O campeonato já começou, substituições já aconteceram, formas de jogar perante diferentes cenários já se preveem. Quando penso na forma (ou diferentes formas de jogar do FC Porto), penso imediatamente no meio campo que, diria eu, está sobrelotado.

No meu passado artigo, previ que a dupla habitual de médios do FC Porto seria Grujic e Uribe. Ora bem: aproveito estas linhas a que tenho direito para fazer um mea culpa. Nem sequer considerei o nome de Sérgio Oliveira porque, fazendo um arriscado exercício de futurologia, prevejo que o internacional português acabe por ser vendido antes do fim do mês.

Até lá, vejamos as opções:

Uma dupla composta por Uribe e Sérgio Oliveira é, a priori, uma dupla com grande complementaridade. Confesso que, para mim, Uribe é o melhor médio do FC Porto (não quero com isto dizer que seja o mais completo nem o mais decisivo).

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Referenciado como um box-to-box com muita chegada à área, Uribe terá, a esse nível, desiludido alguns adeptos do futebol português. Desde que o vejo no FC Porto, sempre vi no colombiano as mesmas caraterísticas: um grande médio equilibrador, constantemente bem posicionado e muito forte nos duelos.

meio campo FC Porto
Uribe fez 41 e 46 jogos respetivamente nas duas épocas que passou em Portugal.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Assim sendo, Uribe tem de jogar e, mais do que isso, tem de ser o médio defensivo da equipa. Já ao lado do colombiano… Sérgio Conceição tem a palavra.

Para mim, Sérgio Oliveira é o médio capaz de equilibrar a equipa e de desequilibrar o adversário ao mesmo tempo, mas há outras opções que não são necessariamente piores.

Vitinha é, na minha opinião, e caso o clube não o queira vender, o melhor candidato a sucessor do Sérgio Oliveira do ano passado. Se Uribe jogar ao lado do médio que acumulou, na época passada, momentos de Premier League (mal seria se não fosse, hoje, melhor jogador) ao lado de nomes como Moutinho ou Rúben Neves, o meio campo do FC Porto tem tudo para ser melhor.

Vitinha é um jogador capaz de discernir os momentos de fazer rodar a bola ou de meter um último passe. É um médio que, não sendo um 10, é tecnicamente forte o suficiente para fazer a diferença.

Há, contudo, ainda outra opção: Fábio Vieira (jogador que, creio eu, está condenado ao facto de a equipa não jogar com três médios)… Os adeptos portistas que se lembrarem de um tal de Óliver Torres saberão do que estou a falar.

Já nesta época, em Famalicão, o FC Porto retirou um ponta-de-lança para colocar um extremo e permitir que Otávio fosse terceiro médio. Fábio Vieira é, para mim, em condições normais, o melhor médio ofensivo da equipa e, nos momentos em que a equipa precisar dele, deve manter Otávio na ala. Fábio Vieira, sim, deve substituir o ponta-de-lança.

Sobram Grujic e Bruno Costa.

Grujic é um grande jogador, mas, se jogar com Uribe, a equipa vai sentir falta de algo no momento ofensivo. Estou a pensar nele para os jogos de Liga dos Campeões… Creio que um meio campo a três, em que Grujic e Uribe assegurassem que um jogador como Otávio ou Fábio Vieira podia desequilibrar, faria um FC Porto muito competitivo, mesmo a nível europeu.

meio campo FC Porto
O médio sérvio regressou ao FC Porto depois de uma época emprestado aos dragões.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Bruno Costa tem tido, curiosamente, mais tempo de jogo do que os jogadores descritos anteriormente (apesar de o caso de Grujic estar explicado pela sua lesão). Talvez Sérgio Conceição queira criar um “clone” de Sérgio Oliveira e, na verdade, até são jogadores parecidos: ambos têm colocação de bola, ambos cumprem a atacar e a defender e ambos interpretam muito bem o papel de “segundo médio” de que o treinador tanto gosta.

No fundo, creio que Fábio Vieira e Vitinha têm mais potencial do que Oliveira ou Bruno Costa, mas menos probabilidades de jogar.

Todos terão momentos de protagonismo durante a época. O jogo contra o Famalicão, por exemplo, provou que o “problema não está do meio-campo para a frente” (a frase é do próprio Sérgio Conceição).

Diria mais: os médios darão muitas das chamadas boas dores de cabeça a Sérgio Conceição este ano. O problema será decidir quem fica de fora.

Artigo revisto por Andreia Custódio

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