante que envolvia o jogo das duas equipas do Norte. Podia ser um jogo do campeonato, da Taça da Liga ou de Portugal, mas não, era a final da Liga Europa. O SC Braga não era o favorito, mas depois de ter eliminado Liverpool e Benfica tinha de ser respeitado e numa final nunca há favoritos. Os guerreiros do Minho agigantaram-se frente aos dragões e o equilíbrio entre as duas equipas foi constante ao longo do encontro. As qualidades individuais de João Moutinho, Varela e Hulk vinham ao de cima com o brasileiro a assumir-se como principal arma desequilibradora da defesa bracarense. Apesar de o SC Braga ter entrado mal no jogo, a verdade é que o FC Porto acomodou-se à passividade dos arsenalistas com o jogo a ter um ritmo demasiado calmo e de construção lenta.

Falcão celebra o primeiro e único golo da final da Liga Europa  Fonte: globoesporte
Falcao celebra o primeiro e único golo da final da Liga Europa
Fonte: globoesporte

O primeiro e único golo do encontro foi marcado pelo suspeito do costume, Radamel Falcao, não fosse ele o melhor marcador da competição. Em cima do intervalo, Falcao recebe o cruzamento perfeito de Freddy Guarín e o compatriota desfere um cabeceamento mortal para marcar o golo que mais tarde viria a valer a conquista do troféu.

Os minhotos procuraram o empate e foi pelos pés de Mossoró que isso esteve prestes a acontecer angustiando todos os adeptos portistas. Felizmente, o brasileiro viria a falhar na cara do golo com Helton a protagonizar uma excelente defesa.
No fim festejou-se no estádio, festejou-se em minha casa. O FC Porto venceu a partida, o FC Porto era o vencedor da Liga Europa. Mas mais do que isso, naquela noite venceu o futebol português. Três equipas na meia-final da Liga Europa é motivo de orgulho mesmo para o adepto mais fanático. Orgulho no FC Porto, orgulho em ser português.

Foto de Capa: globoesporte

Artigo revisto por: Beatriz Silva

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