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O perigo do abismo, segundo os franceses

Redação BnR · 4 min

O perigo do abismo, segundo os franceses

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A próxima sexta-feira traz ao Estádio do Dragão muito mais do que o início do campeonato 2014-2015. A partida frente ao CS Marítimo é também o início de uma maratona que o FC Porto não pode voltar a perder. Mês e meio depois do arranque da pré-época, são já 13 os reforços anunciados, que, juntamente com a nova equipa técnica, confirmam aquilo que todos esperavam antes do arranque dos trabalhos: que o FC Porto ia mesmo sofrer uma revolução.

Ricardo, Andrés Fernández, Opare, Marcano, Indi, J. Ángel, Casemiro, Rúben Neves, Evandro, Brahimi, Oliver, Tello, Adrián e Sami são os nomes que trazem a mudança anunciada para os lados do Dragão. Mas, mais do que nomes, a pré-temporada mostrou aos adeptos portistas que não se trata apenas da substituição de protagonistas. Com a aposta em Julen Lopetegui, Pinto da Costa quer uma mudança de paradigma e de pensamento nas hostes portistas. Para isso, decidiu apostar num treinador consagrado de seleções jovens mas com um currículo muito baixo no que a clubes diz respeito. A mera nacionalidade de Lopetegui faz regressar a fúria espanhola ao banco do Dragão, depois da má experiência de Victor Fernández. Para os optimistas, a aposta num treinador do país vizinho é comprovativo suficiente para acreditar que estarão de volta os grandes espetáculos de futebol ao Dragão, três anos depois da saída de André Villas-Boas. Para os mais receosos, escaldados da péssima escolha de Paulo Fonseca na última época, a aposta em Lopetegui traz um risco demasiado alto para uma equipa que, tal como já afirmei, não pode voltar a perder esta maratona.

As alterações foram muitas no plantel e sem dúvida que, olhando de forma geral, este melhorou claramente em qualidade e quantidade. É certo que continua a especulação relativamente à posição 6, depois da saída de Fernando. Apesar do empréstimo de Casemiro, proveniente do Real Madrid, e da ascensão do talento Rúben Neves, os adeptos ainda suspiram por Jordy Clasie, um holandês de qualidade inegável e que assentaria que nem uma luva no onze de Lopetegui. O outro grande ponto de interrogação no plantel prende-se com a posição de Jackson Martinez. Com pouco mais de uma semana de treinos e três golos já apontados, o colombiano provou no estágio em Inglaterra que a sua manutenção foi talvez a melhor notícia para a nação portista. Contudo, a saída (incompreensível, na minha opinião) de Ghilas e a não adaptação de Adrián López à posição de ponta-de-lança fazem com que seja necessário que os responsáveis portistas gastem uns euros e façam com que o colombiano tenha concorrência.

A posição ocupada por Jackson Martinez precisa de mais um jogador Fonte: Zerozero/ Catarina Morais
A posição ocupada por Jackson Martinez precisa de mais um jogador
Fonte: Zerozero/ Catarina Morais

Depois de uma temporada onde tudo correu mal, não creio que o FC Porto tivesse outra opção que não fosse apostar forte no mercado. Tanto quanto foi possível ver nos jogos contra Everton e West Bromwich Albion, há reforços de qualidade inegável e cuja entrada no onze parece ser uma questão de tempo, pois Indi, Casemiro, Oliver, Tello e Brahimi ameaçam a titularidade imediata. Fazendo a previsão daquilo que poderá ser o primeiro onze do treinador espanhol, até já se consegue fazer uma equipa em que Quaresma não é titular, em que um jogador de 11 milhões fica no banco e onde um central de quase 10 milhões de euros parece estar destinado à equipa B. Sem dúvida que, apesar de ainda achar que faltam dois reforços aos Dragões, o plantel está mais rico e variado. Para um campeonato de 34 jornadas, a que se devem adicionar mais uma dezena de jogos nas competições europeias e outra dezena para as taças internas, é óbvio que todos terão a sua oportunidade, sem que com isso, ao que tudo indica, a equipa perca qualidade.

Todos os jogadores, com a exceção de Jackson, têm concorrência à altura, e só por isso acredito que na próxima sexta-feira o FC Porto terá tudo para começar da melhor maneira o campeonato nacional. Ainda assim, e porque não sou daqueles que acreditam que o campeonato tem de estar acima de todas as coisas, é, por esta altura, tempo de pensar que nos dias 20 e 26 de agosto o FC Porto terá os primeiros grandes desafios da época. E, sim, porque todo este investimento apenas terá justificação para sócios e adeptos se o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões for conseguido. O terceiro lugar alcançado na última época no campeonato francês faz acreditar que o Lille, com Origi, Salomon Kalou e Mavuba à cabeça, será um osso muito duro de roer para a equipa portista.

Desta forma, os novos jogadores portistas – a grande maioria deles jovens e de qualidade inegável – têm nas próximas duas semanas dois testes decisivos para aferir a capacidade deste FC Porto de escrever, nesta temporada, uma história dourada. Matéria-prima parece não faltar, mas a grande questão é perceber se a revolução feita por Lopetegui poderá ter efeitos tão rápidos quanto se deseja. É que, por mais que os adeptos sonhem com o céu esta época, rapidamente a equipa de “sonho” portista pode descer à terra, o que, tendo em conta o investimento este ano, será o inferno. E porque bons jogadores não fazem uma boa equipa, só a revolução de Lopetegui dará a resposta. E isto porque o perigo do abismo está mesmo aí.

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