fc porto cabeçalhoMística e amor à camisola: João Domingos da Silva Pinto, mais conhecido no mundo do futebol simplesmente por João Pinto, sempre elevou estas duas palavras ao seu expoente máximo durante os largos anos em que envergou a camisola do FC Porto. O “capitão” é um verdadeiro homem da casa, um futebolista que ao longo de toda a sua carreira profissional, entre 1980 e 1997, nunca vestiu outra camisola a não ser aquela que, segundo ele, tinha apenas uma cor: azul e branca.

Foram 587 jogos ao longo dos quais construiu um dos mais prestigiantes palmarés alguma vez alcançados por um futebolista português. João Pinto conquistou nove Ligas Portuguesas, quatro Taças de Portugal, oito Supertaças Cândido de Oliveira, uma Taça dos Clubes Campeões Europeus, uma Supertaça Europeia e uma Taça Intercontinental. Com 70 jogos realizados pela seleção portuguesa de futebol, foi apenas ao serviço da mesma que lhe ficou a faltar a conquista de títulos. Ainda esteve perto quando, em 1984, integrou a equipa dos “Patrícios” que atingiu a meia-final do Campeonato Europeu de Futebol que teve lugar em França; porém, Platini e companhia não permitiram que tal se concretizasse.

Com apenas 1,73m de altura, nunca foi no apoio aos defesas centrais que João Pinto se destacou, mas antes pela concentração defensiva, pela atitude guerreira com que lutava por cada bola como se fosse a última e pelo pulmão inesgotável que lhe permitia, durante 90 minutos, fazer intermináveis incursões ofensivas ao longo do corredor direito. Nascido em Oliveira do Douro, João Pinto trabalhou como encarregado de chapeiro na Salvador Caetano até lhe ser oferecido, em 1980, o seu primeiro contrato profissional. Já a auferir 50 contos por mês, quando José Maria Pedroto lhe abriu as portas da titularidade, João Pinto continuava a deslocar-se para os treinos no seu Fiat 127. Afinal, o dinheiro era preciso para outras coisas, como para acabar de pagar o apartamento que havia comprado para viver com Mary, filha de um industrial gaiense com quem casara em 1983.

Dentro do campo, a humildade e a dedicação eram as mesmas que apresentava na sua vida pessoal. Sentia-se, a cada minuto, que João Pinto tinha um profundo orgulho em representar o seu clube do coração. Bobby Robson, treinador do “capitão” já próximo do final da sua carreira, descreveu-o de uma forma irrepreensível: “Tem um caráter invulgar, uma enorme vontade de vencer, uma atitude irrepreensível. Até parece que tem dois corações e quatro pernas. É muito difícil encontrar um jogador como João Pinto, com tanta motivação, com tanta ambição. Mesmo quando se lesiona, não há dores, não há nada.”

João Pinto a segurar a Taça da Liga dos Campeões  Fonte: Blog “Tribuna Portista”
João Pinto a segurar a Taça da Liga dos Campeões
Fonte: Blog “Tribuna Portista”

São vários os episódios ilustrativos da emoção que o defesa direito sentia por representar o FC Porto mas há um, em particular, que ficará para sempre na memória dos adeptos. Foi em 1987, no Estádio do Prater (Viena), quando o FC Porto venceu a Taça dos Clubes Campeões Europeus após derrotar, na final, o FC Bayern Munchen. João Pinto, capitão de equipa, recebeu o troféu, correu lacrimejante pelo relvado e não mais largou aquele que era, para ele, o título de uma vida. Quando finalmente os seus colegas de equipa conseguiram tocar na taça conquistada, João Pinto sorriu para eles, abraçou Pinto da Costa, chorou novamente de emoção e disse: “Meu Deus, um rapaz como eu com a Taça dos Campeões nas mãos”.

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Foto de Capa: “Soccer, Football or Whatever”

 

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Apaixonado por futebol desde a segunda infância, Francisco Sampaio tem no FC Porto, desde esse período, o seu clube do coração. Apesar de, durante os 90 minutos, torcer fervorosamente pelo seu clube, procura manter algum distanciamento na apreciação ao seu desempenho. Autodidata em matérias futebolísticas, tem vindo recentemente a desenvolver um interesse particular pela análise tática do jogo. Na idade adulta descobriu a sua segunda paixão, o ténis, modalidade que pratica de forma amadora desde 2014.                                                                                                                                                 O Francisco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.