O mês de janeiro é o mês da revolução de plantéis durante a temporada futebolística. Aqueles que conseguiram uma prestação acima da média desde agosto até dezembro são referenciados pelos grandes clubes europeus e, por outro lado, os “flops” começam a ver bem mais de perto a porta de saída. Estas mexidas de inverno podem mudar o rumo de qualquer equipa na segunda metade da época, dependendo muito da qualidade (ou falta dela) dos jogadores em questão.

Até à data, pelos lados da cidade Invicta, o mercado está fechado. A loja poderá abrir a qualquer momento para uma eventual saída ou entrada de um jogador de segunda ou terceira linha do plantel, mas há uma grande probabilidade de os melhores produtos do FC Porto continuarem na montra. Contudo, impõe-se uma questão – Tendo em conta alguns resultados e/ou exibições negativas, os azuis e brancos precisam de ir ás compras? Olhemos para o setor mais recuado do terreno. A seguir ao SL Benfica, o FC Porto tem a defesa menos batida da Primeira Liga – apenas nove golos sofridos. Caso para dizer que Marchesín, pela estatística e pelo que tem mostrado, efetivamente, merece o lugar no onze inicial. Como segunda opção, certamente que Diogo Costa dá bastante segurança a Sérgio Conceição para assumir a baliza do FC Porto quando necessário.

Alex Telles precisa de um concorrente à altura
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Da baliza para a defesa, eis que surge o problema. As laterais defensivas do plantel precisavam de alguém ambidestro que pudesse ocupar ambos os corredores e, claro está, que exibisse bastante qualidade para lutar pela titularidade. Isto porque Alex Telles não tem um adversário à altura para a sua posição, o que pode levar a uma queda de rendimento do brasileiro por dar a titularidade como garantida. Do lado direito, Corona está a ter um desempenho positivo, mas faltam-lhe skills que um lateral direito de raiz consegue exercer. Saravia tem ainda poucos minutos e a sua adaptação ao futebol europeu não está a ser fácil, restando Tomás Esteves, que tem somado minutos na equipa B. No centro da defesa, Marcano e Pepe providenciam a experiência, Mbemba é uma excelente alternativa, quiçá, merecedor da titularidade e Diogo Leite é um projeto a curto/médio prazo para ser um dos próximos centrais de alto nível do clube. Posto isto, apenas seria necessário um concorrente de Alex Telles ou até mesmo de Corona para equilibrar a defesa portista.

No centro do terreno, com a saída de Bruno Costa, abre-se uma vaga para um reforço da formação. Nada mais, nada menos que Vítor Ferreira, que é neste momento o grande destaque da equipa B orientada por Rui Barros. O médio já leva nove golos e quatro assistências em 17 jogos, nesta que é a sua primeira época como sénior. No geral, o meio campo não necessita urgentemente de reforço, a menos que se confirmem os rumores sobre a saída de Danilo Pereira.

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Quanto à armada ofensiva do FC Porto, Soares tem estado num crescendo de forma, assim como Nakajima e Luis Díaz. Quanto a Moussa Marega, não tem sido o mesmo das épocas transatas, mas Zé Luís é uma hipótese válida para alternativa ao maliano (apesar da lesão), não esquecendo a jovem promessa Fábio Silva e Vincent Aboubakar, que já mostrou a Sérgio Conceição que pode ser uma mais valia no ataque dos dragões, apesar das lesões sofridas sucessivamente.

Em suma, Sérgio Conceição tem à sua disposição um plantel com solução, apesar da escassez de concorrentes para as laterais defensivas. Não há urgência em ir ao mercado de transferências, mas um bom negócio com um jogador de qualidade é sempre bem-vindo e só viria acrescentar mais profundidade ao plantel. É importante que Sérgio Conceição se relembre dos fantasmas do passado e das investidas falhadas – Waris, Fernando Andrade, Paulinho, Osorio e o próprio Wilson Manafá.

Foto de capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

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Desde criança a colecionar cromos e recortes de jornais de vários jogadores até às longas carreiras nos videojogos no seu clube do coração, foram muitas as alegrias que o desporto rei lhe proporcionou. Assume ficar fulo quando não consegue acompanhar um jogo da equipa da cidade Invicta, mas no que toca a tudo o que acontece à volta do seu clube sente a obrigação de estar sempre atualizado. Estuda Ciências da Comunicação e é através da escrita que se prefere expressar.                                                                                                                                                 O Tiago escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.