o passado tambem chuta

Escrever sobre a fundação do FC Porto exige muito cuidado. As datas e os sujeitos históricos oscilam de uma para outra investigação. Uma crónica não é um texto histórico, no entanto, tem a obrigação de ser séria para com o que se sabe. A fundação do Benfica também tem o problema da certeza do momento histórico; no entanto, a dúvida assenta-se na análise do que é uma fusão ou uma união de clubes; para mim, uma fusão implica uma metamorfose, portanto uma transformação. Neste caso, e partindo desta premissa, o Benfica nasceu depois desse ato de amor que é a união, e não antes. Mas o FC Porto é diferente. A filosofia da sua criação também foi outra; o FC Porto nasce com a ideia de identificação com a cidade Invicta e em geral com o Norte. E nasce claramente com o selo inglês.

O FC Porto alterou a sua data de nascimento em 1998. António Nicolau d’Almeida, um abastado comerciante de vinho do Porto, e a influente colónia inglesa fundaram o primeiro – e hoje tido como a origem – Futebol Clube do Porto, em 1893. No entanto, talvez por pressões ou outras vicissitudes do seu fundador, o FC Porto deixou de ter atividade. Passados vários anos regressou de Inglaterra um jovem estudante que se fizera entusiasta do futebol durante a sua permanência académica no país. Chamava-se José Monteiro da Costa. No ano de 1906 logrou criar ou recriar o Futebol Clube do Porto. Até bem ao fim da década 80 do século passado figurou como o fundador e primeiro Presidente do FC Porto. No entanto, talvez através da lenda ou das associações feitas com o primeiro Porto, concluíram que foi uma refundação e não a sua fundação.

José Monteiro da Costa, um dos principais responsáveis pela existência do FC Porto
José Monteiro da Costa, um dos principais responsáveis pela existência do FC Porto

Argumentam-se dados que podem ser consistentes como a presença de vários jogadores da colónia inglesa nas duas equipas. No entanto, também pode ser coincidência ou simplesmente uma cópia. Mas é indiscutível a presença de Mackechnie, Rumsey, Wrigth e Ernesto Sá nas duas equipas. Surge também na segunda e definitiva época o nome do primeiro fundador, António Nicolau d’Almeida; mesmo que seja tradição oral, é importante, porque pode ter exercido a influência necessária e a emoção precisa para que o jovem Monteiro da Costa se lançasse, com unhas e dentes, ao projeto de recuperar a velha ideia.

Talvez por carecer de estrutura, o jovem Monteiro da Costa apoiou-se na estrutura do clube ao qual pertencia: o Grupo do Destino. No ato fundacional ou de refundação, no entanto, foi recuperado o nome do velho clube (FC Porto), que disputara, entre outros, um jogo com o Lisbonense, e foram recuperadas as cores (azul e branco) da monarquia.

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O FC Porto, com o tempo, tornou-se uma das grandes referências do futebol português, muito bem-sucedido tanto a nível nacional como internacional. Talvez o Porto atual herda o primeiro FCP que ganhou a primeira competição nacional em 1922, ao derrotar o Sporting por 3-1. A época presente e triunfante nasce, indiscutivelmente, com o atual presidente Pinto da Costa. O sucesso e eficácia gestora deste presidente é inquestionável, e talvez seja o melhor presidente de sempre do futebol português.

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